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Estado da Nação: Entre ataques pessoais e leituras assimétricas 30 Julho 2009

O debate sobre o Estado da Nação, que aconteceu nesta quarta feira, 29, começou com ataques pessoais entre os sujeitos parlamentares e terminou com leituras assimétricas sobre o emprego, a saúde, a segurança e os indicadores macroeconómicos de Cabo Verde. É que enquanto a bancada do MpD considera que o país está “em derrapagem total”, José Maria Neves realça que esta é “uma nação com alto nível de auto-estima” porque “o país continua a crescer”, apesar da crise financeira internacional.

Estado da Nação: Entre ataques pessoais e leituras assimétricas

O MpD passou o dia todo a defender a ideia de que este é “um governo de expedientes, sem políticas e sem resultado”. Foi este o tom do discurso do líder do partido, Jorge Santos, que encontrou eco nas intervenções dos deputados Orlando Dias e Fernando Elísio Freire. Ambos realçaram que Cabo Verde “está no caminho errado” e precisa de uma mudança urgente porque todos indicadores sociais estão em “processo de derrapagem”.

No seu discurso, Jorge Santos classificou o governo de “fraco", pois "há muito desistiu de governar com políticas, para passar a fazer a vez de empreiteiro”. “Não há políticas nem respostas para os domínios fundamentais que fazem progredir qualquer país: a justiça, a segurança, a administração pública, a regulação e um ambiente de negócios e social propício ao desenvolvimento. Não há políticas nem respostas para o grande flagelo nacional que é o desemprego”, sublinhou.

Por seu lado, José Maria Neves afirmou, no fim da sessão de ontem, que saiu do debate “decepcionado porque a oposição não deu nenhum contributo valioso ao debate”. Para o chefe do executivo, o MpD não está interessado no desenvolvimento de Cabo Verde e por isso fala de derrapagem nos indicadores sociais quando “os números mostram que o país continua a crescer”, apesar da crise financeira internacional.

“É preciso salientar que Cabo Verde tem sabido resistir: a economia continua a crescer – 4 a 5% em 2009, ainda que revendo em baixa a previsão de 6-7%. Prevê-se, todavia, uma recuperação em 2010 para 5-6% e continuar a um ritmo forte nos anos seguintes; a inflação está em baixa e espera-se uma taxa de 3,3% em 2009. As reservas cambiais mantêm-se em níveis confortáveis, acima dos 3 meses de importação. Números que mostram uma mitigação da crise quando no mundo inteiro se fala em profunda recessão”, salientou o primeiro-ministro na abertura do debate.

Em mais de cinco horas de debate, os argumentos de um lado e outro pouco variaram. A oposição desvalorizou o programa de infra-estruturação do país, anotando que “as infra-estruturas de que o governo se gaba não respeitam as prioridades do desenvolvimento nacional”, enquanto a bancada do PAICV defendeu o “impacto positivo” que as estradas, os portos e os aeroportos têm na economia das ilhas.

Mais afoita no começo, a bancada do MpD cedo esgotou o seu tempo de intervenção e o governo aproveitou para tentar desmontar a “leitura negativa” dos opositores. Entraram então no debate os ministros Basílio Ramos, Sara Lopes, Cristina Duarte e Madalena Neves para rebater as críticas apontadas e, sector por sector, foram mostrando dados que, no entender do executivo, evidenciam a “boa saúde deste governo do PAICV”.

Confrontos

Incidentes de um debate do Estado da Nação que ficou marcado pelos ataques pessoais e várias intervenções do presidente da Assembleia para chamar os deputados à ordem. Aristides Lima chegou a levantar a voz para dizer que estava “farto” de receber lições de quem não entendia “nada daquilo”, quando o deputado Mário Fernandes (MpD) sugeriu que a mesa estaria a ser parcial na condução dos trabalhos.

Já na parte de manhã, Lima ameaçou retirar a palavra ao líder da oposição, Jorge Santos, quando este mencionou a prisão do advogado Manuel Barbosa – meio-irmão de José Maria Neves – para sugerir que os familiares do primeiro-ministro estão envolvidos com a droga. Este foi, aliás, um episódio que marcou as primeiras horas do que devia ser o tomar do pulso do Estado da Nação e relegou o debate político para o segundo plano.

O deputado da UCID, António Monteiro, mostra-se também bastante ofendido com a expressão “ave de rapina” da pobreza, que o primeiro-ministro utilizou para caracterizar a sua atitude política. Aquele parlamentar aventou a necessidade de organizar um debate sobre a qualidade da nossa democracia, tendo em conta os episódios que ocorreram ontem no Parlamento.

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