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Estudo da Afrosondagem sobre Covid-19: Parlamento menos avaliado, distribuição de cestas básicas com maior aprovação 27 Maio 2020

Um estudo recente da Agrosondagem, sobre as medidas do governo tomadas no âmbito da luta contra a pandemia de novo coronavírus em Cabo Verde, revela que a Proteção Civil e os Bombeiros são as duas entidades nacionais mais bem avaliadas pelos cabo-verdianos pelo trabalho realizado na prevenção e combate ao COVID-19, com cerca de 78% e 76%, respectivamente, de classificação boa/muito boa. Já a performance da Assembleia Nacional é a menos conseguida do que o das outras entidades da República, mas mesmo assim é satisfatória com 56% do universo dos respondentes a considerar boa/muito boa a prestação do Parlamento na prevenção do COVID19. Quanto aos resultados da avaliação do impacto das medidas adotadas para se prevenir e mitigar os efeitos sociais e económicos da COVID-19 sobre as famílias Cabo-verdianas, a pesquisa desataca a distribuição das cestas básicas que mereceu 58% de avaliação boa/muito boa. No tocante ao lay off, os resultados positivos aparecem numa proporção mais baixa (42%). Segundo o mesmo estudo, isto se deve, em boa medida, à proporção considerável (32%) de inquiridos que não responderem a esta questão por não estarem em condições de o fazer.

Estudo da Afrosondagem sobre Covid-19: Parlamento menos avaliado, distribuição de cestas básicas com maior aprovação

Segundo os resultados do inquérito realizados pela Afrosondagem, de entre as medidas adotadas pelos cabo-verdianos para prevenir a infeção causada pelo COVID-19, destacam-se: lavar as mãos regularmente com água e sabão, ou usando desinfetante à base de álcool com 94% de citações, seguida por sair de casa somente em casos indispensáveis (85%) e usar a máscara regularmente com 64% de respostas. «Para além destas, outras medidas estão sendo adotadas em menor proporção, tais como, evitar espaços fechados com concentração de pessoas, mencionada por 44% dos inquiridos, evitar tocar em superfícies comuns com as mãos (corrimão, maçaneta, botão do elevador, etc.) com 30% de menções», refere o estudo.

Esta indica que aproximadamente 9 em cada 10 (88,3%) cabo-verdianos declaram estar preocupados/muito preocupados com o risco de virem a contrair o vírus do COVID-19, particularmente na Praia e nos concelhos do Interior de Santiago com 93% ex-áqueo, seguidos pelos residentes nas ilhas da Boa Vista (81%), do Sal (80%) e de S. Vicente (78%).

Maior confinamento no interior de Santiago

A fazer fé nesta pesquisa da Afrosondagem, os dados do inquérito revelam que cerca de 3 em cada 10 (28%) cabo-verdianos asseguram não ter saído de casa na última semana (entre 3 a 9 de Março), contrariamente a 22% que saíram quase todos os dias/todos os dias. De realçar ainda que metade dos cabo-verdianos garantem ter saído de casa poucas vezes no período em referência.

«Uma leitura mais cuidada dos resultados do inquérito, aponta para o fato que nos concelhos do Interior de Santiago cerca de 41% dos inquiridos asseguram não ter saído de casa durante a última semana, o que representa quase o dobro do registado na Praia (28%), contra 20% na Boa Vista, 17% em S. Vicente e somente 6% no Sal. Por outro lado, nas ilhas do Sal e de S. Vicente, 43% e 33%, respetivamente dos seus residentes afirmam ter saído de casa na última semana todos os dias/quase todos os dias, contra 21% na Praia, 19% na Boa Vista e somente 13% nos concelhos do Interior de Santiago», destaca o mesmo estudo.

Uso de máscaras e prestação dos serviços de saúde

Conforme a mesma fonte, aproximadamente 2/3 (66%) dos cabo-verdianos afirmam que usam máscara sempre que estão fora de casa, enquanto 24% afirma o contrário, ou seja, não utilizam. Assegura que, na ilha do Sal onde não se registou nenhum caso positivo de COVID-19 até então, pouco mais de metade dos respondentes (54%) assegura que não utilizam máscara protetora, seguido pelos residentes dos concelhos do Interior de Santiago com 35% de resposta neste sentido. Em S. Vicente a proporção dos que não utilizam é de 28%, enquanto na Boa Vista e na Praia, a proporção dos respondentes que assume não usar máscara protetora é de somente 16% e 10%, respetivamente.

O esuto em apreço avança, por outro lado, que a grande maioria (92%) dos respondentes considera apropriadas/totalmente apropriadas as medidas de prevenção à propagação do COVID-19 adotadas pelo Governo. «Os santiaguenses são praticamente unânimes em considerarem estas medidas como sendo apropriadas com 94% de resposta favorável, seguidos pelos sanvicentinos com 91% de resposta. Por outro lado, entre os boavistenses esta proporção baixa para 80% e passa para 88% entre os salenses».

