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Filipinas : Presidente Duterte no Japão escandaliza de novo ao tratar homossexualidade como “doença” que “curou” “com belas mulheres” 11 Junho 2019

“As belas mulheres curaram-me”, disse o presidente Rodrigo Duterte fazendo tábua rasa das recomendações da OMS e avanços científicos. Em visita oficial ao Japão, no dia 31 último, o presidente no poder desde 2016 encontrou-se com a comunidade filipina em Tóquio e mais uma vez escandalizou.

Filipinas : Presidente Duterte no Japão escandaliza de novo ao tratar homossexualidade como  “doença” que “curou” “com belas mulheres”

A referência à homossexualidade como “doença” que se “cura” visava atingir o adversário político, o senador Antonio Trillanes: “Trillanes é parecido comigo. Mas eu curei-me”, “as belas mulheres curaram-me”, declarou o presidente filipino.

O septuagenário explicou ter “voltado a ser homem” quando, em 1970, encontrou a esposa. Aliás, oficialmente separado (o divórcio é ilegal nas Filipinas), colocou-se-lhe a ‘questão da primeira-dama’—cargo que ele quis para a filha, Sara, de 45 anos, mas que esta recusou.

A associação de defesa dos direitos dos homossexuais e transgéneros, Bahaghari, em comunicado de imprensa expressa que as afirmações do presidente Duterte – contrárias à recomendação de tratar a homossexualidade como uma orientação sexual, segundo a OMS e a Associação Americana de Psiquiatria — são perigosas e retrógradas. “Sintomáticas da doença grave que é a ignorância” que leva a “preconceitos, e ódio”, “as suas declarações e as piadas perversas e insultuosas sobre as mulheres, não podem ser simplesmente ignoradas nem tomadas como uma piada”.

Os media internacionais, como o New York Times, o Deutsche Welle, o Le Monde, têm noticiado esses escândalos do presidente populista na mesma linha de Trump. Mas um Trump num país sem imprensa livre, com um atraso considerável nos indicadores de desenvolvimento humano ligados à educação, participação cívica… O atraso cultural reflete-se no facto de que, durante a campanha presidencial, Duterte fez uma piada sobre a violação da missionária australiana morta em 1989 durante um motim numa prisão de Davao. Diante da multidão, Duterte explicava que ele próprio teria gostado de estar lá, para ser um dos perpetradores da violação. Incrível? O eleitorado filipino deu-lhe a presidência e três anos depois continua a apoiá-lo porque ele combate o flagelo da droga. Mesmo se esse combate é uma cortina de fumo que impede de ver a violação constante dos direitos humanos — a começar pelos meros bodes expiatórios que são os pobres apanhados a consumir e que se tornaram ’drogados’ mortos.

Fontes: Japan Times/Outras referidas. Relacionado: Foto do Ano tematiza execuções sumárias na ‘guerra à droga’ do presidente filipino Duterte, 16mai2019. LS

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