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Fogo: Insuficiência de espaço e falta de equipamentos condicionam absorção da produção pela adega Chã 28 Julho 2021

A insuficiência de espaço físico e a falta de equipamentos condicionaram, este ano, a adega Chã, de absorver toda a produção dos seus mais de uma centena de sócios integrantes da Associação dos vitivinicultores de Chã das Caldeiras.

Fogo: Insuficiência de espaço e falta de equipamentos condicionam absorção da produção pela adega Chã

Segundo a Inforpress, o responsável da adega Chã, David Gomes Monteiro, mais conhecido por Neves, disse que a adega iniciou no passado dia 07 de Julho o processo de vindima, tendo para o efeito improvisado um pequeno espaço e adquirido alguns equipamentos que permitiu a transferência de alguma quantidade de vinho dos anos anteriores para outros depósitos.

“Conseguimos absorver alguma produção, mas foi pouca coisa, nem 50 por cento (%) em relação à produção do ano passado, por falta de espaço, que está superlotado e com depósitos cheios”, disse aquele responsável, sublinhando que de qualquer forma, a adega conseguiu fazer “um bom trabalho e salvar uma grande parte da produção de uva, que se não fosse assim a maior parte estragava nos campos”.

Este disse que os agricultores ficaram satisfeitos com a solução encontrada e que outros resolveram o problema, vendendo parte da matéria-prima (uva), embora ao desbarato, para ultrapassar a situação. Acrescentou ainda que a própria adega de Monte Barro da Vinha Maria Chaves comprou algumas toneladas de uvas para transformação na sua adega e que foi uma forma de resolver o problema de produção de 2021.

No dizer do mesmo, a adega não podia receber toda a produção deste ano dos seus próprios associados, porque não tinha condições de espaço, por um lado, e por outro porque quase todas as zonas tiveram uma produção muito melhor que no ano passado.

Por uma questão de justiça, a adega Chã definiu uma tabela para aquisição da matéria-prima dos sócios com base na quantidade que entregaram no ano passado e o excedente foi vendido à adega de Monte Barro, que, no dizer do mesmo, calhou muito tempo porque muitos produtores venderam algumas toneladas de uva a esta adega.

Revela a mesma fonte que vindima deverá terminar no final da próxima semana (06 de Agosto) porque o processo foi iniciado mais cedo que nos anos anteriores e a poda e a maturação aconteceram mais cedo.

Com relação ao próximo ano, tendo em conta que as plantas estão com um aspecto “excelente”, ocorrendo chuvas, a esperança é para uma boa produção, mas para que a situação deste ano não venha a repetir e para que a adega possa vir a receber uva é necessário vender o vinho que tem em stock e ter depósitos suficientes.

“Se vendermos o vinho que temos em stock na adega vamos ter espaço para absorver a produção do próximo ano”, disse Neves, destacando que, neste momento, a adega tem as produções de 2019, 2020 e agora de 2021 que é significativa já que a mesma transformou mais de uma centena de toneladas de uvas.

“Se não fosse esta limitação, podíamos atingir mais de 200 toneladas”, disse aquele responsável.

Em relação à exportação, a mesma fonte disse que houve contacto da parte da Embaixada do Brasil a indicar que alguns empresários estavam interessados na aquisição do vinho, mas o contacto não evoluiu e a adega aguarda ainda.

Quanto aos Estados Unidos da América (EUA,) onde existe uma grande comunidade cabo-verdiana e foguense, David Monteiro revelou que há um emigrante que está interessado na aquisição do vinho, sublinhando que a adega já dispõe de licença de exportação para aquele país e que está preparado para, havendo a possibilidade, exportar para a América.

Acrescentou igualmente que faltam pequenas coisas, como a retro etiqueta com as informações relacionadas com o vinho para que possa entrar nos EUA, que está sendo confeccionada pelo emigrante, esperando que assim que a pandemia passe a adega possa começar a exportação.

Dado o volume de produção e tendo em conta a limitação do espaço, David Gomes Monteiro, defende que a construção da prometida adega definitiva é uma necessidade.

A actual adega para além da exiguidade do espaço, está localizada, numa zona de alto risco (Cova Tina) dentro da cratera e se houver uma situação de catástrofe as consequências poderão ser semelhantes à que aconteceu com a adega de Portela, em 2014, que foi totalmente destruída pelas fúrias das lavas.

Como os responsáveis não dispõem de outra alternativa e estão instalados neste espaço, vão continuar até que seja possível mudar para outro espaço, possivelmente com a construção da prometida adega definitiva.

Quanto à produção de aguardente, a perspectiva é para pequena produção, pouco mais de mil litros porque o equipamento é de pequena dimensão.

“Uma das apostas que tínhamos, se não tivesse acontecido nada, era adquirir um alambique maior porque, o que temos neste momento tem a capacidade para 150 quilos e não conseguimos aproveitar toda a matéria-prima para obtenção de aguardente de bagaceira e por isso aproveitamos o mínimo”, disse.

Já a produção das outras fruteiras não é muito significativa devido às secas consecutivas registadas durante três anos e as plantas não tiveram o lançamento de frutificação.

O responsável da adega Chã salientou que se houver uma boa chuva este ano a perspectiva é para “excelente produção” das outras fruteiras em 2022.

Além da adega Chã, situada no município de Santa Catarina do Fogo, a ilha dispõe de mais duas adegas, nomeadamente a adega Sodade (Mosteiros) e Monte Barro da Vinha Maria Chaves (São Filipe) A Semana com Inforpress

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