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Espanha: Ex-cônsul de França condenada pela morte da filha suicida-se 20 Novembro 2020

A advogada Rosario Porto de 51 anos — "mulher culta e cosmopolita que circulava entre a elite europeia", cônsul honorária da República Francesa — foi encontrada morta, por enforcamento, na cela da prisão onde cumpria uma pena de dezoito anos pelo homicídio em 2013 da filha adotiva, Asunta de doze anos.

Espanha: Ex-cônsul de França condenada pela morte da filha suicida-se

A condenada, que tinha sido transferida em abril para a prisão de Ávila, foi encontrada morta na manhã de quarta-feira, 18. Os sinais indicam um enforcamento com lençóis atados às grades.

Era já a terceira tentativa de suicídio nos sete anos em que Rosario Porto levava presa. Em pelo menos duas tentativas sérias, nas prisões de A Lama-Pontevedra e Teixeiro-Corunha, ela servira-se de uma sobredosagem de comprimidos.

Foi submetida a acompanhamento psiquiátrico e vigilância anti-suicídio. Há meses foi declarado que podia terminar essa medida de precaução.

A imprensa espanhola cita fontes penitenciárias ao relatar que a notícia do suicídio de Rosario afetou profundamente Alfonso Basterra, que está em outra prisão. De imediato foi acionado o protocolo anti-suicídio, tanto mais que lhe foi encontrada uma carta de despedida, "carta de suicídio".


Asunta nascida Fang

Em 2002, o casal formado pelo jornalista Alfonso e a advogada Rosario sairam de Espanha rumo à China para encontrarem a Asunta, nascida Fang. "Foi amor logo ao primeiro encontro", relatou Rosario.

"Entregou-se de braços estendidos para nós, como se estivesse à nossa espera". Falou-se em possíveis maus-tratos no orfanato, mas a mãe adotiva desmentiu-os categoricamente. "Asunta era uma menina muito simpática e muito alegre, dava a impressão de estar muito bem tratada. Era uma menina muito feliz e que se entregou. Comigo foi desde o primeiro minuto, com Alfonso custou mais, suponho que por ser homem, pela barba; enfim a diferença. Mas comigo foi logo uma entrega absoluta e uma conexão total".

Seguiram-se "onze anos e três meses de felicidade completa", relatou Rosario. Pelo meio aconteceu o divórcio do casal mas decidiram morar em casas contíguas para poderem continuar a cuidar ambos da Asunta.

Incongruências e contradições

No dia 21 de setembro de 2013, tudo terminou em tragédia. Às 22H30, os pais registaram na esquadra de Santiago de Compostela o desaparecimento da Asunta Basterrra Porto.

Segundo Rosario, tinha deixado a filha em casa "a estudar" pouco depois das 14 horas. No regresso, por volta das 22H00, não a encontrou.

Menos de três horas depois, a polícia encontrou a menina morta num caminho florestal próximo à casa. Era uma hora e um quarto.

Dias depois, já em outubro o juiz — com base "nas incongruências e ambiguidades", pelas "versões contraditórias" dos dois nas suas declarações" — ordenou a prisão preventiva, que se prolongou por dois anos até ao julgamento que os veio a condenar.

O caso emocionou a Espanha. Os meios de comunicação tiveram, segundo os analistas, "um papel determinante na condenação de Rosario Porto e Alfonso Basterra", em novembro de 2015.

O tribunal seguindo a investigação policial considerou que a mãe foi a executante da morte por asfixia, com uma almofada. Mas os dois tinham premeditado o crime e desde havia três meses tinham vindo a administrar sedativos como Lorazepam à criança. No dia do crime, Rosario teria levado de casa a filha já cadáver, antes de ela e o ex-marido apresentarem queixa na esquadra mais próxima.

A tese de que a mãe assassinara a filha e contou com a cumplicidade do pai, que a ajudou a simular o desaparecimento, foi aceite pelo júri popular. O ex-casal acabou condenado.

Motivo? Talvez nunca se venha a descobrir.

A Espanha, que seguiu o caso durante sete anos, tem posições diferentes sobre o destino fatal da advogada Rosario Porto, que foi cônsul de França.

"Se as suspeitas sobre a Charo se confirmarem, eu deixo de acreditar na espécie humana", disse ao El País uma amiga íntima de Rosario, Charo para os amigos.

Há quem diga, perante a enorme hediondez do crime: "Não sinto pena nenhuma dela". E há quem cite a jurista Concepción Arenal, que escreveu "Odeia o crime e compadece-te do delinquente".

Fontes: EFE/El Mundo/El País/Europa Press/Vanguardia. Fotos (EFE): Os pais adotivos de Asunta assassinada aos doze anos declararam-se inocentes. O tribunal "ante a esmagadora evidência das provas" condenou-os a 18 anos de prisão, decisão apoiada em todas as instâncias até à última, o Supremo. A casa de Rosario onde se deu o crime está há muito tempo à venda, sem encontrar comprador.

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