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"Facebook prefere lucro à segurança" e deu gás à invasão do Congresso, delata diretora Haugen 04 Outubro 2021

A denúncia, apoiada por "dezenas de milhares de documentos confidenciais" sobre atos do Facebook contra "a democracia americana", já tem um rosto: Francis Haugen assumiu em entrevista na noite de domingo, 3, ser a delatora que expôs a "falência moral" da tecnológica. A então diretora de produto da Facebook enviou "pelo menos oito queixas" à entidade reguladora SEC "a expor as mentiras aos acionistas e o incentivo à invasão do Congresso em 6 de janeiro".

’O que era do interesse público perdeu, a prioridade foi para o que era do interesse do Facebook", mesmo com recurso à "desinformação". "A prioridade foi para fazer dinheiro, em vez de priorizar a segurança", repetiu a cientista de informação, Francis Haugen, de 37 anos, durante a entrevista ao programa ’60 Minutes’ da CBS TV.

As denúncias acerca de "atos anti-democráticos" são suportadas por "dezenas de milhares de documentos confidenciais" que a então diretora copiou secretamente. "O sentimento entre os funcionários [do Facebook] era de que os dirigentes traíram a democracia dos Estados Unidos", justifica Haugen.

Segundo a então diretora de produção, o Facebook incentivou a ’postagem de conteúdos incendiários". Ela aponta a responsabilidade da tecnológica de comunicação nos atos de 6 de janeiro, que causaram a morte de seis pessoas (Congresso confirma Biden presidente(...) — Trump incitou "inédito assalto à democracia" que resultou em 6 mortes, 08.jan.021).

Desinformação e doações

Segundo a denúncia de Haugen, a "central de desinformação" que o Facebook criou no verão para a eleição presidencial começou por desativar os programas preventivos contra a divulgação de conteúdos falsos. O seu alcance foi enorme, incluindo sobre o movimento True The Vote, presidido pela executiva Catherine Engelbrecht, que levou à invasão do Senado quatro semanas depois.

A "central de desinformação" viria a ser desmontada em 8 de novembro, "tendo cumprido o seu papel", segundo Haugen.

O alcance da "central de desinformação", que o Facebook criou ao desativar os programas preventivos contra a divulgação de conteúdos falsos — segundo a denúncia de Haugen, relacionando-a com a invasão ao Senado — pode medir-se no caso do magnata Fred Eshelman, que contribuiu com 2,5 milhões de dólares para o movimento True The Vote.

O bilionário apoiante da tese vencida do ’voto roubado’ quer o seu dinheiro de volta (o caso judicial ainda estará por decidir, oito meses depois). A reviravolta, dizia em fevereiro, é motivada pelo chocante 6 de janeiro da invasão ao Senado (N.B.: em pré-edição, EUA: Doou a Trump 2,5 milhões para reverter vitória de Biden e quere-os de volta, 18.fev.021).
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Fontes: BBC/Washington Post/New York Times/The Hill/CNN. Fotos: Francis Haugen assumiu em entrevista na noite de domingo, 3, ser a delatora que expôs, em queixas às entidades oficiais, a "falência moral" do Facebook .

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