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FAO assinala o “Dia Mundial da Alimentação”, com mensagens de apelo para a luta contra a fome e a obesidade 14 Outubro 2018

“Nossas ações são o nosso futuro” é a mensagem que Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) lança, em comemoração do “Dia Mundial da Alimentação” , que se assinala a 16 de Outubro. Para esta entidade internacional, é hora de cada cidadão renovar o seu compromisso e, ainda mais importante, o apoio político para um mundo sustentável sem fome e sem todas as formas de desnutrição. Apelou ainda para uma luta contra a obesidade (ver foto do homem mais gordo do mundo), que é actualmente “uma epidemia avassaladora”.

FAO assinala o “Dia Mundial da Alimentação”, com mensagens de apelo para  a luta contra a fome e a obesidade

Segundo o Diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, José Graziano da Silva, este ano o “Dia Mundial da Alimentação” tem como objetivo lembrar a comunidade internacional de seu compromisso político fundamental para a humanidade - a erradicação de todas as formas de desnutrição - e aumentar a consciência de que alcançar um mundo “Fome Zero em 2030” (daqui a 12 anos) ainda é possível, destacando a experiência do Brasil, como um bom exemplo a ter em mente.

Conforme a mesma entidade, estima-se que a fome no Brasil foi reduzida de 10,6% do total da população (cerca de 19 milhões de pessoas), no início da década de 2000 para menos de 2,5% no triénio 2008-2010, que é o valor mínimo, no qual, a FAO pode fazer inferência estatística significativa. “Esta redução do número de pessoas subnutridas deveu-se ao compromisso firme do ex-presidente Lula e da implementação de políticas públicas e programas de proteção social que abordam a extrema pobreza e os impactos de secas prolongadas na parte nordeste do país”.

821 milhões passam fome e Agenda 2030

Estudos realizados pela FAO mostram que, paradoxalmente, a fome global só tem crescido desde então. De acordo com as últimas estimativas, o número de pessoas sub-nutridas no mundo aumentou em 2017, pelo terceiro ano consecutivo. Só no ano passado, cerca de 821 milhões de pessoas sofreram de fome (11% da população mundial - um em cada nove pessoas no planeta), sendo a maioria delas, agricultores familiares e de subsistência que vivem em áreas rurais pobres da África Subsaariana e no Sudeste Asiático.

“No entanto, a taxa crescente de pessoas subnutridas não é o único grande desafio que o mundo enfrenta. Outras formas de desnutrição também aumentaram. Em 2017, pelo menos 1,5 bilhão de pessoas sofriam de deficiências de micronutrientes que prejudicam a sua saúde e vida, ao mesmo tempo, a proporção de obesidade adulta continua aumentando a cada ano, de 11,7% em 2012 para 13,3% em 2016 (ou 672,3 milhões de pessoas)”, revela a fonte deste jornal.

Ressalta-se que, em Setembro de 2015, todos os Estados Membros das Nações Unidas aprovaram a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. A erradicação da fome e todas as formas de desnutrição (Desenvolvimento Sustentável Objetivo número 2) foi definido pelos líderes mundiais como um objectivo fundamental da Agenda, uma condição “sine qua non” para um mundo mais seguro, mais justo e mais pacífico.

Para o responsável da FAO, os governos têm o papel fundamental na consecução “Fome Zero”, garantindo que as pessoas vulneráveis tenham renda suficiente para comprar a comida de que necessitam, ou os meios para produzi-lo para si - mesmo em tempos de conflito.

“A fome é essencialmente circunscrito em áreas específicas, nomeadamente as zonas devastadas por conflitos, secas e pobreza extrema. Os líderes mundiais têm que ter em mente que o conceito do “Fome Zero” é mais amplo e não se limita à luta contra a desnutrição. Tem como objectivo proporcionar às pessoas com os nutrientes necessários para uma vida saudável. “Fome Zero” engloba a erradicação de todas as formas de desnutrição”, recomenda.

Taxa de obesidade em crescimento

A crescente taxa de obesidade a nível mundial é também outra preocupação da FAO. A organização recomenda às nações, no sentido de tratarem a obesidade como uma questão pública, e não como um problema individual. Para isso, propõe que adoptem uma abordagem multissetorial que envolve, não apenas governos, mas também organizações internacionais, instituições nacionais, organizações da sociedade civil, do sector privado e cidadãos em geral.

“Deve ser um esforço coletivo no sentido de dietas saudáveis que incluam, por exemplo, a criação de normas (como a rotulagem e a proibição de alguns ingredientes prejudiciais), a introdução de nutrição no currículo escolar, a adopção de métodos para evitar a perda de alimentos e resíduos e o estabelecimento de acordos comerciais que não dificultem o acesso a alimentos cultivados localmente, frescos e nutritivos da agricultura familiar”, aconselha José Graziano da Silva.

Com base nos dados divulgados pela FAO, as taxas de obesidade estão subindo mais rápido em África do que qualquer outra região. Pelo menos, o seu relatório indica que oito dos 20 países do mundo, com o mais rápido aumento das taxas de obesidade adulta, estão no continente africano.

A mesma fonte acrescenta ainda, que, o excesso de peso na infância afectou 38 milhões de crianças menores de cinco anos de idade, em 2017, sendo 46% delas vivem na Ásia, enquanto 25% vivem na África.

“Se não agirmos urgentemente para deter as taxas de obesidade crescentes, em breve podemos ter mais obesos do que pessoas subnutridas no mundo. Aliás, a taxa de crescimento da obesidade está acontecendo em um enorme custo sócio-económico e é considerado como um factor de risco para muitas doenças não transmissíveis, como as doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, diabetes e alguns tipos de cancro”, anuncia.

As estimativas concluem que o impacto económico global da obesidade é de cerca de dois trilhões de dólares por ano (2,8% do PIB global), isso é equivalente aos impactos do tabagismo ou conflitos armados.

De salientar, que a FAO comemora o “Dia Mundial da Alimentação” em 16 de Outubro de cada ano. Esta organização foi fundada em 1945. Os eventos são organizados em mais de 150 países em todo o mundo, tornando-se um dos dias mais celebrados no calendário da Organização das Nações Unidas (ONU). “Todos os eventos programados e realizados poe esta ocasião, promovem conscientização e acção global para aqueles que sofrem com a fome e a necessidade de garantir a segurança alimentar e dietas nutritivas para todos. Celso Lobo

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