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Rumo à Eurovisão da Canção com ’Love is on My Side’ — "Vergonha Portugal ser representado por uma música em inglês!" 15 Mar�o 2021

A banda The Black Mamba venceu, na semana passada, a 55.ª edição do Festival RTP da Canção que elege o representante português na Eurovisão. É a primeira vez que uma canção em outra língua que não o português, ’Love is on My Sid’ , é escolhida para representar Portugal no festival europeu que há mais de 60 anos se define como o palco mundial da diversidade europeia. A final da 65ª edição do "Eurovision" terá lugar em Roterdão virtualmente, em 16 de maio.

Rumo à Eurovisão da Canção com ’Love is on My Side’ —

A votação final na 55.ª edição do Festival RTP da Canção deu o ex-aequo, 20 pontos, aos The Black Mamba e à concorrente Carolina Deslandes. O grupo recebeu a segunda melhor votação do público e igualmente do júri. A cantora, com a música "Por um triz", foi com 12 pontos a escolhida do júri nacional, que juntou os votos das sete regiões do país.

Mas, segundo as regras, em caso de empate, prevalece a votação do público, que deu 12 pontos ao "Dancing in the stars", de Neev (Bernardo Neves), 10 pontos aos Black Mamba e 08 pontos a Carolina Deslandes.

Devia o Festival RTP da Canção ter uma regra sobre a língua portuguesa?

No rescaldo da vitória do tema em inglês, surgem vozes a questionar se o português não devia ser obrigatório. Uma das vozes indignadas que se expressa neste sentido é a personalidade televisiva Luísa Castelo-Branco.

"Não sei nem interessa se esta canção que ganhou o Festival é boa ou má. A minha pergunta e o meu espanto é saber como é possível Portugal ser representado por uma música em inglês!", diz acremente. Mas a verdade é que cada vez mais cresce o número de países a cantar em inglês. As únicas duas exceções eram até agora Portugal e a Itália.

É nessa linha, cada vez mais tendência europeia, de internacionalizar a música nacional cantando-a na língua mais internacional, que surgem portugueses a descartar a exclusividade da música em português.

Uma internauta expressa: "E o que é que tem se a música que ganhou é cantada em inglês? Ou a maioria dos portugueses não têm os seus cantores favoritos e que cantam em inglês? O importante é a música".

A questão da língua nacional na Eurovisão, enquanto marca da diversidade na Europa, tem tido embates com a universalidade da música e ou o uso do inglês como língua internacional. Um tema a que voltaremos.

Muitos dos 40-50 países que têm participado no festival europeu (que nasceu como Grand Prix Eurovision de la Chanson Européenne/Eurovision Song Contest Grand Prix in English têm neste milénio vindo a cantar letras em inglês e não na língua do seu país. Aliás as estatísticas de 65 anos mostram que as canções mais vitoriosas têm sido as cantadas em inglês, com 46,3%. O francês vem em segundo com 20,9%.

A escolha do inglês tem sido predominante, a partir de 1990, entre os países da ex-esfera URSS: os três bálticos bálticos, os treze eslavos (R.Checa, Eslovénia, Roménia, Croátia, Sérvia, Bosnia-Herzegovina, Macedónia, Polónia, Montenegro, Bulgária, Bielorússia, Rússia, Ucrânia). Mas também entre os que têm o inglês como língua-segunda ou co-oficial (Irlanda, Malta).

E quem não conhece os suecos ABBA, que no turbulento 1974 arrebataram o título, ao decidirem cantar em inglês e não em sueco porque o país anfitrião também mudou (em vez do Luxemburgo, a Inglaterra), uma decisão de última hora?

Diversidade e liberdade de expressão. Sob a etiqueta da "diversidade" têm surgido outros debates como o de há dois anos, em torno do "atentado à liberdade de expressão", como foi criticada a censura na TV chinesa ao filme sobre Freddie Mercury (Política acusada de interferir na arte — Caso dos Óscares, da Eurovisão, da TV da China a censurar Oscarizado Rami ’Freddie Mercury’ Malek, 01.mar.019).

"Alma bem portuguesa", Tatanka dos The Black Mamba

A web-esfera pergunta se o vocalista do grupo vencedor, e também autor-compositor do tema, "escolheu o inglês por não saber português". Tatanka é o pseudónimo de Pedro Taborda nascido em Sintra em 1986. Revelou tal interesse precoce pela música que levou os pais a inscrevê-lo em aulas de música. Aos dez anos deu o seu primeiro concerto em público, com grande sucesso.

Aos doze anos, viu que estava sozinho nesse mundo da música: os amigos estavam afinal no surf e futebol. Seguindo-os mudou para esses desportos.

Em 2010, de regresso à primeira paixão, forma com Ciro Cruz e Miguel Casais a banda The Black Mamba.

Juntam-se ao grupo músicos muito experientes, embora alguns ainda na casa dos vinte anos, como a alentejana Aurea (nome artístico da nascida Áurea) cantora de soul, o lisboeta reggae-man Richie Campbell (Ricardo Ventura da Costa), os brasileiros Ed Motta, Gabriel o Pensador, Banda Black Rio.

O sucesso nacional e internacional destes artistas que se movem no universo dos blues, da soul e do funk levam-nos aos palcos do mundo. A internacionalização é facilitada pelo uso do inglês e a gestão da carreira é sediada em Nova Iorque.

O nome do grupo, dizem os três fundadores, foi inspirado pela analogia entre o seu som contagiante, "que hipnotiza e captura como uma mamba-negra", a serpente.

Em 2016, em paralelo com a banda, Tatanka iniciou uma carreira a solo. Define-a como "num registo mais pessoal", de "regresso às raízes" para "contar histórias e apresentar temas originais em português", como disse por ocasião do lançamento do álbum de estreia, "Pouco Barulho", em 2019.

1ª vez que Lisboa foi sede, com vitória em 2017

Em 2017, Salvador Sobral foi o primeiro português a vencer a Eurovisão com o tema "Amar pelos Dois", uma composição da irmã, Luísa Sobral.

Lisboa sediou pela primeira vez o festival europeu em 2018, de acordo com as regras do concurso.

Fonte: RTP. Foto: The Black Mamba — os portugueses Tatanka, Áurea, Ciro Cruz, Miguel Casais e Richie Campbell, os brasileiros Ed Motta, Gabriel o Pensador, Banda Black Rio — vencem a 55ª final do ’Festival RTP da Canção’ rumo à Eurovisão — onde Portugal já esteve representado pelos caboverdiano-descendentes Sara Tavares e Tó Cruz nos anos de 1990. Os oito vitoriosos dividem agora Portugal porque "vão" a Roterdão com uma canção em inglês.

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