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Estudo conclui que um em cada três pais interpreta mal o peso dos seus filhos 18 Fevereiro 2020

32,9% dos pais interpretam mal o peso dos seus filhos (30,6% subestimam), praticamente um em cada três, revela um estudo publicado no American Journal of Human Biology.

Estudo conclui que um em cada três pais interpreta mal o peso dos seus filhos

Conduzido por Daniela Rodrigues, Aristides Machado-Rodrigues e Cristina Padez, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), o estudo teve dois “grandes” objetivos: analisar a concordância entre o estatuto nutricional das crianças e a perceção que os pais têm do peso delas; observar se a subestimação do peso estava de algum modo associada ao risco da criança ter excesso de peso/obesidade.

A investigação, que pretendeu ainda avaliar se a perceção que os pais têm sobre o peso dos seus filhos, era influenciada por caraterísticas das crianças e socioeconómicas, envolveu 793 pais e respetivos filhos, com idades compreendidas entre 06 e 10 anos).

«Verificámos que mais de 30% dos pais não identificou corretamente o estatuto nutricional dos filhos, sendo que a maior parte subestimou. A subestimação foi substancialmente maior consoante o peso dos filhos, ou seja, vários pais com filhos com excesso de peso classificaram-no como normal e, principalmente, pais com crianças obesas reportaram que elas tinham apenas um pouco de peso acima do recomendado», adianta Daniela Rodrigues, primeira autora do artigo científico e investigadora do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da FCTUC.

E é nas classes sociais mais baixas que os pais mais subestimam o peso das suas crianças, especialmente das meninas. “Ter pais com menor estatuto socioeconómico e mães com excesso de peso aumenta a probabilidade de subestimar o peso dos filhos, principalmente entre as raparigas”, nota a investigadora.

No que se refere ao objetivo de observar se a subestimação do peso estava de algum modo associada ao risco da criança ter excesso de peso/obesidade, os investigadores verificaram que pais que subestimam o peso dos filhos têm 10 a 20 vezes mais probabilidade de terem filhos com excesso de peso ou obesidade, o que tem sido associado a um conjunto de problemas de saúde física e mental, não só na infância mas que permanecem na idade adulta.

Ponderando as conclusões do estudo, que foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), Daniela Rodrigues defende que é urgente ajudar os pais a identificarem corretamente o excesso de peso e a obesidade dos filhos para que possam recorrer à ajuda dos profissionais de saúde e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida da criança.

«O primeiro passo para alterar comportamentos de risco associados à obesidade (dietas ricas em gorduras saturadas e açucares, inatividade física, comportamentos sedentários, etc.) é perceber a necessidade de alterar esses mesmos comportamentos, identificando corretamente o estatuto nutricional da criança, acrescenta em comunicado enviado ao asemanaonline.

No artigo publicado, os investigadores apresentam ainda algumas explicações para os resultados do estudo. “Os pais podem não saber identificar o que é excesso de peso ou obesidade, principalmente porque os media tendem a apresentar a obesidade no seu extremo. Por outro lado, numa altura em que a prevalência de excesso de peso e obesidade afeta cerca de um terço das crianças, os pais podem “normalizar” o excesso de peso, porque é o formato que mais encontram nas crianças que os rodeiam”, afirma a Investigadora da FCTUC, acreditando ainda que a maior parte dos pais prefere não identificar a criança, como tendo peso acima do recomendado por uma questão de enviesamento social, evitando os estereótipos associados ao excesso de peso e obesidade.

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