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Entrevista/Pintor Jairson Lima: “A minha identidade está nas minhas obras, nisso representa um sentimento muito íntimo, obra versos criador” 05 Junho 2021

Natural de São Vicente, mas reside em Santo Antão há muitos anos, o artista plástico Jairson Lima demostrou, desde muito cedo interesse pela arte e aos 12 anos começou a esboçar os seus primeiros traços. Jairson desenvolveu técnicas e conceitos, que ainda considera importante melhorar. Nesses tempos de pandemia, Jairson sublinha que ainda está a adaptar-se a esta nova realidade e fazendo um pouco de tudo como forma de também driblar esta doença que devasta o mundo. O mesmo caracteriza-se por um “estilo próprio com pinceladas livres e bem definidas” nas suas obras. Lima espera reunir melhores condições para a apresentação pública da sua nova coleção de quadros que está em andamento. Ultimamente, o artista tem apostado em pintar mulheres cabo-verdianas.

Entrevista conduzida por: Arménia Chantre/Redação

Entrevista/Pintor Jairson Lima: “A minha identidade está nas minhas obras, nisso representa um sentimento muito íntimo, obra versos  criador”

Asemana - Fala da arte em tempos de Covid-19 e um pouco sobre quando você decidiu viver de arte?

Jairson Lima - Desde muito cedo, já tinha hábito de riscar mesas dentro da sala de aula, depois continuei desenhando e com o tempo comecei a ganhar gosto pela a coisa de uma forma mais consciente e descobrindo novas técnicas. E omo o interesse ficava cada vez maior, fiz formações/workshops, depois pensei em realizar a minha primeira exposição. Daiínunca mais parei, porque a reação do público, em geral, foi de motivação e carinho. Neste momento, não vivo 100% de arte. Ainda há muitas barreiras para quebrar e chegar neste ponto. Para além das artes plásticas, trabalho também como promotor cultural, realizo eventos, festas, desfiles de moda, entre outros. Nas horas vagas sou também designer gráfico, elaboro cartazes, logotipos, panfletos, convites, entre outros. Enfim, faço um pouco de tudo.

Quais são os desafios que quer agora enfrentar e vencer?

- Em relação aos desafios, estes são muitos, como quem começa sempre tem que aprender a dar os primeiros passos sozinho, com algumas quedas/obstáculos, mais nunca perder o foco. É basta acreditar no seu potencial e seguir em frente. Inicialmente, muitos não dão créditos, mas com o tempo, vão chegando para saber/conhecer um pouco de ti, aí sim é a oportunidade única para auto valorizar-se a si mesmo. A visão sobre o mercado da arte plástica: devido a pequenez das ilhas ficamos muito limitado para promover/divulgar o nosso trabalho e nisso temos que focar em nós mesmos para abrir outras portas, exemplo da internacionalização da nossa arte, para alcançar outros palcos/público.

Fontes de inspiração e centenas de obras produzidas

Onde te inspiras para pintar os teus quadros?

- A minha inspiração é continua. Inspiro muito no Folclore das ilhas, na nossa música e nos traços da mulher cabo verdiana. Ultimamente tenho pintado muitas mulheres. Acho que os traços e as curvas das mulheres me estimulam. Em quase todas as minhas coleções tem um traço de uma ou outra mulher. As mulheres é a maior fonte de inspiração, MULHER PAI, MULHER MÃE, MULHER AMIGA, MULHER IRMÃ, MULHER FAMILIA, MULHER FILHA, MULHER CORAJOSA, MULHER LUTADORA, enfim…

Quantos quadros já pintou até ao momento?

- Já perdi a conta. Deve ser umas centenas. Num ano realizo 3/4 exposições e cada exposição levo sempre 15/20 obras e já tenho 12 anos de carreira como profissional nessa área.

Como descreves a sua forma de pintar?

- Um estilo próprio com pinceladas livres e bem definidas. Desenvolvo substancialmente, a técnica acrílico sobre telas, dando tons e contrastes de luz e sombra em cada trabalho, explorando o desenho e a pintura no intuito de transformar vivências e emoções através das cores quentes, levando a um jogo de tons que uma vida pode ter.

O que cada quadro representa para ti?

- A minha identidade está nas minhas obras, nisso representa um sentimento muito íntimo, obra versos criador. Por vezes, vendo obras, mas no fundo fica com uma tristeza, porque é parte de mim que vai. Para muitos é uma simples peça de arte, mas para o criador tem outros valores ocultos ali incluídos, que é difícil de se explicar. É como criar um filho desde de pequeno e depois ele cresce, aí ele tem que nos deixar para seguir o seu caminho. Nisso fica aquela dor para onde vai, como vai ficar, se será bem tratado!.

Pandemia e novos projetos

Esta pandemia foi um desafio para ti? O que faz de diferente nas artes, agora com esta pandemia?

- O setor cultural do país, e não só, viu sua renda diminuir significativamente em 2020. A pandemia veio colocar stop em nos projetos hora definidos, exposições, viagens, etc. As consequências das medidas de isolamento para as atividades do segmento foram duras no mundo todo. Como outros colegas de profissão, a nossa classe tem passado por momentos difíceis durante a pandemia, já que não há muito para ser feito. Nisso temos que reinventar, começar tudo de novo, criando novas oportunidades para atingir o nosso público alvo. Mas também, é uma excelente oportunidade de relançar novas perspetivas no que toca a nossa forma de estar e de ser, experimentando novas técnicas, novos canais de divulgação etc. Tenho feito lives nas redes sociais, participando de alguns editais de suporte a nossa classe. Ultimamente, tenho trabalhado mais por encomendas de clientes, produzindo retratos de familiares e outros para poder debelar esta pandemia. Confesso que ainda estou precisando de me adaptar a essa nova realidade.

Qual ou quais os projetos que está a trabalhar neste momento?

- Bom, de momento está muito difícil programar, mas estou trabalhando na minha nova coleção e logo que tiver reunidas condições mínimas, farei apresentação pública. Mas de momento, estou só produzindo no meu estúdio. Produzindo muito, temos que trabalhar muito e ter uma produção constante, relevante e sempre buscando melhorar. No meu caso, eu busco melhorar tecnicamente e conceitualmente também. Tem artistas que são mais conceituais do que técnicos, mas em geral o artista tem sempre que buscar esse aperfeiçoamento. A originalidade vem de quem não ouve ninguém.

Mensagem aos amantes da arte

Qual a mensagem você gostaria de deixar para os amantes de arte e todo o público que apreciam o seu trabalho?

- Mensagem de Gratidão, pelo carinho ora demostrado pelo meu trabalho, nos também vivemos de mimos. Nisso tenho recebido um apoio enorme por parte dos meus fãs/seguidores e que só me motivam e muito para melhorar cada dia. Espero que, essa pandemia passa logo e que em breve nos reencontremos.

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