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Estudo conclui que sintomas de depressão, ansiedade e stress da mãe interferem negativamente na saúde mental das crianças portuguesas em idade escolar 26 Mar�o 2020

Um estudo sobre sintomas de depressão, ansiedade e stress em crianças portuguesas, acaba de ser analisado e publicado na revista científica BMC Psychiatry, sugerindo que os meninos têm maior probabilidade de apresentar sinais depressivos e de stress do que as meninas, entre outros fatores que parecem influenciar a frequência destes sintomas.

Estudo conclui que sintomas de depressão, ansiedade e stress da mãe interferem negativamente na saúde mental das crianças portuguesas em idade escolar

Realizado por uma equipa multidisciplinar da Universidade de Coimbra (UC), Universidade de Lisboa (UL) e Universidade Fernando Pessoa, Porto, e do Instituto Politécnico de Viseu (IPV), este estudo teve como objetivo explorar os fatores associados a sintomas de ansiedade, depressão e stress nas crianças portuguesas em idade escolar, dos 7,5 aos 11,5 anos, uma vez que existem poucos dados sobre a magnitude e causas dos problemas de saúde mental mais comuns em idades tão jovens.

Segundo uma nota enviada ao asemanaonline, participaram no estudo 1022 crianças, sendo 481 meninos e 541 meninas, de escolas públicas e privadas das cidades portuguesas, designadamente Coimbra, Lisboa e Porto. Ao analisarem os autorrelatos das crianças, os investigadores concluíram que os rapazes reportam mais frequentemente sintomas de stress e sintomas depressivos do que as raparigas.

“As diferenças entre meninos e meninas na expressão destes sintomas podem ser influenciadas pelo contexto cultural. Poderão residir numa maior tendência das meninas para responder de forma socialmente mais desejável ou expectável, afirma o primeiro autor do artigo Diogo Costa.

Os investigadores concluíram também, que as crianças de Lisboa reportam mais frequentemente sintomas do que as de Coimbra e Porto. “As crianças de Lisboa, por comparação com as de Coimbra e Porto, poderão estar expostas a caraterísticas do ambiente urbano mais prejudiciais que se refletem na frequência destes sintomas. Por exemplo, poderão ter de percorrer maiores distâncias no percurso entre casa e escola, e passar mais tempo no trânsito”, justifica o investigador do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), centro que liderou o estudo.

Esta investigação sugere ainda, que os fatores parentais, em particular os sintomas depressivos, de ansiedade e de stress da mãe, interferem de forma negativa na saúde mental das crianças. Segundo Diogo Costa, a influência (negativa) do estado emocional das mães nas emoções das crianças é bastante conhecida, sobretudo para os sintomas depressivos, e pode fazer sentir-se desde cedo. “São necessários, contudo, estudos longitudinais, que acompanhem as crianças e mães ao longo do tempo, para melhor avaliar outros fatores intervenientes nesta relação, nomeadamente a vinculação entre pais e crianças”, acrescenta.

Considerando que os sintomas de depressão, ansiedade e stress experienciados durante a infância podem ter um impacto negativo no desenvolvimento, a coordenadora do estudo, Cristina Padez, defende que são imprescindíveis estudos longitudinais para que se possa conhecer o impacto destes sintomas no aparecimento da obesidade infantil, um problema, que considera com uma grande expressão na generalidade dos países desenvolvidos e em que Portugal também tem taxas muito elevadas.

De destacar, que este estudo, que faz parte de um projeto de investigação mais alargado, intitulado “Desigualdades na obesidade infantil: o impacto da crise socioeconómica em Portugal de 2009 a 2015”, foi cofinanciado pelo COMPETE 2020, Portugal 2020 - Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (POCI), União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

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