Relativamente à capacidade de resposta dos serviços de saúde para limitar a propagação da pandemia provocada pelo COVID-19, a pesquisa da Afrosondagem indica que cerca de 79% dos inquiridos mostram-se confiantes/muito confiantes na capacidade demonstrada por esta instituição, ao contrário de 18% que expressaram opinião contrária, ou seja, estão pouco confiantes (15%) ou nada confiantes (3%).

Avaliação de entidades e medidas implementadas

Os dados do inquérito da Afrosondagem revelam que em média, 91% dos cabo-verdianos concordam com as medidas implementadas pelo Governo durante este período de Estado de Emergência. Em causa estão as decisões tomadas, desde a declaração do Estado de Emergência, passando pelo fecho das fronteiras marítimas e aéreas, pelas medidas de isolamento de pessoas com COVID-19, pela quarentena para pessoas que tiveram contacto com infetados pelo COVID-19, pela obrigatoriedade de manter o distanciamento social e pela obrigatoriedade do uso de máscara em recintos públicos fechados.

Todas as autoridades envolvidas na prevenção e combate ao COVID-19 foram avaliadas positivamente pelos cabo-verdianos. «A começar pelo Presidente da República que mereceu a avaliação boa/muito boa de 69% dos respondentes, um ponto percentual a mais comparativamente à classificação conseguida pelo Governo que se situa nos 68%. A performance da Assembleia Nacional neste quesito é menos conseguida do que o das outras entidades da República, mas mesmo assim é satisfatória com 56% do universo dos respondentes a considerar boa/muito boa a prestação do Parlamento na prevenção do COVID19», precisa o estudo.

Mas as instituições mais bem avaliadas são a Protecção Civil, Os bombeiros e a Policia Nacional. « A Proteção Civil e os Bombeiros são as duas entidades mais bem avaliadas pelos cabo-verdianos pelo trabalho realizado na prevenção e combate ao COVID-19, com cerca de 78% e 76%, respectivamente de classificação boa/muito boa, seguidas pela Polícia Nacional (terceira posição) com 73% de apreciação favorável», acrescenta o documento.

Entretanto, entre as outras entidades que estão na linha de frente no combate ao COVID-19, surge o Ministério da Saúde que também colhe uma apreciação globalmente favorável (73%) e se coloca ao lado da Polícia Nacional no ranking das entidades avaliadas. Já os hospitais surgem a seguir com 70% de avaliação boa/muito boa. Os Centros de Saúde também mereceram uma avaliação globalmente positiva com 68% dos inquiridos a considerar como boa/muito boa a prestação destes centros.

«Os resultados da avaliação do impacto das medidas adotadas para prevenir e mitigar os efeitos sociais e económicos da COVID-19 sobre as famílias Cabo-verdianas, mostra um cenário de apreciação diferenciada em função da medida em análise. De facto, a maioria das medidas são bem avaliadas, como a distribuição das cestas básicas que mereceu 58% de avaliação boa/muito boa, seguida pelo pagamento de um apoio monetário às pessoas mais vulneráveis, bem como o subsídio desemprego, ambos colhendo 54% de apreciação boa/muito boa. Quanto ao lay off, os resultados positivos aparecem numa proporção mais baixa (42%) e isso deve-se em boa medida à proporção considerável (32%) de inquiridos que não responderem a esta questão por não estarem em condições de o fazer», salienta.

Segundo ainda o mesmo estudo da Afrosondagem, os resultados deste apontam que, do universo dos respondentes, aproximadamente 48% dos inquiridos entende que o Estado de Emergência deverá ser prorrogado para ambas as ilhas, ou seja, a ilha da Boa Vista e a de Santiago. A prorrogação só para Santiago colhe a simpatia de 27% dos inquiridos, distribuídos de forma diferenciada em função do universo de estudo em análise. Já cerca de 20% do universo dos inquiridos admite que preferiria a não renovação do estado de emergência em qualquer das ilhas em questão.

Objetivo e amostra do estudo

Conforme a Afrosondagem, o estudo apresentado hoje,26, visa dotar o Governo de informações credíveis sobre o impacto das medidas de prevenção do COVID-19 em Cabo Verde.

Em termos da metodologia, avança que o universo para o cálculo da amostra foi constituído a partir dos dados de população de 18 anos e mais residentes nas ilhas de São Vicente, Sal, Boa Vista e Santiago ( as três ilhas que tiveram casos positivos de covid 19) de acordo com as projeções de população para 2019, realizadas pelo Instituto Nacional de Estatística. «Foi considerado no cálculo da dimensão da amostra da população de 18 anos e mais a realização duma Amostra Aleatória Estratificada (AAE) de 1.352 indivíduos, com 95% de Intervalo de confiança e um erro de 5% para cada domínio de estudo», lê-se na ficha técnica, informando que cada domínio de estudo (São Vicente, Sal, Boa Vista, Praia e Interior de Santiago) foi considerado como um estrato independente.

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