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Estudo revela: Concentração de pesticidas nos alimentos em Cabo Verde está abaixo do recomendado 22 Novembro 2018

Os produtos agrícolas produzidos e consumidos em Cabo Verde não constituem ameaça quando se fala de concentração de resíduos de pesticidas nos alimentos, estando o país com níveis de pesticida muito abaixo da Europa.

Estudo revela: Concentração de pesticidas nos alimentos em Cabo Verde está abaixo do recomendado

Trata-se do resultado provisório de um estudo realizado no âmbito do projecto PERVEMAC II (Pesticide Residues for Vegetables in the Macaronesia), dado a conhecer hoje no workshop “Controlo de Resíduos de Pesticidas em Europa e Cabo Verde”.

“Temos neste momento um resultado provisório, quase definitivo, sobre a concentração dos pesticidas nos alimentos, que apontam que Cabo Verde não tem excesso de resíduos de pesticidas nos alimentos, seja alimentos produzidos em Cabo Verde, seja alimentos importados”, precisou em declarações aos jornalistas a directora do INIDA, Ângela Moreno.

Segundo a responsável pelo Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA), existe no país um “controlo razoável”, mas reconhece haver resíduos de pesticidas em alguns alimentos, que não é superior, entretanto, àquilo que é recomendado a nível internacional.

Comparando Cabo Verde com outros países da macaronésia e também com a Europa, diz a mesma fonte, o arquipélago tem níveis de pesticidas “muito abaixo da Europa”. Isto quer dizer que os alimentos que se produzem e se consomem no país “não constituem uma ameaça quando se fala de concentração de resíduos de pesticidas nos alimentos”.

Este resultado descarta, no seu entender, algumas suposições de que o uso de pesticidas poderá estar na origem do aumento de casos de doentes com problemas cancerígenos em Santo Antão, conforme o alerta das estruturas locais de saúde.

A directora do INIDA explicou ainda que a nível internacional há uma tabela que limita este uso e diz que tal produto tem excesso de pesticida ou não e que Cabo Verde está abaixo desta tabela, ou seja, “não há risco nenhum”.

Mas isso também é, na óptica da mesma fonte, fruto de um “trabalho árduo”, de mais de 40 anos, que o país tem feito sobretudo a nível de inspecção fitossanitária, de ensino e treinamento dos agricultores para não exagerarem no uso dos químicos.

Ângela Moreno adiantou, também, que um estudo já vem sendo traçado há muito tempo, visando estudar a saúde pública e a sua relação com resíduos de pesticidas e com outros fenómenos que acontecem a nível da alimentação.

Por seu lado, a administradora executiva da ARFA, Patrícia Alfama, avançou que além de continuar a monitorização dos pesticidas nos produtos, mais actividades vão ser realizadas nesta segunda fase do projecto, quais sejam formação e sensibilização dos agricultores e técnicos, bem como o fomento de uma dieta saudável.

Vai-se igualmente fazer um inquérito a nível nacional sobre os hábitos alimentares, recolher amostras biológicas, concretamente de sangue, para saber qual é a concentração, já que não existe no país um estudo sobre o impacto destes produtos na saúde.

No PERVEMAC II, além das frutas e legumes produzidos a nível nacional e importados, associou-se o vinho do Fogo, com análises de metais pesados, e no terreno.

Por outro lado, segundo o director-geral da Agricultura, Silvicultura e Pecuária (DGASP), José Teixeira, Cabo Verde assim como todos os países da CEDEAO não tem capacidade para proceder à destruição de pesticidas obsoletos, pelo que faz a sua recolha, inventaria e envia-os para a Holanda para serem destruídos.

O workshop reúne representantes das instituições sócias do Projecto PERVEMAC II , oriundas de Cabo Verde, Açores, Canárias e Madeira. A Semana/Inforpress

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