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Fogo: Jovem de Chã das Caldeiras aposta em unidade de transformação de frutas com outras valências 21 Julho 2022

O jovem de Chã das Caldeiras Miguel Lopes Montrond sonha em implementar uma infra-estrutura com capacidade para transformar mais de 800 toneladas de frutas anuais, entre as quais uva, figo, maçã, marmelo, romã, manga e papaia.

Fogo: Jovem de Chã das Caldeiras aposta em unidade de transformação de frutas com outras valências

Licenciado em Engenheira Agrónoma e Socioambiental pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), departamento liderado pelo Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA), Miguel Montrond é mestrando inter-universidades em viticultura, enologia e mercados do vinho nas universidades destacadas na área de vitivinicultura como Udine, Conegliano, Verona e Bolzana, todas de Itália.

Com a infra-estrutura, uma unidade/cooperativa, o jovem, 27 anos, pequeno produtor de frutas, quer apostar na transformação e produzir vinhos diversos, espumantes, sucos de uvas, doces, frutas secas e outros sucos, de entre vários outros produtos que poderá dar “uma nova vida” aos produtos da ilha do Fogo, em particular a Chã das Caldeiras.

À Inforpress, Miguel Montrond disse que o projeto é “ambicioso” e representa o futuro de uma ilha com “tantas oportunidades”, e que com certeza iria “ajudar centenas de famílias a melhorar a condição de vida”.

O projeto ocupará uma área de cerca de 600 metros quadrados, com uma cave subterrânea onde serão armazenados os barris e será feito o engarrafamento e rotulagem.

No primeiro andar haverá espaços para todo o processo de moagem de uvas e por gravidade o vinho e suco de uva e sumos de outras frutas irão ao rés-do-chão sem utilização de energia e uma sala de degustação dos produtos e um restaurante, observando que este projeto é “muito sustentável” e funcionará com energias renováveis.

Pelos cálculos iniciais, o projeto representará um investimento na ordem dos 800 mil euros, perto de 90 mil contos, observando que a capacidade da adega/cooperativa de transformação agroalimentar é “muito grande” e foi projetada a longo prazo.

“Há uma grande fixação de plantas fruteiras em toda a Bordeira da ilha do Fogo e em outras partes e a sua transformação é de grande importância”, referiu o jovem de Chã das Caldeiras, lembrando que a unidade terá uma capacidade de produzir 80 a 100 mil garrafas de vinhos (espumantes, passitos e vinhos normais) e produzir 20 a 30 mil litros de sucos de diversas frutas e ainda mais de uma tonelada de mix de frutas secas.

Este reconheceu que sozinho não pode tornar o projeto uma realidade e por isso sublinhou que se trata de um “projeto comunitário”, e “todos em que cada um é chamado a dar o seu melhor”, adiantando que as autoridades locais e nacionais são convidadas a fazer parte do projeto, assim como de pessoas ou instituições privadas.

“O homem sonha, mas Deus é quem realiza os sonhos”, destacou Miguel Montrond, que promete não desistir da realização deste sonho, observando que já falou com algumas pessoas porque como está no final do curso tem pouco tempo, que é dividido entre trabalhar e estudar.

Prometeu que assim que concluir o projeto e o mestrado irá intensificar os trabalhos na mobilização de recursos financeiros para a implementação do projeto, quer junto de instituições nacionais como internacionais, nomeadamente em Itália.

“A primeira ideia é socializá-lo como um projeto social e se houver parceiras será transformado num projecto algo social em que todos podem participar”, referiu o jovem, adiantando que se não houver parcerias entre as outras associações ou pessoas privadas, irá implementá-lo sozinho, mesmo que dure mais tempo.

Para Miguel Montrond, a participação das autoridades será sempre bem-vinda, seja através de apoios técnicos ou mesmo monetária e seria uma voz ativa evitando um possível “monopólio”.

A ideia é exportar mais de metade dos produtos para a comunidade emigrada nos Estados Unidos da América (Boston e Brockton), Europa e Região Subsaariana de África, acrescentando que o projeto vai preparar mais jovens na área de transformação para poder responder às demandas futuras.

Com o volume de investimentos na plantação de fruteiras, Miguel Montrond prognostica que dentro de cinco anos haverá mais frutas disponíveis e sua transformação de “extrema importância”, observando que basta ir até Montinho para ver a quantidade de frutas em desenvolvimento.

Miguel Montrond estuda na região norte de Itália onde o cooperativismo/associativismo funciona “muito bem”, salientou, com “exemplos de um bom funcionamento, principalmente no que toca a área vitivinícolas”, mas o seu foco principal seria dar prioridades aos jovens viticultores da ilha e as mulheres.

A Semana com Inforpress

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