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Etiópia: PM Nobel da Paz manda tropas fazer guerra em Tigray 08 Dezembro 2020

O primeiro-ministro "reformista" Abiy Ahmed que aos 43 anos recebeu o prémio Nobel da Paz de 2019 — e discursou sobre "a guerra que faz os homens amargos, desalmados e selvagens" — está a realizar uma operação bélica na região rebelde de Tigray. Motivo: o Governo de Transição de Tigray declarado pela Casa da Federação Etíope em 7 de novembro.

Etiópia: PM Nobel da Paz manda tropas fazer guerra em Tigray

O conflito estalou em novembro, cerca de dois meses após o governo regional na província nortenha de Tigray ter levado avante a consulta popular, em 9 de setembro, contra a recomendação do governo federal. O surto pandémico em curso foi a justificativa para adiar até setembro de 2021 as eleições gerais — legislativas e eleição presidencial — previstas há dois anos para terem lugar em agosto deste ano.

A decisão do governo federal etíope — apoiado pelo partido EPRDF-Frente Democrática Revolucionária do Povo da Etiópia e contestado pelos partidos da oposição pela alegada má gestão da pandemia de Covid-19 (atualmente com 1.755 óbitos e mais de 113 mil infeções) — foi enviar tropas das províncias "etíopes" e da Amhara.

A atribuição de cargos dirigentes a funcionários do grupo étnico Amhara, à medida que as tropas conquistam partes do território Tigray, em nada contribui para solucionar o conflito armado sobre o qual há duas versões.

Uma versão dá conta de que pelo menos três centenas de civis morreram, enquanto o chefe do governo garantiu ao parlamento na última segunda-feira, que os soldados federais não mataram um único civil no conflito iniciado há um mês. Outra garantia foi que o exército federal tem instruções para não destruir a histórica Mekelle, a capital da província de Tigray.

A presidente, as dez ministras em paridade e cargos relevantes

Há dois anos, a tomada de posse da primeira presidente, e atualmente a única chefe de Estado em toda a África, coincidiu com a remodelação paritária que o primeiro-ministro "reformista", Abiy Ahmed — Nobelizado pela sua "iniciativa decisiva", "para solucionar o conflito com a Eritreia — realizou e torna a Etiópia o terceiro país em África, depois do Ruanda e Seychelles, a alcançar a "paridade de género" no governo.

Sahle-Work Zewde — então representante especial do secretário-geral das Nações Unidas e com um importante currículo de diplomata, como embaixadora em França, Djibouti, Senegal e Cabo Verde — foi escolhida por unanimidade pelos parlamentares, para substituir o quarto presidente — Mulatu Teshome, de 53 anos, que não concluiu o mandato de seis anos por motivos que nunca foram divulgados — a quem o discurso inaugural da novel presidente, de 68 anos, dirigiu elogios com o apelo ao povo "para olhar o futuro como o anteviu Mulatu Reshome".

Em 5 de outubro, a chefe de Estado etíope esteve no parlamento, em Adis Abeba, para assegurar que as próximas eleições acontecerão antes de setembro de 2021 e serão "livres e justas". Garantiu que estão a ser criadas as condições — incluindo a renovação da comissão eleitoral — para o plebiscito decorrer "em paz, estabilidade e segurança".

No mês seguinte, o conflito em Tigray compromete as afirmações da estadista.

Ministra da Defesa, ministra da Paz

Um ano depois, correm pelo globo interrogações sobre as nomeações mais importantes do governo partitário de Abiy Ahmed: as ministras da Defesa, Aisha Mohammed, e da Paz, Muferiat Kamil, responsável pela "polícia e agências de inteligência interna".

Fontes: BBC/Le Monde/CGTN. Relacionado: Etiópia elege 1ª Presidente da República, 26.out.018; Etiópia: Nobel da Paz para primeiro-ministro que solucionou conflito com Eritreia, 12.out.019. Fotos (Getty): Em Oslo o primeiro-ministro recebeu o Prémio Nobel da Paz de 2019 e discursou sobre "a guerra que faz os homens amargos, desalmados e selvagens".

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