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Eurodeputada de origem cabo-verdiana no Luxemburgo quer reforçar cooperação com Cabo Verde 09 Junho 2019

A eurodeputada Mónica Semedo, filha de imigrantes cabo-verdianos no Luxemburgo, disse hoje que tem “Cabo Verde no coração” e quer reforçar os laços com o país, no final do primeiro encontro com um membro do Governo cabo-verdiano.

Eurodeputada de origem cabo-verdiana no Luxemburgo quer reforçar cooperação com Cabo Verde

Eleita em 26 de Maio, Mónica Semedo, de 35 anos, esteve hoje reunida com o ministro de Estado e dos Assuntos Parlamentares, Elísio Freire, na Embaixada de Cabo Verde no Luxemburgo.

“N ka ta papia kriolu dretu” [não falo bem crioulo], mas tento, tenho uma boa pronúncia”, brincou a eurodeputada, explicando que com a mãe fala “uma mistura de luxemburguês, francês e algumas palavras em crioulo”, mas percebe “tudo o que ela diz”.

No final do encontro, a ex-apresentadora de televisão elogiou o arquipélago e prontificou-se a apoiar a cooperação europeia com o país.

“Cabo Verde é um país exemplar. É um país muito especial, com muita diversidade, uma mistura de África e da Europa, que eu adoro. E como nasci no Luxemburgo, que é também um país de diversidade, adoro a ligação entre os dois países e quero reforçá-la”, disse à Lusa.

A eurodeputada disse ainda que gostaria de contribuir para a integração dos jovens cabo-verdianos no país.

“Queremos fazer avançar a comunidade cabo-verdiana aqui no Luxemburgo e também os cabo-verdianos nas ilhas, sobretudo os jovens, para os ajudar a encontrar emprego e assegurar um futuro a esta sociedade”, precisou.

A eurodeputada, que trocou uma carreira como apresentadora e jornalista do canal de televisão RTL pela política, foi embaixadora da organização não-governamental Aldeias de Crianças SOS, e as visitas que fez a Cabo Verde marcaram-na.

“A viagem que fiz, ainda como jornalista, em 2007, para visitar o projecto em Santiago e São Vicente, abriu-me os olhos. Às vezes penso no que seria se a minha família tivesse ficado em Cabo Verde, não sei qual teria sido a nossa situação, mas se fosse o caso, gostaria de ter tido o mesmo apoio”, contou, frisando que o país também beneficia da cooperação luxemburguesa.

Segundo a mesma fonte, a mãe de Mónica Semedo, chegada ao Luxemburgo no início da década de 1970, esteve com ela na sede do Partido Liberal (DP) na noite das eleições europeias de Maio passado, e ficou orgulhosa com a filha, a eurodeputada garante que é recíproco.

“Eu estou ainda mais orgulhosa da minha mãe, porque ela conseguiu criar cinco crianças sozinha, após a morte do meu pai”, quando tinha nove anos, disse à Lusa.

“Apesar de a vida como empregada de limpeza ser muito dura, com cinco filhos, ela nunca disse ‘não aguento mais’, disse sempre ‘ok, é preciso continuar’, e trabalhou noite e dia. A minha mãe é o meu ídolo”, afirmou.

A eleição foi motivo de “muito orgulho” para Cabo Verde, disse à Lusa o ministro Elísio Freire, considerando que é “um símbolo da verdadeira integração dos cabo-verdianos no Luxemburgo mas também na Europa”.

“Temos uma parceria especial com a União Europeia, e termos uma eurodeputada com origem em Cabo Verde dá naturalmente mais força a essa parceria”, afirmou.

O ministro elogiou ainda o Grão-Ducado, “um país aberto e tolerante”, considerando que “tem sido um grande parceiro” e que “é um país especial para Cabo Verde”.

“Há um programa muito forte com o Luxemburgo na área da formação profissional, da educação e do desenvolvimento local, que nós queremos reforçar”, explicou.

Mónica Semedo nasceu no Grão-Ducado em 1984, filha de imigrantes cabo-verdianos de Santa Catarina, na ilha de Santiago.

A mais nova de cinco irmãs, participou num concurso de escolas com três anos, gravando um disco, e começou a apresentar um programa infantil no canal de televisão RTL com 12 anos.

Com dois anos, ela e as irmãs foram colocadas num lar para crianças, onde acabariam por ficar durante cinco anos, por razões familiares de que prefere não falar.

“O importante é que a minha mãe lutou por nós e conseguiu criar-nos sozinha, e é por isso que a admiro”, disse.

O pai, professor em Cabo Verde, trabalhou nas obras no Luxemburgo e morreu num acidente de viação quando Mónica Semedo tinha nove anos.

Depois de falhar a eleição para o Parlamento luxemburguês nas últimas legislativas, em Outubro, Semedo, licenciada em Ciências Políticas pela Universidade de Trier, na Alemanha, foi a segunda eurodeputada eleita pelo DP, o partido do primeiro-ministro Xavier Bettel, refere a Lusa.

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