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Fome pode expor 30 mil crianças a exploração em Moçambique 18 Setembro 2019

A fome pode expor 30 mil crianças ao trabalho infantil e casamentos precoces nas regiões afetadas pelo ciclone Idai em Moçambique. Este alerta foi dado pelo diretor da Organização Não-governamental (ONG) “Visão Mundial”.

Fome pode expor 30 mil crianças a exploração em Moçambique

"À medida que as pessoas lutam para encontrar comida, sabemos que as crianças correm um risco particular de serem forçados a abandonar a escola e trabalhar abusivamente, e as meninas podem ter de casar-se ainda crianças ou forçadas a trocar sexo para ajudar as suas famílias a sobreviverem", disse David Munkley, em comunicado, citado pela Agência Lusa.

A direção da Visão Mundial mostra-se preocupada, “especialmente” com as mais de 60 mil pessoas, das quais metade são crianças, que, seis meses depois, ainda moram em 50 locais de reassentamento e que não regressaram às suas casas. Esta ONG alerta ainda que o cenário pode agravar-se com o aumento do número de pessoas com fome, de 1,6 a 1,9 milhões de pessoas, até que chegue a próxima época agrícola.

"À medida que as pessoas ficam com mais fome e lutam para sobreviver, são as crianças que precisam de ajudar as famílias a colmatar a falta, recorrendo a todo o tipo de estratégias de sobrevivência perigosas", anuncia.

Recorde-se que com a intervenção de socorristas e do Governo, as pessoas atingidas pelo ciclone Idai conseguiram manter-se vivas, fazendo com que milhares de crianças voltassem às escolas. Porém, os ciclones destruíram as colheitas, casas e meios de subsistência de centenas de milhares dos mais pobres de um país que já possui altas taxas de pobreza.

De salientar que a “Visão Mundial” está a trabalhar em programas infantis para providenciar a educação, atividades de proteção à criança, assistência e ajuda alimentar.

O ciclone Idai, que atingiu o centro de Moçambique em Março, provocou 604 mortos e afetou cerca de 1,5 milhões de pessoas. A intempérie provocou cheias intensas que arrastaram aldeias, pontes, estradas e outras infraestruturas, criando lagos gigantescos que levaram semanas a desaparecer. Já o ciclone Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em Abril passado, matou 45 pessoas e afetou outras 250 mil.

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