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A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Fogo: CPR do PAICV denuncia desorganização do sistema educativo cabo-verdiano e deficiente arranque do ano lectivo 2018/2019 26 Setembro 2018

A Comissão Política Regional do PAICV no Fogo denuncia que o sistema educativo cabo-verdiano continua numa desorganização profunda e que o ano lectivo 2018/2019 arrancou com alguma deficiência, sobretudo na ilha do Fogo. Numa conferência de imprensa realizada esta segunda-feira, 25, em São Filipe, Luís Nunes, membro deste órgão do maior partido da oposição, aponta o dedo ao Governo de Ulisses Correia e Silva pela sua incapacidade de dar respostas necessárias e pela planificação estratégica desconcertada para o normal funcionamento das escolas, um pouco por todo o País. É que, muitos estabelecimentos do EBI em vários pontos do arquipélago ainda não abriram as suas portas à comunidade educativa, deixando desnorteados, pais e alunos, sem poderem iniciar normalmente as aulas ante a inoperância do Executivo. Situação que, segundo o PAICV, está gerando muita angústia no seio dos cabo-verdianos em geral e dos foguenses, em particular.

Fogo: CPR do PAICV denuncia  desorganização do sistema educativo cabo-verdiano e deficiente arranque do ano lectivo 2018/2019

Para este membro da Comissão Política Regional do PAICV na ilha do Fogo, o início de um ano lectivo constitui um momento de extrema importância em qualquer país, não só pela mobilização e movimentação de toda a sociedade, mas também pela responsabilidade na promoção do desenvolvimento sociocultural e cientifico que deve promover.

Nesta linha de pensamento, Nunes é da opinião que o arranque de um ano lectivo deva ser responsavelmente preparado com a antecedência necessária, baseada na experiência acumulada ao longo dos anos e com a visão estratégica que todos almejam em Cabo Verde.

Falta de planificação e organização escolar

Assim, tendo em conta a experiência acumulada e o «know how» existente no país, o PAICV critica o Governo pela sua insensibilidade na preparação e planificação para o funcionamento normal das escolas.

“Infelizmente, continuamos ainda a assistir a uma desorganização profunda no sistema educativo e consequentemente no arranque do ano lectivo em vários aspectos, que passamos a citar:

- Muitas escolas, um pouco por todo o país, não abriram ainda as portas à comunidade educativa, deixando desnorteados país e alunos sem poderem iniciar normalmente as aulas ante a inoperância deste governo;

- Generalização do sistema de agrupamento escolar, sem qualquer suporte legal, o que tem criado grandes constrangimentos em todo país;

- Incapacidade do Governo em agilizar a actuação da acção social e escolar para acudir, em tempo oportuno, as muitas famílias em situação económica preocupante por causa da falta de rendimentos e do mau ano agrícola passado. Até ao momento nenhuma escola está a fornecer refeição quente;

- Ausência total dos apoios socioeducativos, pois nenhum aluno recebeu, neste inicio de ano lectivo, materiais escolares indispensáveis para o seu cabal desempenho curricular;

- Injustificada e persistente falta de manuais escolares que, não obstante os variadíssimos erros crassos exibidos no ano lectivo transacto, até ainda não foram normalizados em suporte papel e disponibilizados pelas livrarias nos diferentes concelhos do país.

- A incapacidade das escolas básicas ministrarem as TIC´s porque simplesmente não dispõem de salas específicas nem de equipamentos e o governo nada fez para alterar e melhorar a situação;

- A nível local assistimos a um desnorte total no capítulo da cooperação descentralizada (com ONG´s Luxemburguesas) no domínio da educação, pois a Câmara Municipal de São Filipe deixou de honrar os compromissos, demonstrando uma clara incapacidade de execução de projectos, mesmo com dinheiro em carteira.
Neste particular, exemplificamos o não equipamento atempado das escolas de Patim e de Campanas de Baixo inauguradas há cerca de oito meses, o que constitui um entrave ao normal arranque das aulas nessas comunidades;

- Agravante e inadmissível a incapacidade da Câmara Municipal de São Filipe em executar, em tempo oportuno, as obras da Escola Básica de Santa Filomena e da Escola Central de São Filipe (mais de 12 meses de atraso) continuando a criar vários problemas aos alunos, pais e encarregados de educação e toda a comunidade educativa em geral», enumerou Luís Nunes, que já foi Delgado da Educação no Concelho de S.Filipe.

Perante estas inquietações, a CPR do PAICV do Fogo recomenda ao actual Governo que assuma, de uma vez por todas, a sua responsabilidade e entenda que não está conseguindo dar as respostas necessárias, por causa de uma planificação estratégica desconcertada, situação que, segundo este maior partido da oposição, está gerando e criando muita angústia no seio dos cabo-verdianos e dos foguenses em particular.

Celso Lobo

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