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Érica, 17 anos noite e dia à deriva a 46 km da costa — "Esta miúda é uma heroína" 18 Abril 2023

A adolescente Érica Vicente esteve mais de vinte horas à deriva sobre uma prancha de paddle levada por golpe de vento, no Algarve, até ser avistada por um navio holandês a 46 quilómetros da costa. Ao ser resgatada estava "já em hipotermia grave", mas a sua resistência é prodigiosa.

Érica, 17 anos noite e dia à deriva a 46 km da costa —

O diretor do hospital de Faro onde a jovem está internada informou hoje que a Érica "está a ser monitorizada, está acompanhada pela mãe, e está bem, muito calma".

"Dei-lhe os parabéns pela resistência dela, não está muito comunicativa. Mas ela é uma resistente. Com tanto tempo no mar, é surpreendente para todos, esta miúda é uma heroína sem dúvida nenhuma", confessou.

O médico não avançou com uma data para a alta da jovem residente em Azeitão, a 32 km de Lisboa, e de férias com a família no Algarve. Mas acredita que deverá ocorrer nas próximas 24 a 48 horas, "se tudo correr bem".

Desporto náutico. O stand up paddle, desporto que Érica Vicente estava a praticar no fim de semana na praia algarvia de Monte Gordo, consiste em circular na água sobre uma prancha, em pé e com recurso a um remo.

Arrastada pelo vento. O vento forte que se tem feito sentir, associado a alguma inexperiência de Érica, empurrou-a para longe da costa até ao mar largo, a cerca de 25 milhas náuticas (40 km). Supõe-se que devido ainda ao seu elevado estado de ansiedade, no escuro da noite, não conseguiu remar para terra.

Procura. Dado o alarme pouco depois das vinte horas de sábado, a Marinha disponibilizou vários meios para as operações de busca. Muitos meios estiveram envolvidos, incluindo espanhóis. As autoridades têm tecnologia para detetar objetos e embarcações no alto mar durante a noite, assim como a capacidade de fazer cálculos sobre as marés e as correntes, mediante a direção do vento. Inexplicável é que ela não tenha sido encontrada mais cedo.

Resgate. Érica foi avistada por um navio mercante holandês, com bandeira da Libéria, que se dirigia para Tânger, Marrocos. A tripulação entrou logo em contacto com as autoridades portuguesas, a quem transmitiram a notícia mais esperada: que a jovem Érica estava viva.

Como é que foi possível sobreviver tanto tempo no alto-mar?
De acordo com as autoridades, há vários fatores. Um, apesar do stress inicial a ter impedido de remar para terra, Érica terá controlado a ansiedade e o pânico de estar à deriva no mar.

Outro, o facto de não ter bebido água do mar, que poderia causar maior desidratação e ser muito prejudicial à saúde, ainda para mais numa circunstância tão grave como esta.

Outro ainda, não ficou exposta ao sol e sujeita a altas temperaturas desde as primeiras horas. Contudo, vestida só com o biquíni na noite fria Érica entrou em estado de hipotermia.

Um último fator determinante é a resistência da prancha de paddle. Apesar de insuflável, é resistente e grande e permitiu que a jovem de 17 anos se mantivesse à superfície.

Fontes: Sapo.pt/RR.pt/Setubalense. Fotos: Érica levada na sua prancha pela força do vento. Drone captou-a no mar alto mais de 20 horas depois de uma noite de terror no mar. Meios envolvidos no resgate e transporte ao hospital.

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