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França: 330 mil vítimas entre 1950-2020 de abusos sexuais na Igreja — 75% são meninas 06 Outubro 2021

O relatório duma investigação independente divulgado esta terça-feira, 5, tem tudo para lançar a tempestade na Igreja de França: trezentas e trinta mil crianças foram ao longo de oitenta anos vítimas de agressões sexuais, a maior parte delas perpetradas por 2900-3200 membros do clero. A Conferência Episcopal Francesa emitiu de imediato um pedido de perdão às vítimas e garantiu que vai tomar medidas.

França: 330 mil vítimas entre 1950-2020 de abusos sexuais na Igreja — 75% são meninas

Segundo o relatório de investigação independente da equipa Sauvé, entre 2900 e 3200 padres franceses perpetraram abusos sobre 216 mil crianças no período considerado. Trata-se de um número elevado que teve os índices mais altos nos decénios de 1950 e 1960, apontam os investigadores.

A cultura de impunidade piorou a situação das vítimas, sobre quem os agressores —padres, chefes escuteiros e outros — estavam em posição de autoridade.

As estimativas baseiam-se em entrevistas com mais de duzentas vítimas, relatos escritos de mais de duas mil e oitocentas vítimas, seis mil e quatrocentas chamadas a uma linha SOS e estudo aprofundado de mil e seiscentos casos. A equipa do estudo ouviu largas dezenas de membros do clero, incluindo vários que a justiça chegou a condenar por abuso.

Os autores do estudo encomendaram ainda a uma agência especializada uma sondagem com 28.000 pessoas, por forma a contextualizar o abuso sexual de crianças na sociedade francesa. A partir dessa base, a equipa fez projeções globais sobre o número de vítimas do clero católico. No entanto, advertem que a margem de erro pode ser de 50 mil vítimas a mais ou a menos.

Estados Unidos: Sem estimativas oficiais, porém calcula-se que será maior que as treze mil queixas formalizadas em 2019, segundo o Centro da Pesquisa Aplicada da Universidade de Georgetown. Dentre as dioceses americanas que indemnizaram as vítimas "credíveis", algumas declararam depois estar em situação de falência.

Alemanha: Um estudo encomendado pela Igreja em 2018 concluiu que pelo menos 3.677 pessoas foram vítimas dos padres entre 1946 e 2014. Um terço corresponde a meninos acólitos. Em janeiro corrente, a Igreja da Alemanha implementou um sistema de indemnizações, que pode chegar a 50 mil euros (5,5 mil contos) por vítima.

Austrália: O governo australiano lançou uma investigação de quatro anos sobre todas as formas de abuso sexual cometido em instituições. O relatório dá conta de 4.444 vítimas menores em mais de mil etabelecimentos católicos entre 1980 e 2015. Outra investigação conduzida por uma Comissão Real calcula que 7% de padres católicos na Austrália entre 1950 e 2010 foram acusados de abuso sexual sobre menores.

Irlanda: Inspeções ordenadas pelo governo concluiram que milhares de crianças foram maltratadas e violadas por padres ou agredidas fisicamente em escolas católicas. Bispos foram acusados de terem encobertado os casos. Largas dentenas de padres foram acusados, mas menos de cem foram condenados.

Fontes: AP/AFP/Le Figaro/lemonde.fr/BBC/. Foto: Igreja de Saint Jean-Baptiste de La Salle, no centro de Paris, com uma ampla vocação educativa. A instituição é uma das visadas no novo escândalo.

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