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Estudo de Afrosondagem revela falta de confiança dos cabo-verdianos nas instituições: Chefe do governo e AN em queda livre 19 Fevereiro 2021

O nível da confiança dos cabo-verdianos nas instituições, sejam elas eleitas e não eleitas, está em queda livre, conforme revelam os resultados, hoje divulgados na Praia, do estudo sobre a qualidade da democracia e boa governação, realizado em 2020 pela Afrosondagem e Afrobarómetro. Uma das entidades que tem perdido muitos pontos é o chefe do Governo: Ullisses Correira baixou, em termos da popularidade, de 43% em 2017 para 36% em 2020. Já a Assembleia Nacional é a instituição que mais perdeu pontos: sua credibilidade caiu de 40% em 2017 para 33% em 2020 - esta avalição era esperada face ao baixo nível de debate e prestação por parte da maioria dos deputados e à má condução dos trabalhos pelo presidente Jorge Santos.

Estudo de Afrosondagem revela falta de confiança dos cabo-verdianos nas instituições: Chefe do governo e AN em queda livre

De acordo com o subtema do estudo intitulado “confiança nas instituições e desempenho das entidades eleitas”, facultado à Inforpress, os cabo-verdianos continuam a confiar nas instituições, mas o nível de confiança vem diminuindo face aos estudos anteriores realizados em 2014 e 2017 respectivamente.

A Assembleia Nacional é a instituição que mais tem perdido a confiança dos cabo-verdianos, com uma queda de cerca de 12 pontos percentuais comparativamente ao ano de 2014. Na altura tinha uma pontuação de 45%, caiu para 40% em 2017 e 33% em 2020.

O director-geral da Afrosondagem, José Semedo, adianta que há uma queda contínua da confiança nas instituições sejam elas eleitas ou não eleitas, embora as instituições não eleitas continuem a ter mais confiança dos cabo-verdianos comparativamente às instituições eleitas.

“Quando falamos de confiança é bom que se diga também que é uma tendência a nível mundial e particularmente nos países de democracia consolidada em que o cidadão tem vindo anos após anos a demonstrar uma desconfiança maior em relação às instituições”, explicou a mesma fonte em declarações à Rádio de Cabo Verde.

Segundo a mesma fonte, a reduzida satisfação das necessidades, sobretudo as económicas e a questão da corrupção são, na perspectiva de José Semedo, alguns dos motivos que justificam essa queda no nível de confiança que vem sendo registada a nível mundial.

“No nosso caso em concreto, por exemplo, os dados de 2014, 2017 e 2020, para pegar nos três estudos, mostram que todas as instituições sejam elas eleitas e não eleitas têm vindo a perder confiança dos cabo-verdianos”, disse.

“Por exemplo, as Forças Armadas que continuam a ser a instituição de maior confiança dos cabo-verdianos tinham 65% de confiança em 2014, em 2017 passou a 62% actualmente tem 60”, precisou.

Conforme os resultados da referida sondagem, a segunda instituição com maior índice de confiança é a Presidência da República, mas a percentagem caiu de 57% em 2014 para 50% em 2020. Em terceiro lugar estão os tribunais judiciais que igualmente vêm perdendo pontos ao longo dos anos, tendo passado de 61% em 2014, 51% em 2017 e 49% actualmente.

José Semedo destaca também o facto de o primeiro-ministro ter vindo também a perder pontos, tendo passado de 47% em 2014, 43% em 2017 para 36% em 2020, assim como a Comissão Nacional de Eleições (CNE) que nos três estudos obteve 45%, 43% e 42% respectivamente.

Revela que a Assembleia Nacional é a instituição que mais tem perdido a confiança dos cabo-verdianos, com uma queda de cerca de 12 pontos percentuais comparativamente a 2014. Na altura, tinha uma pontuação de 45%, caiu para 40% em 2017 e 33% em 2020.

O estudo mostra também que os executivos camarários, os partidos políticos, tanto da oposição como do poder, também têm perdido pontos.

O estudo avaliou , por outro lado, desempenho das instituições e os resultados indicam que nesse aspecto os cabo-verdianos regredirem nas suas posições, penalizando a atuação dos políticos.

O Presidente da República é a entidade com maior pontuação, 62%, mas inferior em 5% face aos estudos anteriores.

O estudo foi realizado com base no inquérito realizado de 09 a 21 de Dezembro de 2019, segundo a fonte citada pela Inforpress.

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