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Fogo de luto: Morre o compositor Putchota 08 Dezembro 2018

A ilha do Fogo está de luto com a morte, neste sábado, em S.Filipe, do compositor e intérprete Daniel Varela, mais conhecido por “Putchota”. Depois do célebre Príncipe de Ximento e o popular Minó di Mamá, Putchota surge como o trovador mais genuíno da ilha do vulcão, cujas composições abordam, em cantigas satíricas de escárnio e maldizer, os vários aspectos e vivência dos foguenses residentes e no estrangeiro.

Fogo de luto: Morre o compositor Putchota

Muitas pessoas, com destaque para as de São Filipe, ficaram consternadas com a morte do Putchota. « Acabo de ter a notícia do falecimento do compositor e cantor da ilha do Fogo conhecido por Putchota. Que Deus lhe dê o eterno descanso. Djarfogo ficou mais pobre. Triste...mas só nos resta a perpetuar sua memória», escreve na sua página de fecebook o advogado Arlindo, que é um tocador de violão daquele concelho residente em Portugal e apreciador da música nacional.

Putchota era muito querido entre jovens e adultos, sobretudo por causa das suas composições. É que utilizando a sátira com cantigas de escárnio e maldizer, interpreta com piada o dia-a-dia da realidade da vida dos foguenses residentes e nos EUA. As coladeiras « Alice» e «Se nha mudjer bai pa Merca é ca dimé más» são as mais interpretadas com piada entre os seus fãs.

Trabalhos gravados

Daniel Varela gravou dois CD. O mais recente, com o título Djarfogo in ca negabu”, foi lançado no final de Abril de 2017 nos Estados Unidos”. Das 10 composições que fazem parte deste trabalho discográfico, nove eram inéditas e foram gravadas pela primeira vez pelo próprio autor, e uma, “Alice”já referida, foi gravada anteriormente, mas foi incluída por ser acompanhada de um vídeo-clip.

Já o primeiro CD do Putchota foi gravado em 1998, com o grupo Raiz di Djarfogo. Pouco tempo depois do seu lançamento este trabalho esgotou-se no panorama musical de São Filipe e de Cabo Verde em geral.

Enfim, depois do célebre artista Príncipe de Ximento e popular Minó di Mamá, Putchota configura-se como o trovador mais genuíno da ilha do Fogo e de São Filipe em particular, cantando, na linguagem típica da ilha, aspectos relacionados com a vivência social, moral e cultural do seu povo, através de críticas, escárnios e mal dizer. Morre no entanto o homem, mas fica a sua obra. A cidade dos sobrados vai certamente render ao Putchota a sua última homenagem, acompanhando-o até ao cemitério do Cutelo de Açúcar – hora do funeral está ainda por ser confirmada.

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