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Estudo de ADN de elite europeia busca filhos ’ilegítimos’ nos últimos 500 anos 23 Novembro 2019

A cena retratada no século dezassete mostra o pai idoso que deu uma festa pelo nascimento do filho. Mas há uma outra figura que se destaca, a do homem que faz um sinal por cima da cabeça do bebé — e de que todos sabem o significado.

Estudo de ADN de elite europeia busca filhos ’ilegítimos’ nos últimos 500 anos

Cientistas belgas e holandeses decerto inspirados pelo quadro flamengo de 1664 (foto) estudaram centenas de indivíduos desses países do Benenlux em busca do seu ancestral comum. Se não houvesse uma paternidade extraconjugal na sua linhagem, teriam o mesmo cromossoma Y.

Pretendiam assim testar se corresponde à verdade biológica a aceção tradicional de que ao longo de séculos ocorreram vários nascimentos fora do contexto matrimonial.

Os resultados surpreenderam-nos. O que o estudo revelou foi que além de serem baixas as taxas de paternidade extraconjugal nesses dois países da Europa Ocidental, é nas classes baixas urbanas que as taxas são maiores, 6 por cento versus 0,45% entre os rurais e classes mais altas.

O estudo contraria, pois, a ideia feita de que os membros masculinos da elite tenderiam a ter mais filhos fora do casamento — também chamados adulterinos para o caso de progenitor/a casado/a (com outra pessoa) — dadas as desigualdades sociais propiciadoras de maior submissão das mulheres aos senhores latifundiários.

Estudo publicado na revista Current Biology

De acordo com o estudo publicado este mês na revista especializada Current Biology, os investigadores descobriram taxas de paternidade extraconjugal entre famílias urbanas de baixo estatuto económico, que viviam em cidades densamente povoadas no século XIX, de 6%. Por outro lado, só afetava 0,5% dos agricultores em áreas rurais e as classes média e alta.

A probabilidade de uma pessoa nascer fora do casamento era de 0,6% em povoados rurais com poucos habitantes e de 2,3% em cidades com pelo menos 10 mil habitantes por quilómetro quadrado. Não foram encontradas diferenças significativas entre as divisões religiosas e culturais dos países.

“Esperávamos que as taxas médias fossem baixas (estudos anteriores já demonstraram isso), mas o facto de as taxas variarem mais de 10 vezes, dependendo do contexto social, foi certamente uma surpresa“, disse o geneticista belga Maarten Larmuseau.

“É claro que a paternidade extraconjugal, especialmente devido ao adultério, é um tópico popular em piadas, séries de televisão e literatura”, disse Larmuseau em comunicado. “Mas o conhecimento científico sobre esse fenómeno ainda é altamente limitado, especialmente em relação ao passado”.

À Newsweek, Peter B. Gray, do Departamento de Antropologia da Universidade de Nevada, Las Vegas, que não participou neste estudo, referiu que os seus estudos anteriores sugeriram que os ancestrais humanos tinham baixas taxas de paternidade extraconjugal.

Comparando com outros primatas, os machos humanos têm testículos relativamente pequenos e baixa qualidade espermática, entre outras características, consistentes com baixas taxas de acasalamento feminino com vários machos, lê-se no site da Newsweek.

Fontes referidas. Foto em livro de História de Arte

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