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Desfecho do caso Khashoggi: 5 condenados à morte, 3 a penas longas, 3 soltos, no julgamento em tribunal saudita 24 Dezembro 2019

Mais de catorze meses sobre o crime cometido no interior do consulado saudita em Istanbul, vitimando o jornalista Jamal Ahmad Khashoggi, destacado crítico do regime saudita, um tribunal em Riad confirmou a sentença à pena capital de cinco dos onze réus. Três foram condenados a cumprir 24 anos de prisão. Entre os três considerados inocentes e mandados em liberdade, estão duas "figuras de topo próximas do príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman".

Desfecho do caso Khashoggi: 5 condenados à morte, 3 a penas longas, 3 soltos, no julgamento em tribunal saudita

"Por falta de provas", o cônsul-general saudita em Istanbul, aí detido desde o ano passado, foi absolvido. Mohammed al-Otaibi foi libertado, de imediato. Também por falta de provas, o general Ahmed Al-Assiri e o conselheiro Saoud Al-Qahtani foram ilibados, informou o procurador-geral em conferência de imprensa em Riade na tarde de segunda-feira, 23 (madrugada em Cabo Verde).

Qahtani era o número-dois da segurança saudita e muito próximo do príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman cuja implicação no caso foi suscitada desde o início.

O seu chefe, o general Ahmed Al-Assiri, nunca foi a julgamento, embora suspeito de ter supervisionado o assassinato do jornalista que entrara em colisão com o príncipe MBS.

Khashoggi tinha sido o mentor do progressismo na imprensa saudita e fora muito próximo do príncipe MBS, mas após a guerra no Iémene, o afastamento de figuras de proa do regime acusadas de corrupção e a aproximação a Trump, o jornalista em setembro de 2017 refugia-se nos Estados Unidos onde passa a escrever uma crónica mensal no Washington Post fustigando MBS.

O último artigo de Khashoggi, publicado 15 dias depois da morte, mantinha a crítica ao "conservantismo persistente sob a fachada de progressismo" de Bin Salman. O príncipe herdeiro e homem-forte da monarquia absoluta saudita é o foco das críticas, acusado quer por tomar medidas intempestivas, como a guerra no Iémene, a detenção de críticos internos, quer por estar fechado ao diálogo dentro e fora do reino.

Destaca-se ainda nessa crónica póstuma de Khashoggi a sua esperança de que no reino saudita, enfim aberto à liberdade de imprensa que a primavera árabe (de 2011) trouxe ao mundo árabe, "o povo possa ser capaz de resolver os problemas estruturais do seu país".

Em 16 de novembro de 2018, apenas 45 dias após o crime, a CIA anunciou que Bin Salman foi o mandante do homicídio. Sem consequências: Trump reforçou os laços que começou a entretecer nove meses antes, em março, com o "príncipe renovador", Mohammed Bin Salman. A amizade Trump-Salman é alimentada pelo ódio comum ao Irão, dizem os politólogos.

E também não houve até agora consequências do relatório de 19 de junho do corrente ano, em que a ONU pede sanções financeiras contra o filho e herdeiro do rei Salman. A justificação é que há "elementos probatórios fiáveis" para incriminar o príncipe Mohamed Bin Salman na morte de Jamal Khashoggi, a 02 de outubro, dentro da embaixada saudita na cidade mais populosa da Turquia, mas também da Europa.

Crítico dos laços entre Trump e Bin Salman

Na sua habitual coluna mensal, Khashoggi assinava em 13 de novembro de 2017 a peça "Arábia Saudita está a criar uma enorme confusão no Líbano", sob o pano de fundo da demissão do primeiro-ministro libanês, Saad Hariri. O jornalista criticava o facto de o reino saudita ter-se colocado assim contra os seus aliados sunitas no governo libanês que pediam o regresso do primeiro-ministro, que fez o seu pedido de demissão em Riad, despoletando suspeitas de que o príncipe Mohammed Bin Salman o teria pressionado a isso.

Nesse longo artigo, Khashoggi atribuía esse erro estratégico de MBS, ao tomar uma posição de força em vez de tentar a via anti-conflito perante o Hezbollah, à influência do presidente Trump. Apontava a existência de "laços fortes" entre Trump e MBS e enfatizava que "ambos acompanham Israel no desprezo que sentem pelo Irão e o aliado Hezbollah", lê-se nessa crónica publicada onze meses antes da última, de publicação póstuma.

Esse comportamento, alertava Khashoggi, "está a aprofundar os conflitos e a minar a segurança nacional não só da Arábia Saudita" — que apontava ser um oásis de estabilidade social, financeira e económica até há pouco — mas também de todos países da região do Golfo como um todo".
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Fontes: NY Times/Washington Post/Reuters/Arquivos.

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