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França: "Em alerta perante o antissemitismo" — Macron exorta na comemoração do 80º ano da deportação de judeus pelo governo de Vichy 18 Julho 2022

Em 16 e 17 de julho de 1942, o Estado francês fez a deportação de 13.152 judeus, um terço dos quais crianças para campos de concentração nazis. Este domingo 80 anos depois, o presidente Emmanuel Macron alertou para o antissemitismo atual ao inaugurar um memorial na estação ferroviária de onde partiram — para uma viagem de morte donde menos de 100 sobreviveram.

França:

Em Paris foi a primeira-ministra que presidiu, na mesma manhã de domingo no Vélodrome d’hiver/Velódromo de Inverno, o ato comemorativo dos 80 anos da Rusga do Vélo d’Hiv — que juntou nesse mesmo local os judeus que iam ser deportados.

"Nesses dias, o Estado francês foi mais longe do que as exigências do ocupante nazi, ao entregar até crianças que eram encaminhadas para a morte. Milhares de inocentes foram entregues para um destino de que ninguém dos responsáveis do Estado francês desconhecia o fim", disse Elisabeth Borne.

A inauguração de mais um museu da Shoah (o holocausto ou destruição de judeus sob o nazismo) no Loiret, centro-oeste do país e a centena e meia de quilómetros de Paris, foi presidida por Emmanuel Macron que fez uma defesa vigorosa do "combate contemporâneo" ao antissemitismo.

"Oitenta anos após este eclipse da humanidade, é urgente lembrar talvez mais que antes a História para aprender", discursou o presidente, "porque ainda não acabámos com o antissemitismo — que assume novas facetas, esconde-se em outras palavras e outras caricaturas mas "o odioso antissemitismo" como escreveu Zola continua. Gira, sempre vivo, persiste, obstina-se, regressa".

"Instala-se na sucessão dos assassínios, dos crimes antissemitas destes últimos anos, aparece nas paredes das nossas cidades, infiltra-se nas nossas redes sociais, configura-se como caricatura, é aplaudido pelos que confundem antissemitismo e liberdade de expressão".


Responsabilidade do Estado francês

Tal como o presidente Jacques Chirac, que assumiu em 1995 a responsabilidade do Estado francês na deportação dos judeus, Emmanuel Macron voltou a sublinhar "a participação dos homens de Vichy na concretização da solução final".

"Vamos repeti-lo aqui claramente mesmo se desagradamos aos comentadores revisionistas : nem (Philippe) Pétain nem (Pierre) Laval nem (René) Bousquet nem (Louis) Darquier de Pellepoix, nenhum deles quis salvar os judeus. É uma falsificação da História dizê-lo", disse por entre aplausos na estação de Pithiviers (ao alto à d.ta).

Oposição ’Insubmissa’ fustiga hipocrisia de Macron

Esta segunda-feira, a líder do grupo parlamentar LFI-La France Insoumisse, Mathilde Panot, veio a público explicar o que disse na antevéspera ao acusar o presidente Emmanuel Macron de homenagear "os colaboracionistas do regime de Vichy" que há 80 anos "organizaram a Rusga do Vel d’Hiv. É para não esquecer estes crimes, hoje mais que nunca, com um presidente da República que presta homenagem pública a Pétain e 89 deputados RN !".

Ante as reações indignadas — dos opositores LREM e dos aliados NUPES, "perante a lamentável comparação entre Macron e Pétain —, Mathilde Panot explicou que "a comemoração é também um momento em que devemos apontar as responsabilidades. Se temos de ter a obrigação da memória, temos de ter também a obrigação da vigilância sobre os ressurgimentos [do antissemitismo]. O que quis dizer com este tweet [de sábado] é que há 89 deputados RN na Assembleia e que, como o disse o mesmo presidente em 2018, é inadmissível estarmos a homenagear Pétain. O meu texto veio lançar o alerta", rematou.

Fontes: LeMonde/Le Figaro/TF1/Fontes históricas. Fotos: Primeira-ministra em Paris e o presidente no Loiret "para as comemorações da triste data do Shoah" de 16 e 17 de julho de 1942.

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