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Ex-líder militar timorense ainda não decidiu se é candidato à liderança da Fretilin 31 Agosto 2022

O ex-comandante das forças armadas timorenses e militante da Fretilin, Lere Anan Timur, disse hoje que ainda não decidiu se será candidato à liderança do partido no congresso de setembro, que considerou “crucial” para consolidar a força política.

Ex-líder militar timorense ainda não decidiu se é candidato à liderança da Fretilin

“Eu não decidi ainda se avanço ou não, mas tenho que ter consenso com o irmão Mari e Lú-Olo porque somos a força deste partido. O partido Fretilin é um partido histórico e sagrado que não é de nenhum de nós”, disse em entrevista à Lusa.

“No congresso temos que ter um consenso, para não baralhar e criar confusão. Possivelmente, a minha tendência é ver como posso estabilizar o partido, é ver como estabilizar o congresso e fazer mudanças para consolidar o partido”, explicou.

Lere Anan Timur falava à Lusa em jeito de antecipação do Congresso Nacional da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) que decorre em Díli entre 08 e 10 de setembro e durante o qual serão eleitos os novos presidente e secretário-geral, além de outros quadros partidários.

Já confirmada está a candidatura dos atuais dois responsáveis, o presidente, Francisco Guterres Lú-Olo, e o secretário-geral, Mari Alkatiri, mas continua a haver dúvidas sobre outras eventuais candidaturas.

Inicialmente estava prevista a apresentação de um ‘pacote’ alternativo, com o deputado José Somotxo candidato a presidente e o ex-primeiro-ministro Rui Araújo candidato a secretário-geral, mas alguns militantes admitem que Lere Anan Timur poderia substituir Somotxo nessa lista.

A questão ainda está em aberto com divergências de interpretação sobre se Lere Anan Timur – que esteve formalmente afastado da máquina do partido durante a sua vida militar – cumpre ou não os requisitos estatutários para se candidatar.

Lere Anan Timur vinca a sua ligação histórica ao partido, de que diz ser militante desde a sua fundação, alude à sua integração do Comité Central da Fretilin na década de 80, mas é mais vago sobre exatamente se vai ou não tentar avançar para a candidatura.

Insiste que há descontentamento nas fileiras do partido, que há “vontade de mudança”, mas questiona: “será que se avançar um pacote ou outro, eu com o Rui ou o Somotxo com o Rui, será que nós vamos conseguir resolver o problema do partido, ou vamos agudizar mais a situação no partido?”.

“Eu sou da Fretilin, vivo a realidade da Fretilin, a Fretilin não é do Lere, do Mari ou do Lú-Olo. É dos órfãos das viúvas, dos que sofreram e dos que já não estão connosco. Nós estamos apenas aqui para orientar os que estão vivos, indo pelo caminho que os antepassados, os tombados iniciaram pela causa justa”, afirmou.

“Como um dos componentes desta organização política, tenho este dever moral e política de procurar que o congresso decorra dentro de um ambiente amistoso, de harmonia”, disse.

“Há descontentamento dentro, no seio da Fretilin, dos delegados e militantes. Querem uma mudança. O irmão Mari é fundador do partido, além de outros, mas é fundador, não podemos negar isso. É fundador, é pai e pai é sempre pai. Mão se muda de pai. Sinto-me honrado estar junto com um fundador que é o irmão Mari”, afirmou.

Lere Anan Timur considerou que mais do que só a questão da liderança, o Congresso deve servir para debater a sério a situação atual do partido e o futuro, cumprindo a “responsabilidade moral e política” de gerir um partido que “é histórico, é sagrado”.

“As pessoas perguntam: porque é que a Fretilin ganha e não governa, e se governa não vai até ao fim. Porque é que o Lú-Olo chumbou várias vezes, ou o Mari como primeiro-ministro não completou os mandatos? Esta é a questão. Vamos discutir no Congresso”, disse.

“Temos de ver como lidamos com os inimigos. A liderança é o fator determinante dentro de qualquer organização. Não é só tirar o Mari ou o Lú-Olo que se resolve o problema. O partido tem a responsabilidade de lidar com todos os líderes. Temos que ser abertos com todos os líderes, procurar consensos e alternativas para o destino da nação e do nosso povo”, vincou.

Ao mesmo tempo, disse, o partido deve encontrar formas de abraçar “muitos que saíram da Fretilin e pretendem regressar, que saíram por algumas atitudes de alguns lideres, saíram descontentes”.

“Como abraçar esta gente que quer voltar? Como lidar com as divergências. Vou à Fretilin não é para dividir, é para consolidar”, disse.

“Os próximos cinco anos são cruciais. O meu papel e dever é lidar com todos, principalmente o comando da luta, que ainda estão vivos. Temos esta grande responsabilidade”, disse.

Aos militantes e quadros do partido, Lere Anan Timur renova a mensagem de que é necessário “decidir sobre o destino do próprio partido e da nação”, procurando garantir que os objetivos da luta se cumprem.

“A independência não é um fim, é um meio. Com a independência somos livres, mas se somos independentes a passar fome, na pobreza, então a independência não tem valor”, disse.

A Semana com Lusa

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