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Emirados e direitos humanos: General acusado de tortura é eleito presidente da Interpol 25 Novembro 2021

O general Ahmed Naser al-Raisi, dos Emirados Árabes Unidos, acusado de promover práticas de tortura, foi eleito por quatro anos presidente da Interpol, organismo internacional de cooperação policial. A sua eleição em Istambul pela 89ª assembleia-geral da Interpol, que reúne 195 países-membros, foi anunciada esta quinta-feira e está a suscitar grande indignação.

Emirados e direitos humanos:  General acusado de tortura é eleito presidente da Interpol

"Ahmed Naser al-Raisi, dos Emirados Árabes Unidos, foi eleito para o cargo de presidente", por quatro anos, anunciou a Interpol através do website e da rede social Twitter.

A organização internacional sediada em França na cidade de Lyon tem vindo a ser alertada sobre as práticas do general Raisi, responsável da Interpol-Irão, país que está nos radares por usar métodos repressivos contra os dissidentes políticos.

Na mesma linha, várias organizações internacionais, entre as quais a Human Rights Watch, tinham-se posicionado desde há meses contra a candidatura de Raisi, que acusam de ser um dos máximos responsáveis pela tortura policial nos Emirados Árabes Unidos.

Um recente relatório da PGR do Reino Unido, assinado pelo procurador David Calvert-Smith, indica que Raisi "coordenou o aumento da repressão contra os dissidentes" através de práticas de tortura e de abusos do próprio sistema judicial dos Emirados Árabes Unidos.

Além do relatório de abril corrente, a defesa de dois cidadãos britânicos apresentou uma denúncia formal contra o general Raisi "por tortura". Um deles é Matthew Hedges, que chegou a ser condenado à prisão perpétua nos Emirados Árabes Unidos, acusado de espionagem e que acabou indultado e libertado há três anos.

A organização Centro de Direitos Humanos para o Golfo interpôs uma denúncia contra Raisi em França, por tortura contra o ativista político Ahmed Mansur. Também um gabinete de advogados turco apresentou uma denúncia à Procuradoria da Turquia contra o general por torturas ao mesmo Ahmed Mansur.

A candidatura ao cargo máximo na Interpol era disputada também por Sárka Havránková, da República Checa. A oponente vencida de Ahmed Naser al Raisi tinha-se apresentado com as promessas de "adequar o trabalho da Interpol ao espírito da Declaração Universal dos Direitos Humanos".

Fontes: AFP/interpol.int/Twitter. Relacionado: França abre inquérito sobre chefe da Interpol ’desaparecido’ na China, 07.out.018. Fotos: Reunião da Interpol Internacional. Logótipo da 89ª AG da Interpol, em Istanbul/Istambul. O general Ahmed al-Raisi.

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