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Ex-banqueiro em fuga detido na África do Sul — Esposa interrogada após detenção indicou endereço 11 Dezembro 2021

O ex-presidente do BPP-Banco Privado Português, João Rendeiro, sobre quem pendia um alerta Interpol, foi detido em Durban, África do Sul, segundo a PJ confirmou à SIC Notícias este sábado. Questionado sobre quando irá o capturado ser extraditado para Portugal, a fonte afirmou que "isso agora compete às autoridades judiciais da República da África do Sul".

Ex-banqueiro em fuga detido na África do Sul  — Esposa interrogada após detenção indicou endereço

O ex-banqueiro João Rendeiro, de 69 anos, fugiu "em meados de setembro" e foi condenado no final de setembro a três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por burla qualificada, falsificação de documentos e falsidade informática.

A fuga "para fora da Europa" deu-se a partir da Inglaterra em jato privado, para não ter de cumprir uma primeira pena de cinco anos e meio de prisão, três e meia de pena efetiva. Ouvida em tribunal em 4 de novembro, Maria de Jesus Rendeiro disse que o marido estava na África do Sul e assegurou que falava com ele "todos os dias".

O colapso do BPP, banco vocacionado para a gestão de fortunas, aconteceu em 2010, já depois do caso BPN e antes de outros escândalos na banca portuguesa.

"Legítima defesa". Num artigo publicado no seu blogue Arma Crítica, João Rendeiro diz-se injustiçado e vai recorrer a instâncias internacionais. Escreveu ainda que pediu ao seu advogado para comunicar a decisão à justiça portuguesa.

A fuga de João Rendeiro — que se diz o "bode expiatório de uma vontade de punir os que, afinal, não foram punidos" — levou ao agravamento das medidas de coação dos ex-administradores do BPP: Salvador Fezas Vital e Fernando Lima, também condenados a penas de prisão, ficaram proibidos de se ausentarem para o estrangeiro.

O BPP originou vários processos judiciais, envolvendo crimes de burla qualificada, assim outro um processo relacionado com multas aplicadas pelas autoridades de supervisão bancárias.

Obras de arte vendidas substituídas por falsificações

Maria de Jesus Rendeiro — casada há 49 anos com João Rendeiro, que dela diz que é uma ’mulher extraordinária’ — está indiciada pelos crimes de desobediência, descaminho, branqueamento de capitais e de falsificação de documento, e desde o início de novembro encontra-se em prisão domiciliária com pulseira eletrónica.

A decisão judicial — que inclui vigilância da polícia 24 sobre 24 horas à moradia da Quinta Patino, em Cascais, na Grande Lisboa — aconteceu na sequência do alerta da PJ de que quinze, das cento e vinte e quatro, obras de arte arrestadas, e deixadas à guarda da esposa, tinham sido vendidas e substituídas por falsificações.

"Sou um poderoso fraco. Só volto com indulto do presidente"

Em entrevista à CNN há duas semanas, João Rendeiro repetiu que está a ser vítima de injustiça. "Saí para poder lutar pela minha inocência", até se for preciso "junto de instâncias internacionais". Ou então "só volto com indulto do presidente".

Internacional foi a polícia que o capturou e o entregou à justiça da África do Sul.
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Fontes: SIC/RTP/CNN. Fotos: João Rendeiro detido na África do Sul. João e Maria juntos desde a adolescência na província rumaram a Lisboa, lutaram — durante anos, só ela trabalhava enquanto ele estudava — e obtiveram sucesso na capital. Mas quase meio século depois de "um casamento feliz" (sem filhos), , Maria de Jesus bem pode rezar pela proteção do maior dos santos: está a braços com a Justiça desde que o marido foi dado como fugitivo no alerta da Interpol. Cercada, ela até dormiu já numa cela na noite de 3 para 4-11.

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