Ao publicar o decreto " da morte cruzada, que é um mecanismo que dissolve o Congresso e antecipa as eleições", o chefe do Estado equatoriano, Guillermo Lasso, tomou a decisão acertada para o país, segundo analistas ouvidos pela imprensa este domingo em Quito.
"Saber que em três meses elegeremos o Congresso e um novo presidente dá certa paz à sociedade", comentou um cidadão equatoriano. O país do meio do mundo tem um historial de instabilidade, como demonstra mais recentemente o facto de ter tido entre 1997 e 2007 nada mais que oito presidentes.
Guillermo Lasso sucedeu em 2021 ao mais impopular de 54 PRs, que terminou com 7%(!) de aprovação e vive desde então fora do país: é o ex-presidente Lenín Moreno (2017-2021) que em 2019 retirou o estatuto de refugiado ao Julian Assange. O fundador do Wilileaks há quatro anos preso numa cadeia de alta segurança está há quatro anos a combater a ordem judicial para a sua deportação para os EUA.
Sobre as eleições, provavelmente em 20 de agosto, já se fazem prognósticos. O movimento Revolucion Ciudadana, do ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), é a força política em melhores condições para triunfar.
O Conselho Nacional Eleitoral formalizou quinta-feira à noite o começo do período eleitoral. Mais de13 milhões de equatorianos elegerão presidente, vice-presidente e 137 deputados, que estarão em funções menos de dois anos, até maio de 2025.
"Não sou candidato"
Esta garantia dada por Guillermo Lasso é entendida como uma estratégia deste político da direita ameaçado de impeachment no seu mandato. Lasso enfraquecido dá um passo atrás e preparar-se-á para regressar em 2025.
Entretanto, o socialista Rafael Correa, de 60 anos — que em 2012 deu asilo a Julian Assange na embaixada em Londres — surge como favorito na sucessão.
Fontes: CNN/La Prensa Latina/BBC/NY Times/Le Monde/. Relacionado: WikiLeaks: Julian Assange 7 anos depois sai algemado da embaixada do Equador, 12.abr.019.