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Ex-presidente do parlamento são-tomense diz que assalto ao quartel foi "montagem" para o acusar 30 Novembro 2022

O ex-presidente do parlamento são-tomense Delfim Neves afirmou hoje que o assalto ao quartel-general militar, na sexta-feira, foi “uma montagem” para o acusar e pediu a intervenção da comunidade internacional perante “a perseguição para aniquilação física” de opositores políticos.

Ex-presidente do parlamento são-tomense diz que assalto ao quartel foi

Isso foi uma montagem apenas para acusar Delfim Neves e supostamente Arlécio Costa”, declarou Delfim Neves, que foi libertado na terça-feira, com termo de identidade e residência e obrigatoriedade de apresentação periódica às autoridades, depois de ter sido preso pelos militares, ao início da manhã de sexta-feira, por alegadamente ter sido identificado como um dos mandantes do ataque.

“Quero apelar à população para estar atenta. (…) Se não houver uma forma de travar esta onda de ações maquiavélicas, garanto-vos que não vamos parar por aqui. As próximas vítimas que neste momento ainda continuam na lista vão desaparecer sem rasto”, afirmou, numa conferência de imprensa.

Quatro pessoas morreram, em circunstâncias que estão sob investigação, e 16, incluindo 12 militares, foram detidas após o ataque de sexta-feira a um quartel militar em São Tomé e Príncipe, numa ação classificada como “tentativa de golpe de Estado” pelas autoridades são-tomenses e condenada pela comunidade internacional.

Entre os mortos está o antigo oficial do ‘batalhão Búfalo’ Arlécio Costa, condenado em 2009 por tentativa de golpe de Estado, e apontado como suspeito de ser um dos mandantes do ataque juntamente com o ex-presidente da Assembleia Nacional Delfim Neves – ambos detidos pelos militares nas suas respetivas casas.

Nas suas declarações de hoje à imprensa, Delfim Neves criticou: “Mataram a prova viva”, afirmando esperar que “a comunidade internacional entenda e faça qualquer coisa rapidamente”.

“O que está a acontecer no nosso país é uma perseguição de aniquilação física das pessoas que podem incomodar politicamente. E eu sou uma delas. Não estou tranquilo porque se a estratégia falhou, por alguma razão, então vão ao plano B, C ou D”, comentou.

“Quando vem um dirigente do Estado dizer que é uma tentativa de golpe de Estado e fala dos nomes mais conhecidos, ninguém vai falar noutra coisa”, acrescentou, referindo-se à conferência de imprensa do primeiro-ministro, Patrice Trovoada, que na manhã de sexta-feira anunciou que o ataque tinha sido uma tentativa de golpe de Estado e adiantou que estavam já detidos Delfim Neves e Arlécio Costa.

Essa narrativa continuou e as pessoas dizem que “Delfim Neves tem de ser morto como se fosse alguém que estivesse a incomodar demais”, prosseguiu.

Eu nunca incomodei ninguém”, disse.

Delfim Neves afirmou a sua inocência e insistiu numa investigação independente, acusando o Ministério Público de não ter autonomia face ao poder político.

Que a investigação seja feita de forma profunda. A minha inocência, dentro da minha consciência, está provada. É preciso que haja investigação independente. O problema é o poder político com mão metida no sistema da justiça, sobretudo na investigação, é o grande risco”, sublinhou.

Aos são-tomenses, transmitiu uma mensagem: “Esqueçam esse preconceito que Delfim Neves é a peça maldosa da sociedade que tem de ser aniquilada. Todos temos família”.

Delfim Neves advertiu que desistirá da política, “se isto é a atual prática de fazer política, com este atual poder”.

Jamais entrarei na política suja de São Tomé e Príncipe”, declarou.

Três dos quatro atacantes e Arlécio Costa morreram na sexta-feira e imagens dos homens com marcas de agressão, ensanguentados e com as mãos amarradas atrás das costas, ainda com vida e também já na morgue, foram amplamente divulgadas nas redes sociais. Alguns vídeos mostram Arlécio Costa no chão, de mãos presas, a ser agredido com um pau.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, brigadeiro Olinto Paquete, afirmou no domingo que os três assaltantes morreram na sequência de uma explosão quando os militares procuravam libertar o refém e Arlécio Costa porque se “atirou da viatura”.

Delfim Neves, eleito nas legislativas de outubro de 2018 pelo Partido de Convergência Democrática (PCD), presidiu ao parlamento são-tomense no anterior mandato, que terminou com a vitória da Ação Democrática Independente (ADI) com maioria absoluta nas eleições de setembro passado.

Nestas legislativas, foi eleito deputado, juntamente com o ex-secretário-geral da ADI Levy Nazaré, pelo movimento Basta, criado em junho do ano passado. Atualmente tem o mandato suspenso.

Delfim Neves também concorreu às presidenciais de 2021, tendo ficado colocado em terceiro lugar na primeira volta, resultado que contestou alegando ter ocorrido uma fraude “maciça”. A Semana com Lusa

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