OPINIÃO

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Fábula: Asinino da Escolástica morto por indecisão 03 Abril 2019

Aqui ... o problema. O burro vira a cabeça para a ração, vira a cabeça para a selha de água. Por onde começar? A sede é ardente, a fome canina. Torna o burro a virar a cabeça para a ração e depois para a selha de água. A sede aperta, a fome atanaza.

Fábula: Asinino da Escolástica morto por indecisão

A indecisão mata?

Entre duas boas opções, muitas vezes de importância vital, há quem, indeciso por medo de perder uma, acabe sem nenhuma.

O burro do título não é invenção daqui. Vem do fundo dos tempos e acabou com feição escolástica quando teria servido ilustrativamente a um certo Buridan, condicional aqui porque certezas não há.

O burro chegou estafado duma longa viagem, ajoujado sob o peso da carga.
Morria de fome e de sede. À sua frente colocaram-lhe a ração de aveia e a selha de água.

Aqui surge o problema. O burro vira a cabeça para a ração, vira a cabeça para a selha de água. Por onde começar? A sede é ardente, a fome canina.

Torna o burro a virar a cabeça para a ração e depois para a selha de água. A sede aperta, a fome atanaza.

Acaba mal o burro: sem beber nem comer morre de sede e de fome.

A liberdade da indiferença

Acaba mal o homem colocado ante o mesmo problema que o burro?

A conceção ‘otimista’ do homem da Escolástica diz que, este, livre de escolher decide que, entre duas necessidades básicas, em vez de optar tem de as articular. Ao contrário do burro, o homem sabe que não tem de escolher, que tudo está previamente determinado, o que o leva a uma solução.

A conceção ‘pessimista’ de Spinoza diz que, este, livre de escolher hesita entre duas necessidades básicas, tal como o asinino da Escolástica, que afinal serve para enaltecer o homem. Spinoza defende que o homem não consegue decidir-se.

Acaba mal o homem espinoziano que, colocado diante do prato e do copo, dá ao problema a mesma solução que o burro.

O povo, que no fim é o mexilhão que se lixa, ali e aqui, devia fazer duas perguntas: Qual dos dois filósofos tem razão? E agora quem faria melhor: o das competências autênticas ou o populista do show’-off?

Foto (NASA sobre ‘cartoon’ Toon Pool): Equilibrista teria melhor opção?

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