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França: Anestesista acusado de envenenar 24 pacientes, dos quais 9 morreram — Mais narcisista que monstro 24 Maio 2019

Sempre que surgia um caso difícil no bloco operatório o doutor Frédéric Péchier resolvia. Isto começou em 2008 tinha o médico então 35-36 anos. Onze anos depois, o médico-anestesista responde em tribunal por 24 crimes de envenenamento e nove homicídios por administração de doses letais de anestésico. Não por negligência ou incompetência, mas por arrogância e pura vaidade do conhecido em Besançon como o "Ás da anestesia" que salvava pacientes na mesa cirúrgica sempre que o anestesista era outro.

França: Anestesista acusado de envenenar 24 pacientes, dos quais 9 morreram  — Mais narcisista que monstro

O médico-anestesista na clínica privada (fotos) da cidade de Besançon, no leste de França, a mais de 350 km de Paris, agora incriminado em 24 crimes, começou a ser investigado em 2017 por suspeitas em sete casos de envenenamento, segundo disse o procurador Etienne Manteaux numa conferência de imprensa televisiva na quinta-feira, 16.

Em 2017, o tribunal decidiu não incriminar o réu Péchier que respondia no caso da morte de uma paciente da anestesista de turno. A profissional, Catherine Nambot, de 64 anos disse em tribunal que nunca perdera um paciente, em mais de trinta anos de carreira. Acrescentara que, segundo revelado na autópsia, à paciente morta após paragem cardíaca fora administrada lidocaína, um anestésico local. “Nunca a utilizei”, referiu a médica sobre a substância administrada, na audiência em tribunal, em 2017.

O tribunal todavia acabou por acolher a tese da defesa que alegara a rivalidade profissional como motivo da denúncia da ex-colega do serviço de anestesia na clínica “Saint-Vincent de Besançon”, a uns 400 quilómetros de Paris, e próxima à região de Moselle-Lorena com significativa comunidade cabo-verdiana desde os anos de 1960.

Ilibado, o anestesista Péchier continuou sob investigação. Menos de dois anos depois, a conclusão é que o próprio médico-anestesista tinha armado cada situação, primeiro inoculando uma dose letal de anastésico ou de clorídio de potássio no equipamento (foto) usado pelo/pela anestesista do turno.

O anestesista Péchier intervinha para salvar o paciente que entrava em paragem cardíaca e o mais destacado tem sido o caso de um menino de quatro anos operado às amígdalas, que sofreu duas paragens cardíacas e foi duas vezes ressuscitado pelo “Ás da anestesia”.

Mas Péchier nem sempre conseguiu a ressurreição de que tinha a chave, como a investigação, após exumação de vários cadáveres, apurou nos nove casos mortais entre 2008 e 2016.

Ciúmes entre colegas

Em maio de 2017, o tribunal começou o julgamento de Péchier acusado pela colega Catherine Nambot. A anestesista que “nunca |teve| um problema com a |sua| seringa” até aos 64 anos, como depôs na audiência, foi, segundo testemunhas suas que dizem que “ela quase morreu”, ainda vítima pessoal de mais um ato criminoso perpetrado pelo colega mais jovem.

Em abril de 2016, ela estava para ser operada a uma “banal prótese do ombro” na própria clínica, quando o colega Péchier se oferece para a anestesiar. Mas, para isso, houve que mudar a ordem das duas primeiras intervenções do dia — o que a salvou da morte certa, depuseram em tribunal as testemunhas, colegas da queixosa na clínica, entre eles o seu ’companheiro’.

A saqueta com a solução destinada à anestesista agora paciente — segundo estão convencidos os investigadores, mas sem o conseguir provar — acabou por ser administrada a uma outra paciente, Laurence Nicod, que morreu de paragem cardíaca.

Em maio de 2017, o tribunal decidiu não o incriminar. A defesa do médico-anestesista tinha sido eficaz, desde o circo mediático montado em que Péchier aparece em tribunal vestido de uma T-Shirt com as inscrições “Fair-play, elegância, precisão, disciplina, coragem”. Um ato que para muitos foi tido como uma provocação ao tribunal.

A alegação de que tinha sido a rivalidade profissional a levar à sua denúncia, pela confrade Catherine Nambot, acabou por convencer o tribunal mesmo com o advogado dela a apontar que “um inocente não vem vestido assim para o tribunal, com este tipo de provocação”. Os advogados alegaram "a legítima defesa ante uma montagem de colegas invejosos".

Nunca se viu nada assim em toda a história da medicina, dizem os media franceses. O caso ultrapassou fronteiras e os media internacionais, em especial os ingleses, fazem a festa.

Mas como o que conta é a prova em tribunal e o médico, apoiado por famosos advogados, continua a alegar ter sido vítima de um complô pelos colegas, que ele quer ver no banco dos réus pelas mortes dos nove pacientes, é bem provável que em maio de 2019, o tribunal venha a decidir que Péchier é inocente, tal como aconteceu há dois anos.
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Fontes: AFP/BBC/AP/Reuters/ DW.de/CNN/The Guardian/The Sun/L’Express… Fotos: Clínica privada onde o “Ás da anestesia”, que o tribunal pela segunda vez mandou este mês em liberdade, alegadamente perpetrou os crimes de 2008 a 2016 — tudo para fazer de ressuscitador.

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