INTERNACIONAL

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Entre Trump e Erdogan, "NATO em morte cerebral", diz Macron 09 Novembro 2019

As declarações do presidente francês, Emmanuel Macron — em entrevista ao ’The Economist’ —, já mereceram a mais viva reprovação da sua indefectível parceira na União Europeia, Angela Merkel, contra os "termos radicais". Do lado de Putin, saltam de contentes "com estas palavras em ouro".

Entre Trump e Erdogan,

Entrevistado na quinta-feira, 7, Macron considerou que a NATO-Organização do Tratado do Atlântico Norte está em "morte cerebral" devido ao descomprometimento dos Estados Unidos, visível na Síria, mas também dada a atitude da Turquia, também país-membro da Aliança Atlântica (outro nome da NATO).

O presidente francês entende ser necessário "clarificar agora [na cimeira da Aliança, a ter lugar em Londres, no próximo mês] quais são as finalidades estratégicas da NATO".

"Não temos nenhuma coordenação de decisão estratégica dos Estados Unidos com os parceiros da NATO e assistimos a uma agressão por parte de um país-membro da Aliança Atlântica, a Turquia — numa zona onde os nossos interesses estão em jogo—, sem qualquer coordenação. Esta situação é um verdadeiro desaire para a NATO ", afirmou Macron, que tem defendido desde o início do seu mandato uma "Europa da Defesa mais musculada".

A chanceler Angela Merkel não demorou a comentar "os termos radicais" do seu indefectível parceiro na União Europeia. Em Berlim, no mesmo dia e tendo a seu lado o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, apelou à serenidade diante da situação descrita por Macron.

"A meu ver, não há necessidade de tal julgamento intempestivo. Mesmo se temos problemas, temos de manter a contenção", declarou a chefe do executivo alemão. Acrescentou ainda sobre o uso de "termos radicais" por Macron que isso "não corresponde à cooperação no seio da NATO".

Na mesma ocasião, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, afirmou que a organização continua "forte" e destacou que os Estados Unidos e a Europa "trabalham mais juntos hoje do que em décadas passadas".

"Palavras de ouro" e omissão

"Estas são palavras de ouro", reagiu a porta-voz da Diplomacia russa, Maria Zakharova, na página de Facebook do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

"São sinceras e refletem o essencial. Uma definição precisa do estado atual da NATO", afirmou Zakharova, sem comentar as críticas duras de Macron que considerou que o modelo de regime vigente na Rússia é "insustentável".

3 causas da "fragilidade da Europa"

O presidente francês na entrevista extensa ao digital inglês diz da sua preocupação perante "a extraordinária fragilidade da Europa", que pode "desaparecer" se não se assumir "como potência no mundo".

A fraqueza da Europa, segundo analisa Macron, tem três causas: o "esquecer-se que é uma comunidade", o "desalinhamento" da política americana face ao projeto europeu, a emergência da potência chinesa "que claramente marginaliza a Europa".

Fontes: The Economist/Le Monde

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau

blogs

publicidade

Newsletter

Abonnement

Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project