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Fogo: Câmara São Filipe disponível para ajudar financeira e sociologicamente a Rede de Protecção à Criança 28 Dezembro 2022

O presidente da câmara de São Filipe, Nuías Silva, disse hoje que a sua instituição está disponível para ajudar financeira e sociologicamente a Rede Local de Protecção à Criança Contra Abuso e Exploração Sexual.

Fogo: Câmara São Filipe disponível para ajudar financeira e sociologicamente a Rede de Protecção à Criança

A abertura e disponibilidade foram manifestadas no acto inaugural da sede local da Rede, situada no bairro de Achada São Filipe, defronte à escola secundária Dr. Teixeira de Sousa, tendo igualmente disponibilizado a ajudar nos trabalhos sociais nos bairros e na identificação dos pontos críticos e inclusive protocolar essas responsabilidades.

A ilha do Fogo, no que toca ao abuso e exploração sexual, merece “uma atenção especial”, seja da parte da sociedade civil, das autoridades locais e nacionais que, segundo Nuías Silva, tem de desenhar políticas “específicas, concretas e convergentes” para munícipes com necessidades específicas.

“Temos diagnóstico de que a questão de abuso contra crianças e adolescentes em material de abuso e exploração sexual deve merecer uma atenção especial de todos”, disse.

Para Nuías Silva, à partida, a Rede não devia existir porque as crianças devem ser automaticamente protegidas pelos pais, no seio familiar, que é um importante parceiro da Rede, sublinhando que a sua existência significa que há um conjunto de instituições que devem cooperar para que os propósitos da salvaguarda dos direitos da criança e adolescente sejam protegidas.

“Só há necessidade de haver uma Rede porque os direitos das crianças não estão sendo salvaguardados e é importante o apelo à família da necessidade da protecção familiar da criança, não a abandonar, saber onde está e não pode chegar com material valioso em casa e a mãe ficar contente sem pedir explicação sobre a sua obtenção”, frisou o edil.

Para o mesmo, a base de tudo está na família, na educação e valores que devem ser transmitidos para empoderar as crianças a denunciar as situações para construir uma sociedade saudável.

Além da família destacou o papel das escolas, que é “fundamental” para orientação na protecção e consciencialização para combate e não mero transmissor de conhecimento.

Outra instituição, “não menos importante”, conforme a mesma fonte, são as igrejas, que não devem ser vistas apenas na missão fundamental da evangelização, mas na dimensão societária que constrói o homem que se quer no futuro, assim como as câmaras municipais que devem ser um parceiro importante da Rede para trabalhar o papel social.

A presidente da Associação de Crianças Desfavorecidas (Acrides) e coordenadora nacional da Rede, Lourença Tavares, explicou todo o processo do surgimento da Rede a partir de uma experiência vivenciada na ilha do Fogo, sublinhando que a abertura da sede local acontece graças ao apoio da emigrante nos Estados Unidos da América Rosilda James, que durante a pandemia ajudou a Acrides a aguentar, durante nove meses, mais de quatro mil famílias na Cidade da Praia e que agora “faz a diferença” com a Rede da ilha do Fogo.

Lourença Tavares apelou às autoridades locais e nacionais a ajudarem a Rede a proteger as crianças de hoje que serão os homens e as mulheres que vão garantir o futuro do país.

Para a mesma, trata-se de “mais um braço” que junto com poder local e outras instituições, vai promover os direitos e proteger as crianças, manifestando a disponibilidade da rede em ajudar a dinamizar o comité municipal de defesa dos direitos das crianças.

A coordenadora local da Rede, Sónia de Pina, destacou os trabalhos já realizados e os desafios futuros, lembrando que o abuso sexual é um fenómeno que tem aumentado a nível mundial e na ilha do Fogo, segundo os dados, tem aumentado significativamente e que é nesta óptica que a Rede surgiu para fazer face a este fenómeno social.

De entre os desafios apontou a negligência familiar, irresponsabilidade familiar e morosidade da justiça, observando que a Rede conta com a colaboração de todos para junto trabalhar para proteger direitos das crianças e debelar este flagelo social, lembrando que o lema da Rede é “Junto vamos construir”.

Por sua vez, a aluna do 11º ano da escola secundária da cidade de Cova Figueira, Santa Catarina do Fogo, Carlene Silva, escolhida como criança embaixadora, comprometeu-se com o pouco que sabe, mas com o muito que existe, lidar diplomaticamente para a defesa do direito e protecção das crianças.

“Queremos, junto com todos, lutar para que os direitos das crianças sejam respeitados e exercidos de forma plena”, prometeu.

A Semana com Inforpress

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