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Ex-Campo de concentração do Tarrafal na ilha de Santiago com apoio luso à candidatura a Património Mundial 19 Novembro 2019

O Instituto do Património Cultural (IPC) cabo-verdiano está a ultimar, com a Direcção-geral do Património Cultural de Portugal, o apoio ao projeto de candidatura do antigo Campo de Concentração do Tarrafal da ilha de Santiago, a Património Mundial da Humanidade.

Ex-Campo de concentração do Tarrafal na ilha de Santiago com apoio luso à candidatura a Património Mundial

Esta informação consta de uma nota publicada esta segunda-feira, 18, pelo IPC, na sequência da visita a Portugal, na semana passada, do presidente do Instituto cabo-verdiano, Hamilton Jair Fernandes, no âmbito da cooperação técnica, já existente entre as duas instituições.

Acompanhado por Paula Silva, da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), o responsável cabo-verdiano visitou o Museu Nacional Resistência e Liberdade, exemplo que Cabo Verde pretende aproveitar.

Este museu nasceu do reconhecimento da Fortaleza de Peniche, enquanto espaço-memória e símbolo da luta pela liberdade em Portugal e da resistência à ditadura do Estado Novo, tal como a transformação feita no antigo campo do Tarrafal, Cabo Verde, que passou a Museu da Resistência.

"Histórias e memórias que se cruzam e que vai unir uma vez mais estes dois espaços, agora pelo conhecimento e preservação da memória histórica para as futuras gerações. É neste sentido que o IPC e a DGPC pretendem assinar um acordo de parceria para formalizar um acordo já existente", lê-se na nota.

Conforme escreve a Lusa, o documento acrescenta que o “futuro acordo de parceria”, em negociação entre o IPC e DGPC, visa a capacitação técnica em áreas, designadamente a museologia e gestão de museus, assistência técnica e intercâmbio entre técnicos das duas estruturas, além de mobilização de financiamentos. Assim, o ex-Campo de Concentração do Tarrafal da ilha de Santiago terá apoio técnico e científico ao projeto de candidatura a Património Mundial.

Situado na localidade de Chão Bom, esta infraestrutura foi construída no ano de 1936 e recebeu os primeiros presos em 29 de Outubro do mesmo ano, tendo funcionado até 1956. Reabriu em 1962, com o nome de "Campo de Trabalho de Chão Bom", destinado a encarcerar os anticolonialistas de Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde. Após a sua desativação, o complexo funcionou como centro de instrução militar e desde 2000 alberga o Museu da Resistência.

O levantamento para o concurso público da empreitada de reabilitação recorda que o espaço ficou "gravado na memória" dos portugueses, angolanos, guineenses e cabo-verdianos como o "campo da morte lenta" ou "da morte".
O espaço foi classificado Património Cultural Nacional através da Resolução nº 33/2006, de 14 de agosto e desde 2004 que integra a lista indicativa de Cabo Verde a património da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Ao todo, foram presas neste “campo da morte lenta” mais de 500 pessoas: 340 antifascistas e 230 anticolonialistas.

Já em 2018, o Museu da Resistência (antigo Campo de Concentração do Tarrafal) foi o museu cabo-verdiano mais visitado, com 9.000 visitantes. “Vai receber obras de reabilitação de quase 320 mil euros, segundo o concurso público lançado no final de Outubro, precisamente 83 anos depois da sua abertura.

Segundo o edital da Infraestruturas de Cabo Verde, a obra visa a reabilitar integralmente, o antigo campo de concentração, empreitada inserida no Plano Nacional de Reabilitação de Edifícios Históricos e Religiosos, traçado pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas. O concurso foi lançado quando passam 83 anos (29 de Outubro de 1936) da chegada de 152 presos políticos ao Tarrafal.

Refira-se que o concurso público para a obra decorre até 05 de Dezembro deste corrente ano, devendo a intervenção não exceder os oito meses e o preço base de até 35 milhões de escudos (quase 320 mil euros).

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