CORREIO DAS ILHAS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Energia das ondas do mar pode abastecer várias ilhas de Cabo Verde 26 Fevereiro 2019

Uma investigação científica feita pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) concluiu que a extração de energia das ondas do mar no arquipélago pode abastecer a totalidade da energia consumida nas ilhas do Maio e Brava, e 15 a 20% da utilizada na ilha de Santiago.

Energia das ondas do mar pode abastecer várias ilhas de Cabo Verde

O estudo está a ser elaborado pelo investigador da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade de Cabo Verde, Wilson Léger Monteiro, em colaboração com o docente António Sarmento, do Instituto Superior Técnico (IST) de Lisboa.

Em entrevista à agência Lusa, Wilson Léger Monteiro referiu que as ondas do mar em Cabo Verde ainda não são aproveitadas para a produção de energia neste país, onde a eletricidade é a mais cara de África.

“Na prática, a ideia é aproveitar o que a natureza já fez - as cavernas naturais. À medida que as ondas se aproximam das furnas, a coluna de ar aprisionada no interior das rochas sobre um aumento significativo de pressão e é obrigada a sair para fora através de orifícios. Da mesma forma, quando as ondas se afastam há uma diminuição da pressão do ar no interior das cavernas e o ar é sugado da atmosfera para dentro das rochas, das furnas", argumenta o investigador, citado pela Agência Lusa.

Publicado recentemente na Revista de Desenvolvimento de Energia Renovável, do Centro de Biomassa e Energia Renovável da Universidade Diponegoro, da Indonésia, o estudo que faz parte de uma investigação maior, concluiu que a costa leste da ilha do Maio é um dos locais privilegiados para a produção de eletricidade limpa. Para tal foram analisados dados de 31 anos de ondas e vendas, através de um programa europeu (Streamlining of Ocean Wave Farm Impact Assessment - SOWFIA) e do software Simulating Waves Nearshores (SWAN).

De acordo com o investigador, considerando o clima de ondas (altura, período e direção) e o vento no oceano, foi possível ver o potencial de produção de energia em alto mar e também perto da costa. "Em alto mar, anda à roda dos 15,16 Kilowatt por metro de frente de ondas. Este potencial vai diminuindo à medida que nos aproximamos da costa", revela, garantindo que uma central de extração em alto mar permitiria assegurar o consumo de ilhas mais pequenas, como a do Maio e a Brava, assim como 15 a 20% da ilha que mais consome energia - Santiago.

"Já li alguns estudos que indicam que o nosso Governo tenciona comprar alguns dispositivos Pelamis para implementar centrais de aproveitamento de energia das ondas em Cabo Verde, mas este é o menos indicado neste contexto, pois o melhor é o Wave Dragon e o AquaBuoy”, adianta.

Apesar de o conteúdo energético das ondas ser maior em alto mar, exigir "uma tecnologia mais complicada e de intervenções e atividades de manutenções mais difíceis, Wilson Léger Monteiro aborda a possibilidade de se recorrer a dispositivos costeiros mais acessíveis, simples e baratos. Contudo, acredita que brevemente Cabo Verde terá uma ou duas centrais de aproveitamento de energia das ondas, de aplicação em alto mar.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau

blogs

publicidade

Newsletter

Abonnement

Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project