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Fórum da Rede dos Sindicatos UNI FINANÇAS CPLP: Organização alerta sobre o perigo do capitalismo ultraliberal e explorador que está a crescer 02 Agosto 2020

O presidente do Sindicato das Institiuições Financeiras de Cabo Verde, Anibal Borges, foi eleito coordenador, nos próximos dois anos, da Rede de Sindicatos UNI FINANAÇAS CPLP, cujo 3º fórum decorreu, virtualmente, nos dias 29 e 30 de Julho último. A orgnização analisou o forte impato da pandemia de covid-19 na alteração das realações de trabalho à escala mundial, tendo alertado para o perigo do capitalismo ultraliberal e explorador que está a crescer a nivel mundial. «O capitalismo ultraliberal, que desde a segunda metade do século passado cresceu, alardeando o fim da intervenção do Estado na economia planetária, construiu lentamente as premissas para este modelo de sociedade excludente e explorador». A declaração final do encontro acrescenta que, a par disso, « uma nova era neoliberal e de intolerância ressurgiu, se impondo pela força e pela propaganda, trazendo de volta a sombra dos movimentos ultradireitistas fascistas e do militarismo».

Fórum da Rede dos Sindicatos UNI FINANÇAS CPLP: Organização alerta sobre o  perigo do capitalismo ultraliberal e explorador que está a crescer

Com a participação de todos os países membros da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, os presentes no 3º Fórum da Rede dos Sindicatos UNI FINANÇAS CPLP participaram de uma troca de experiências sobre digitalização bancária, teletrabalho, futuro do trabalho bancário e estratégia da UNI FINANÇAS para o período pós pandemia. Avaliaram os impactos da crise mundial COVID19 nas relações de trabalho em cada um dos países membros e houve troca de informações sobre as ações e procedimentos de resistência que os sindicatos estão empreendendo nestes locais. No final dos trabalhos, aprovaram um documento, em que alertam sobre o efeito do fenómeno referido na alterçao das srelações do trabalho.

«Queremos um mundo melhor pós pandemia», realçou a declaração final, alertando que o mundo foi atingido por fenómenos que modificaram radicalmente e rapidamente as relações de trabalho, os direitos humanos e a vida dos trabalhadores e trabalhadoras.

«A concentração de riquezas, o avanço tecnológico, a redução de direitos laborais, o desemprego estrutural e a exclusão das camadas mais pobres vêm criando uma distância muito grande entre as elites econômicas e o resto da população mundial. A sociedade do emprego formal está declinando e no seu lugar surgem e imperam os serviços de plataformas e aplicativos. O capitalismo ultraliberal, que desde a segunda metade do século passado cresceu alardeando o fim da intervenção do Estado na economia planetária, construiu lentamente as premissas para este modelo de sociedade excludente e explorador», lê-se no documento a que este jornal teve acesso.

Segundo a UNI FINANÇAS CPLP, em nome da liberdade, os teóricos liberais afirmaram que tudo deve ser entregue à iniciativa privada: a água, a saúde, os recursos minerais, o meio ambiente, a educação, os transportes, a energia, as comunicações, o crédito para o desenvolvimento, pois, segundo eles, tudo é mercadoria. E diziam que quem iria ordenar as relações entre a oferta de bens e serviços e os consumidores seria a mão invisível do mercado. Quanto menos Estado, mais o país será rico e poderoso. Muitos, prossegue a UNI, acreditaram nestas narrativas.

«Muitas leis foram aprovadas nos países para privatizar as empresas públicas e transferir o património do povo para uns poucos. Outras leis foram aprovadas para reduzir direitos dos trabalhadores supostamente para facilitar contratações e melhorar a concorrência entre empresas, mas que na verdade funcionaram para gerar um estoque barato de mão de obra.

Estruturaram ataques às organizações sociais e aos sindicatos para enfraquecer as resistências e a oposição aos projetos das elites», denuncia a organização, alertando que, paralelamente a isso, uma grande guerra de realinhamento comercial mundial entrou no cenário, principalmente entre os Estados Unidos da América e a China, revitalizando as instabilidades políticas, económicas e sociais nos países democraticamente mais frágeis.

«Uma nova era neoliberal e de intolerância ressurgiu, se impondo pela força e pela propaganda, trazendo de volta a sombra dos movimentos ultradireitistas fascistas e do militarismo. A crise mundial COVID19 mostrou os engodos e as mentiras deste modelo de mundo desigual que a sociedade mundial vinha reproduzindo», advertiu o 3º Fórum da Rede de Sindicatos UNI FINANÇAS CPLP.

O documento final fez questão de realçar que, sem o atendimento feito pelos Estados nacionais na pandemia, as pessoas teriam sido destruídas pelo vírus, pela fome e pela miséria.

«Países fortemente liberais tiveram que dobrar-se e oferecer ajuda tanto para conter a pandemia quanto para evitar um desastre económico e social causados pelo necessário isolamento social e desativação do comércio, indústria e serviços, bloqueando acesso a salários e rendas pelas famílias. «As máscaras caíram e o mundo viu claramente que não são máquinas, insumos ou capital que produzem bens e serviços. São os trabalhadores. Isso foi importante para que se reflita sobre o mundo que virá», acrescentou.

Por um mundo melhor pós pandemia

Para a mesma organização sindical, o mundo que esperamos reconstruir após esta pandemia não poderá ser como era antes: desigual e sem esperanças. «Não queremos voltar a uma normalidade que explora os trabalhadores e trabalhadoras. Queremos oferecer um mundo melhor às gerações futuras».

Entede o 3º Fórum da Rede dos Sindicatos UNI FINANÇAS CPLP que vivemos uma rara oportunidade para elevar a qualidade de vida mundial, erradicando a miséria, a fome, a exploração e o desemprego. «Precisamos de um mundo que tenha bancos públicos que ofereçam políticas anticíclicas para a sociedade prosperar. E de bancos privados com responsabilidade social e respeito pelos nossos países».

O documento final reitera a organização permanece coerente com os compromissos e objetivos que nortearam a UNI desde o primeiro Fórum em Luanda, Angola. «Reafirmamos a necessidade de dar continuidade aos temas discutidos em São Paulo, Brasil no nosso 2º Fórum pertinentes à Comunicação, Informação, Formação e funcionamento da nossa estrutura. O 3º Fórum solidariza com os trabalhadores de saúde e outrpos sectores de actividade, bem como com os trabalhadores bancários e seguradores que mantiveram na linha de frente, emprestando todo o seu esforço e dedicação, para garantir os serviços essenciais à economia durante a pandemia. O 3º Fórum lamenta as mortes de muitos trabalhadores a nivel mundial e solidariza-se com as suas familias», refere a declaração final, concluindo que se encaminha em direção « à construção de um mundo fraterno, igualitário e justo», que só será possival com a luta de todos os trabalhadores e seus respetivos sindicatos.

É de salinetar que, no 3º Fórum da Rede dos Sindicatos UNI FINANÇAS CPLP, participaram representantes de todos os sindicatos da lusofonia: Angola – SNEBA, Brasil – CONTRAF CUT, Cabo VERDE – STIF, Moçambique – SNEB, Portugal – SBSI, SBN e SBC, São Tomé e Príncipe – SBPSTP, totalizando 70 participantes, distribuídos em 49 delegados e observadores inscritos, 4 palestrantes, 7 assessorias e staff técnico, 1 convidado da CUT Brasil e 9 representantes da UNI GLOBAL UNION.

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