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Estudo indica que a camarinha poderá ter propriedades anticancerígenas 21 Julho 2020

O extrato de camarinha, uma espécie endémica da Península Ibérica, poderá ter propriedades anticancerígenas, revelam os primeiros resultados de um estudo liderado por uma equipa da Unidade de Investigação e Desenvolvimento (I&D) Química Física Molecular, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em Portugal.

Estudo indica que a camarinha poderá ter propriedades anticancerígenas

O estudo foi realizado no âmbito das atividades previstas no projeto IDEAS4life, com financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), cuja equipa conta com a participação de investigadores da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, através da REQUIMTE (Rede de Química e Tecnologia), e do Instituto Superior de Agronomia (ISA) da Universidade de Lisboa (UL).

Segundo indicações dos coordenadoras do estudo, através de uma nota enviada ao Asemanaonline, nas várias experiências realizadas em linhas celulares de cancro do cólon (HT29), observou-se que extratos de Corema album - nome científico da camarinha - conseguem inibir a proliferação deste tipo de células cancerígenas.

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As investigadoras da Unidade de Química-Física Molecular da FCTUC e docentes da Escola Superior Agráriade Coimbra sublinham o facto do extrato obtido a partir das folhas da planta (camarinheira) se ter mostrado mais eficaz do que propriamente o extrato das bagas de camarinha, “o que é muito interessante, atendendo a que as folhas existem durante todo o ano, enquanto as bagas são sazonais”, apontam Aida Moreira da Silva e Maria João Barroca, acrescentando que para obter o máximo de informação sobre o comportamento dos extratos, foram aplicadas várias técnicas físico-químicas, entre as quais espectroscopia vibracional: espectroscopia de Raman e de Infravermelho, apontam Aida Moreira da Silva e Maria João Barroca

Perante estes resultados promissores, a equipa tenciona agora alargar os testes in vitro, aplicando os extratos em células de outros tipos de cancro. “Além disso, estamos a explorar as várias partes da camarinha e da camarinheira. Mesmo dentro do fruto estamos a explorar evidências e comportamentos que nos possam fornecer informação para eventuais futuros fármacos, avançam as duas coordenadoras do estudo.

“Pretendemos recuperar estas bagas ancestrais, que eram usadas como antipirético e vermicida”, afirmam as investigadoras, adiantando que também vão explorar a vertente gastronómica, tendo já recuperado várias receitas antigas, para que não se perca este património, e possa contribuir para a subsistência de alguns agricultores da orla marítima portuguesa.

Apesar de ser abundante na orla marítima portuguesa, a camarinha está ainda por explorar e a literatura científica sobre a espécie é relativamente reduzida. Este estudo está a ser desenvolvido no âmbito de um projeto mais vasto (IDEAS4life) que pretende valorizar recursos marinhos endógenos, obtidos a partir de plantas marítimas, incluindo as plantas halófitas. Recentemente, um dos artigos científicos produzidos pela equipa foi tema de capa da revista científica Journalof Raman Spectroscopy.

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