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Caso de quebra excecional de produção de alimentos em Cabo Verde: FAO diz que dados do relatório de avaliação da seca e do mau ano agrícola “estão desatualizados” 13 Junho 2018

O escritório regional da FAO em Cabo Verde esclareceu hoje,quarta-feira, 13, que os dados do relatório que indicam que Cabo Verde necessita de ajuda alimentar “estão desatualizados” e que os mesmos são projeções decorrentes da avaliação referente a 2017. Apesar desse esclarecimentos da FAO, a situação é grave no meio rural - basta ouvir os agricultores e criadores de gado que se encontram sem água para o cultivo e o rendimento para compra de rações para os seus animais.

Caso de quebra excecional de produção de alimentos em Cabo Verde: FAO diz que dados do relatório de avaliação da seca e do mau ano agrícola “estão desatualizados”

Este esclarecimento vem a propósito de notícias veiculadas na comunicação social sobre o relatório da organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que inclui Cabo Verde na lista de países em situação de emergência alimentar.

“Os números anunciados foram estimados na base da avaliação da seca e do mau ano agrícola feitas no âmbito do Comité Inter-Estados de Luta contra a Seca no Sahel (CILSS)”, refere a organização em comunicado de imprensa.

Segundo a Inforpress, o documento esclarece ainda que os números avançam que devido a esses dados climáticos desfavoráveis, se nada fosse feito para reverter esta situação, cerca de 192 mil pessoas poderiam ficar em situação de vulnerabilidade durante o período de transição de março a maio de 2018.

A FAO realçou os trabalhos que Cabo Verde vem desenvolvendo para ultrapassar os problemas causados pela seca e mau ano agrícola, conforme o comunicado, afirmando, que Governo reagiu bem cedo para antecipar esta situação elaborando um programa de emergência que assentam em três pilares.

“Graças e esses recursos, ações de salvamento do gado, mobilização de água e criação de emprego estão a ser bem implementadas no país visando garantir a segurança alimentar das populações vulneráveis e melhorar as suas condições de vida”, lê-se no documento.

Relatório da FAO e grave situação no campo

A lista divulgada pela FAO no passado dia 07 de junho, anunciava que perfazem agora 39 países, mais dois do que em março, com a entrada de Cabo Verde e Senegal.

O relatório indica que Cabo Verde é colocado entre os países com “quebra excecional de produção de alimentos e significativa perda” de cabeças de gado devido a seca e ao fraco ano agrícola de 2017.

A FAO estima em 192 mil (35% da população), o número de pessoas a necessitar de assistência alimentar entre março e maio, sobretudo devido aos défices de produção agrícola e pecuária.

Entretanto, apesar dos esclarecimentos da FAO, a situação é grave no meio rural - basta ouvir os agricultores e criadores de gado. Conforme apurou este diário digital no terreno, o programa de mitigação dos efeitos da seca está a ter pouco ou nulo efeito no campo. Há sítios, como no centro sul de São Filipe do Fogo, em agricultores de regadio estão sete meses sem água, perdendo toda a produção. Tudo por incúria do Ministério da Agricultura e Ambiente. Este cenário repte-se nas várias outras ilhas de vocação agrícola do país.

Ou seja, o governo de Ulisses Correia e Silva precisa urgentemente de encontrar, tal como prometeu na campanha, uma solução rápida para a drástica situação por que passam essas famílias no meio rural - muitos carecem de emprego e rendimento para o seu sustento e dos animais. Foto: Imagem da seca anterior com cabras do Porto Novo. C/Inforpress

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