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Encontrada morta na cela a única condenada da dupla de homicidas do jovem Diogo 31 Dezembro 2021

A direção da cadeia de Tires, na Grande Lisboa, comunicou a morte à mãe de Maria Malveiro (à direita na foto), na quarta-feira à tarde, segundo a primeira notícia divulgada ontem (5ªfª, 29) pelo advogado da jovem condenada, em abril, a 25 anos pelo homicídio qualificado de Diogo de 21 anos. O crime, perpetrado em março de 2020, por duas jovens, Maria de 19 anos e Mariana de 23, chocou Portugal pelos pormenores hediondos e o julgamento, que absolveu Mariana e deu a pena máxima a Maria, obrigada a indemnizar o pai da vítima em €265.000, deixou dúvidas por esclarecer.

Encontrada morta na cela a única condenada da dupla de homicidas do jovem Diogo

No dia seguinte, a Direção-Geral dos Serviços Prisionais avançou a causa da morte: suicídio, ocorrido entre o fim da manhã — quando ela pediu para ficar na cela em vez de participar nas atividades ao ar livre — e o momento por volta do meio-dia em que a detenta ia ser chamada para o almoço.

Há oito meses, em fins de abril, o tribunal de Portimão, Algarve condenou Maria Malveiro a um total de 25 anos de prisão pelos crimes de que ia acusada: por homicídio qualificado, 23 anos de prisão, pelo crime em coautoria de profanação de cadáver, dois anos, por furto, dois anos, por dois crimes de acesso ilegítimo, 20 meses (dez meses por cada um dos crimes), por burla informática e de comunicações na forma continuada, dois anos, por uso e furto de veículo, um ano, e pelo crime de posse de arma proibida, dois anos.

A sua co-autora, a enfermeira Mariana Fonseca, à esquerda na foto, foi absolvida do homicídio e condenada a quatro anos por outros crimes, saiu em liberdade.

Na foto, Mariana Fonseca à saída da prisão de Tires ao fim de treze meses de detenção, tinha o pai, um militar da GNR, e a reportagem do CM-Correio da Manhã à sua espera. O advogado dela expressou ao CM a intenção de recorrer da sentença.

Tribunal descartou novo depoimento de Maria

Mariana Fonseca, enfermeira que trabalhava nos hospitais de Portimão e Lagos, e Maria Malveiro, funcionária de segurança na mesma empresa em que trabalhava Diogo, estavam acusadas dos mesmos crimes.

Mas em tribunal, a defesa de Mariana alegou que a enfermeira fez manobras de reanimação em Diogo inconsciente e que ele estava de novo acordado quando Maria voltou a apertar-lhe o pescoço — o que levou à sua morte.

Esta nova versão foi desmentida por Maria, que aliás tinha assumido a autoria do homicídio desde os primeiros interrogatórios. Uma atitude que, segundo ela, visou proteger Mariana. Porém segundo Maria disse em março ao tribunal, isso deixou de fazer sentido depois de romperem a relação em janeiro de 2021.

Mas o tribunal de Portimão acabou por não ter em conta o novo depoimento de Maria, por entender ser "mais consistente" a versão da Mariana.


Móbil: ciúmes ou seguro de 70 mil euros
. Os contornos do homicídio — crime talvez premeditado seguido de desmembramento do corpo e que chocou o Portugal dos brandos costumes — não ficaram de todo esclarecidos.

Fica a dúvida sobre o alegado móbil dos ciúmes apresentados por ambas as arguidas. Fica a dúvida pela ausência de recurso da sentença aplicada a Maria sobretudo— perante o facto de que o tribunal de Portimão acabou por não ter em conta o novo depoimento desta, por entender ser "mais consistente" a versão da Mariana.

A advogada de Maria Malveiro desaparceu de cena enquanto o advogado de Mariana Fonseca, que saiu em liberdade, reclamava que ia recorrer da pena suspensa.

Por isso, fica o desconforto de que a justiça não foi feita de modo total. Na apresentação das alegações finais no Tribunal de Portimão, o procurador Miguel Teixeira tinha defendido que "face à prova pericial, documental e testemunhal produzida" em julgamento, as arguidas "têm de ser punidas de forma grave, por um crime que provocou alarme social, com uma pena superior a 20 anos e muito próxima da pena máxima prevista no Código Penal".
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Fontes: SIC/Observador/... Relacionado: Portugal: Acusadas de homicídio de Diogo de 21 anos, Maria é condenada a 25 anos e Mariana sai livre, 01.mai.021. Fotos: A encontrada morta na sua cela, em 29.12.021, Maria (à direita na foto), oito meses depois de condenada pela morte e desmembramento do jovem Diogo em março de 2020, no Algarve. Mariana, à esquerda na foto, que foi absolvida do homicídio e condenada a quatro anos por outros crimes, saiu em liberdade.

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