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Estatísticas sobre o desemprego em 2017: PAICV alerta que as políticas do MpD são palavras ocas e sem efeito na vida das pessoas 05 Abril 2018

Reagindo aos dados publicados pelo Instituto Nacional das Estatísticas sobre o desemprego em 2017, o maior partido da oposição cabo-verdiana, através do seu Secretário-geral Julião Varela, alerta que as políticas do MpD não têm passado de “palavras ocas” e sem nenhum efeito prático na vida das pessoas. Embora congratula-se com essa publicação do INECV, o PAICV acusa o Governo de ter falhado com o compromisso de divulgação trimestral dos dados estatísticos relacionados com o emprego em Cabo Verde.

Estatísticas sobre o desemprego em 2017: PAICV alerta que as políticas do MpD são palavras ocas e sem efeito  na vida das pessoas

Para o PAICV, esses dados revelam uma dinâmica preocupante da evolução do mercado de trabalho, através da degradação de vários indicadores-chave do mercado de trabalho, sendo de destacar a redução significativa da população activa e da taxa de actividade, mas também de um “forte crescimento da taxa de inactividade ou seja os desencorajados”.

“É preocupante ver que em 2017, a aparente diminuição da taxa de desemprego, nos indica que a economia não teve capacidade de geração do emprego, muito pelo contrário, os dados apontam pela destruição líquida do emprego, pelo que o problema que deve ser explicado é para onde foram parar os 5.950 cidadãos que estavam empregados em 2016 e que ficaram desempregados em 2017».

Apesar de regozijar-se por muitas medidas anunciadas sobre a melhoria do relacionamento com o sector privado e do ambiente de negócios, Julião Varela acentua que os resultados têm sido “francamente” negativos, considerando ainda que tem havido redução de emprego neste sector.

“Por mais voltas que se dê, numa interpretação criativa dos ventoinhas, não se escondem a Ineficiência, a Ineficácia e a falta de efectividade que caracterizam as politicas deste Governo, para a melhoria do ambiente de negócios e a projecção de Cabo Verde para o TOP 50 do doing business” mostra.

Suportando nos dados do INE-CV, a oposição entende que durante 2017 a taxa do desemprego no País aumentou de 124% para 15%. “A população empregada diminui de 209.725 para 203.775 pessoas, ou seja, uma destruição de (5.950 pessoas) o que corresponde a 2,8%. De 2016 para 2017, regista-se uma diminuição da taxa de emprego de 54,2% para 51,9%. O número de inactivos aumentou em 19.690 efectivos e a taxa de inactividade é estimada em 40,8%, ou seja, pessoas desempregadas que desanimaram e deixaram de procurar trabalho” sublinha.

Perante a alegada simulação da situação do desemprego no País, Julião Varela deixa entender que caso adicionar o número de desempregados com o dos desempregados que deixaram de procurar trabalho por desânimo, Cabo Verde estaria a aproximar de uma taxa de desemprego que rondava os 20%.

“Se tivermos em conta que foram criados 8.531 postos de trabalho e foram destruídos 5.950 significa que em termos líquidos ficamos com 2.581 empregos, muitíssimo longe dos 9.250 postos de trabalho prometidos pelo MPD”, acentua o secretario-geral do maior partido da oposição em Cabo Verde.

Concelhos com maior taxa de desemprego

De acordo com o PAICV, Praia e Santa Catarina de Santiago são os concelhos que continuam com maior taxa de desemprego, situadas em 16,2% e 17%, respectivamente. “Contudo, regista-se o aumento do desemprego nos Concelhos de Santa Cruz (2.647 pessoas), São Filipe (2.543 pessoas) e Santa Catarina (2.029). O desemprego aumentou mesmo nas Ilhas de Boavista e Sal contra todas as expectativas e os Jovens continuam a ser os mais atingidos com 32,4% e o subemprego continua a afectar 16% da população empregada” aponta a nossa fonte.

Diante de tudo isto, Julião Varela considera que os dados do emprego são “piores” do que o referente ao ano de 2016, mas refere que 88% das pessoas que estiveram empregadas em 2016, mantiveram os seus postos de trabalho em 2017.

Contrariando as declarações do secretário-geral do MpD à imprensa esta terça-feira, Julião Varela recomenda que uma análise do crescimento saudável deve respeitar alguns parâmetros como o rendimento das famílias, o investimento público e privado, as exportações, entre outros aspectos.

“O país está a endividar-se para o consumo e não para investimentos (Divida Pública de 132%, um aumento de 12%). Aumento dos impostos: 11,2%, sendo 12,1% sobre o rendimento das famílias (impostos sobre o rendimento registaram uma arrecadação superior, comparativamente ao mesmo período do ano transacto (+1.219,0 milhões de CVE)”, conclui Julião Varela.

Celso Lobo

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