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Escândalo com suspeita de favorecimento a Tecnicil: Oposição diz estranhar silêncio do Primeiro-ministro perante práticas que indiciam corrupção 04 Mar�o 2018

O PAICV, através do Secretário-geral, diz estranhar a total ausência e o silêncio cúmplice do Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, no momento em que o numero dois no Governo e seu “homem de confiança”, Olavo Correia, está a ser acusado, na praça pública e até na imprensa internacional, de supostamente promover o favorecimento de suas Empresas (Tecnicil Indústria e Tecnicil Imobiliária) e a praticar actos que indiciam, claramente, a corrupção. Julião Varela adverte assim, em conferência de imprensa realizada na Praia, em réplica ao secretário-geral do MpD (no poder) que, na sexta-feira, saiu em defesa do Governo e do vice-primeiro-ministro (ver este jornal), reagindo à interpelação sobre a matéria feita ao actual executivo pelo maior partido da oposição durante a última sessão da Assembleia Nacional.

Escândalo com suspeita de favorecimento a Tecnicil: Oposição diz estranhar silêncio do Primeiro-ministro perante práticas que indiciam corrupção

Julião Varela, que é também deputado nacional, fez questão de realçar, em comunicado à imprensa, que o seu partido considera ser irresponsável a tentativa de branqueamento da actuação intransparente do vice-primeiro-ministro Olavo correia e reitera que, num pais sério, este já teria sido demitido pelo Chefe do Governo.

«Toda a sociedade cabo-verdiana já se deu conta de que o Governo do MPD está a governar para alguns, e não para o Povo de Cabo Verde, que o elegeu.Todos os cabo-verdianos já deram conta de que muitas das medidas do Governo do MPD, têm endereço certo, destinatário concreto e objectivos inconfessáveis», fundamentou.

Para o PAICV, a conferência de imprensa dada, na sexta-feira, pelo SG do MPD, não é mais do que «uma manobra de distração em relação a indícios graves de corrupção, de falta de ética e de falta de transparência na gestão de negócios públicos, imputados ao Governo do MPD e ao seu vice-primeiro ministro».
Diante de tais denúncias, o maior partido da oposição aproveita para «exortar a todos os cabo-verdianos a se manterem vigilantes em relação ao retrocesso do País, no que tange à transparência e à boa governação».

Factos irrefutáveis com indícios de corrupção

Julião Varela fez questão de realçar que há pelo menos três factos irrefutáveis que indiciam fortes suspeitas de corrupção nas medidas tomadas pelo Governo, todas através do Ministério das Finanças titulado por Olavo Correia.
«Importa, aqui, esclarecer um conjunto de factos, que indiciam, claramente, que o vice-primeiro-ministro Olavo Correia, poderá, eventualmente, estar a utilizar os recursos do Estado para beneficiar uma Empresa à qual tenha interesses, numa clara falta de ética e de pudor exigidos aos Titulares de Cargos Políticos. Com efeito, o favorecimento de Empresas (Tecnicil) nas quais o Vice-Primeiro-Ministro, Olavo Correia, e a Esposa são accionistas, já é um facto incontornável», fundamenta.

Referindo-se ao primeiro facto, precisa o político que o vice-primeiro-ministro e Ministro das Finanças, enquanto sócio da referida empresa nacional que atua no ramo da indústria, «levou ao Parlamento uma medida para proteger a mesma da concorrência externa, aumentando as taxas de importação para todos os concorrentes, o que veio a se traduzir no aumento dos preços dos produtos para as famílias cabo-verdianas, agravando a já difícil situação decorrente do ano da seca e do mau ano agrícola», critica, denunciado que a destinatária dessa medida é a Tecnicil da qual o vice-primeiro-ministro e a esposa detém 10% do capital.

O político critica, por outro lado, que Olavo Correia faltou à verdade quando diz que a proposta do diploma em causa era da Câmara de Comércio e Indústria de Sotavento, tendo garantido ao Parlamento que os produtos, para além de qualidade, seriam em quantidade suficiente para abastecer todo o mercado nacional, que haveria transporte regular para abastecer todas as ilhas e que os preços dos produtos não aumentavam em relação ao preço existente no mercado naquele momento. «A verdade é que os preços de todos os produtos aumentaram, os produtos não estão a chegar a todas as ilhas, e as famílias cabo-verdianas estão a suportar um custo adicional para proteger a Empresa em que o Sr. Vice-Primeiro-Ministro Olavo Correia é sócio», questionou.

Mas os factos que supostamente indiciam a corrupção não ficam por aí. O Secretário-geral do PAICV acrescenta que é também verdade que o Ministério tutelado pelo vice-primeiro-ministro Olavo Correia transferiu a Repartição de Finanças dos Grandes Contribuintes - antes instalada num prédio do Estado, sem custos para os contribuintes e localizada em Achada de Santo António - para um edifício arrendado pertencente à Tecnicil. Tudo isto numa total falta de ética e numa clara confusão de papéis entre o governante Olavo Correia e este como sócio da empresa em causa.

Perante todos estes dados, Julião Varela refere que a própria Procuradoria-Geral da República já abriu uma investigação para colher informações e apurar eventuais responsabilidades relacionadas com a actuação do ministro Olavo Correia. «Portanto, estranhamos que o MPD, ao invés de aconselhar o vice-primeiro-ministro a não fazer negócios consigo mesmo e garantir lisura e transparências na sua atuação e a agir com retidão e dentro da legalidade, venha à comunicação social acusar o PAICV de estar a difamá-lo».

Varela contesta o silêncio do Primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva perante este caso que supostamente configura prática de actos lesivos dos interesses do Estado de Cabo Verde. « A prática de actos lesivos dos interesses da Nação e de todos os cabo-verdianos, por parte dos dois primeiros Responsáveis da Governação do País – nomeadamente, do Primeiro-Ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, e do Vice-Primeiro-Ministro, Olavo Correia – é tão clara e despudorada, que Cabo Verde vem sendo citado, nos últimos dias, na imprensa nacional e internacional, pelos piores motivos – os indícios claros de favorecimento e prática de corrupção».

O Secretário-geral do PAICV conclui, avisando que num país sério como Cabo Verde e perante todas as evidências dos factos referidos que indicam a corrupção, o vice-primeiro-ministro já teria retirado toda as consequências dos seus actos: demitir-se do cargo, sob pena duma intervenção neste sentido do Primeiro-ministro de Cabo Verde, enquanto responsável máximo da governação do país.

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