ECONOMIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Emigrar, objeto de maior desejo — "Avalanche de gente aqui" para 30 vagas de motorista em empresa privada de autocarros em Portugal 07 Outubro 2022

A Auto Viação Feirense, empresa de transportes sediada no norte de Portugal, está à procura de motoristas e as condições requeridas são, entre outras, "ter muita experiência como motorista de autocarro, não de hiace" e "ter uma segunda língua como o inglês", subentenda-se que o português é a primeira "e não o crioulo", como explicitou o representante da empresa à RDP África ouvido hoje (5-10) no noticiário das sete.

Emigrar, objeto de maior desejo —

A empresa portuguesa quase nonagenária, com 250 motoristas e mais de 400 autocarros em serviço desde local a internacional, está a recrutar em Cabo Verde "simplesmente porque em Portugal já não encontramos motoristas" .

Quais são as hipóteses de sucesso? Boas para a empresa nortenha — sediada em Santa Maria da Feira, a meia hora de autocarro do Porto — que teve centenas de pessoas na fila.

Mas só há trinta vagas e mesmo essas parece que já estão preenchidas. É o que se extrairá da fala do responsável jurídico da empresa, referida na peça de ontem neste semanário: "Nós só anunciámos a 30 ou 40 pessoas, que é com quem já tínhamos de facto contacto e nós até só viemos cá recolher os contratos de trabalho, falar com eles, fazer teste de estrada".

Segundo o responsável da empresa transportadora, na primeira fase contam recrutar 30 motoristas em Cabo Verde, até final do mês. Tudo depende do processo de emissão de vistos de trabalho pelas autoridades portuguesas.

"Nós queremos dar-lhes as melhores condições, as condições que damos a qualquer trabalhador, trabalho sem termo, mas para isso precisamos dos vistos".

O obstáculo a vencer "é a emissão do visto de trabalho", que depende das autoridades portuguesas.

Desejo de emigrar?

A oportunidade de emigrar assim surgida estará como resposta a um persistente desejo de partir na atualidade — que surge em antítese com a já literária expressão de "desejo de ficar" perante a necessidade de partir — e está expressa na "avalanche de gente" referida pelo responsável da Auto Viação.

Uma decisão de partir — mais que um desejo, corrija-se — motivada por "estes salários" que não dão para "sustentar a família um mês inteiro".

"É uma grande empolgação", comenta-se. Iria? "Nunca trocar o pouco certo pelo muito incerto", filosofa-se no autocarro que passa pela fila nesta terça-feira.

Outros repercutem o que dizem os candidatos, que é uma oportunidade para melhorar. Essa é a toada que segue pelas redes sociais, com uma grande maioria a augurar boa-sorte aos candidatos.

Mas a realidade é como na música do d’ Novas que fala no estrangeiro-ilusão. O estrangeiro-ilusão da trova que trouxe o imponente edifício onde terminará a fila.

Mas mil euros dá para viver lá e fazer viver a família cá?

E surgem mais perguntas em catadupa. Uma: Os candidatos a motorista em Portugal estarão informados sobre o facto de que ganharão pouco mais de salário mínimo e meio, o que será mais ou menos equivalente ao que têm cá?

Há quem comente que para o país será bom, já que o encontro com a nova realidade que é a emigração pode vir a ser uma oportunidade formativa. Uma maior consciencialização das necessidades formativas pode levar ao bom desempenho profissional de que Cabo Verde tanto precisa.

Fontes das fotos: Lusa e website da AV Feirense.

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