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Favelados embaixadores de marcas — ’Microinfluencers’ têm credibilidade 18 Dezembro 2020

A ’Digital Favela’ faz a conexão entre moradores de seis mil favelas, com c.20% deles ativos nas redes sociais, e grandes marcas interessadas em tê-los em campanhas na internet. Iniciada em outubro, a plataforma online — com a bandeira "a esfera web é do povo e a democracia virtual brasileira mostra o rosto das comunidades que vivem nas favelas" — já fez de mais de mil moradores de favelas do Rio, "gente como a gente", tantos influenciadores próximos de milhões.

Favelados embaixadores de marcas  — ’Microinfluencers’ têm credibilidade

"Tenho admiração pelos grandes influenciadores, mas eles não são referência para as comunidades", diz Celso Athayde. O criador da CUFA-Central Única das Favelas e CEO da Favela Holding e do Digital Favela não tem dúvidas sobre a "força de uma mãe de família [que publica] para outras mães dentro da favela. Tem credibilidade".

O site Digital Favela anuncia que tem mais de treze milhões de consumidores e gera "mais de 120 biliões de reais por ano" (mais de 3 mil milhões de contos).

"Eu costumo brincar que sou a influenciadora do subúrbio", "aquela que gosta de comprar produtos bons e baratos", diz Claudia Guimarães moradora no Complexo do Alemão "que mostra o banho de mangueira na laje".

Com mais de 24 mil seguidores no Instagram, a jornalista aconselha sobre lazer e roupas, sempre com o objetivo de "mostrar que os moradores das favelas não precisam pagar caro para terem qualidade".

Rennan Leta, 25 anos

"Hoje, tenho mais de 30 mil seguidores nas redes sociais", diz Rennan cuja "história na internet começou em 2015 com a página "Palavras do mundo", que dois anos depois "virou livro de poemas".

Tornou-se influenciador, embora tivesse dificuldade no início em se ver como tal, já que estava mais preocupado em exprimir conteúdos com relevância.

Mas percebeu "que a forma como se posicionava virava referência. Isso ajudou a quebrar o preconceito de que influenciador é algo fútil. Essa referência pode ser usada para o bem do meu público", diz o carioca favelado da comunidade Mata Machado-Alto da Boa Vista.

Lucas Santos: "É uma ponte, uma rede de apoio, uma esperança para quem começa do zero"

O ’influencer’ de 24 anos é assertivo sobre o seu papel nas redes sociais onde tem mais de 48 mil seguidores: "Não é só sobre indicar uma linha de xampu, por exemplo", mas também "estamos na web para fazer você refletir sobre assuntos em que você nunca parou para pensar. Essa é a minha arte, o meu propósito".

O "negro favelado" que fez "campanhas publicitárias para aplicativo de transporte e para operadora de telefonia" mostra-se grato pelas oportunidades que, estando desempregado, o Digital Favela lhe deu e ressalta que ser "influencer é algo que deve ser usado com muita responsabilidade".

Fontes: Referidas. Fotos (Redes sociais): Rennan Leta, 25 anos (foto 1º plano, com a família). Claudia Guimarães, 32 anos (foto inserida à esqª). Lucas Santos, 24 anos (foto inserida à d.ta, ao alto). Celso Athayde, 57 anos (foto inserida em baixo à d.ta).

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