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Falso sobrinho de Brigitte Macron em tribunal autodiagnostica-se: "Sofro de mitomania" 05 Dezembro 2021

O homem de 35 anos apresentado a um tribunal de Paris, na antepenúltima semana, acusado dos crimes de usurpação de identidade, burla, reconheceu os factos. Justificou que sofre de mitomania, uma perturbação psíquica. No seu caso, diz, a mitomania leva-o "a exagerar o próprio cenário de vida".

Falso sobrinho de Brigitte Macron em tribunal autodiagnostica-se:

O arguido reincidente — em 2014 foi condenado pelos mesmos crimes —reconheceu que em 2018 criou um perfil falso, em que se apresentou como diretor de gabinete da presidência e associou-lhe o endereço dircab@presidence-française.fr. Segundo justificou, não resistiu a buscar "as vantagens" que "resultam do estatuto, privilégios e prestígio" dessas funções.

Assinava os emails ora como Pierre-Olivier Costa, que é o diretor de gabinete da primeira-dama Brigitte Macron, ou Patrick Strzoda, diretor de gabinete de Emmanuel Macron. As duas vítimas de usurpação de identidade são queixosas no processo.

O arguido usou o falso parentesco com a primeira-dama — porque lhe deu "estatuto, privilégios e prestígio" — para exigir um tratamento VIP em várias ocasiões. Desde uma estadia num hotel de cinco estrelas em Marrocos até lugares numa corrida Grand Prix de Formule 1 em Melbourne, Austrália ou ainda o cartão Club 2000 da Air France.

No entanto, as suas tentativas nem sempre foram bem-sucedidas — como ficou evidente nas declarações do "mitómano" perante o 13º Juízo, que o veio a condenar e à cúmplice respetivamente a um ano e a seis meses de prisão. Uma pena reduzida e mitigada com prisão domiciliária (sob vigilância por tornozeleira eletrónica).

Em sentido contrário, pois, ao que pediam os queixosos e o Ministério Público — que pediu uma pena de dois anos e um ano. Os queixosos do palácio do Eliseu indignaram-se com a pena reduzida atribuída ao que foi "um atentado à imagem externa da França" que "passou a imagem de uma república das bananas".

O insucesso do burlão aconteceu sempre que o seu alvo procedeu a uma simples verificação. Mas a embaixada de França no Bangladesh e o hotel Hupper House de Hong-Kong não descobriram a burla. O falso sobrinho teve assim o caminho aberto para visitar um campo de refugiados rohingyas e encontrar-se com a embaixatriz, bem como para ser agraciado com um tratamento VIP nesse hotel de luxo em Hong Kong.

O inquérito apurou ainda que o arguido se apresentava também como um jornalista que "expunha os podres do sistema". Tinha conseguido convencer disso a cúmplice, escolhida porque ela tinha "bons contactos que facilitavam a aproximação ao alvo".

Cúmplice: ’Era para ser divertido, não era nada sério’

A cúmplice, de 29 anos, foi acusada de utilizar os endereços falsos e ter obtido vantagens diversas dadas pelo facto de acompanhar o sobrinho da primeira-dama. Tal como o principal arguido, ela reconheceu os factos.

"As vantagens" obtidas vão desde obter roupas caras sem pagar em lojas chiques de Paris e os mesmos "privilégios" do seu mentor até o empréstimo de um carro Tesla elétrico que ela pediu para a primeira-dama. Foi porém esta última burla que a levou a ser detida em 2 de maio de 2018.

Em sua defesa a jovem explicou em tribunal: "Sempre me apresentei como eu própria. Nunca foi uma usurpação de identidade. Para mim, era como alguém que vai à discoteca e para entrar diz que é maior sendo menor ou que é o primo da Brigitte Macron. Não era nada demais", disse genuinamente.

Brigitte alvo

A primeira-dama de França tem sido alvo de algumas ações reprováveis, como há dois anos quando Bolsonaro republicou posts de apoiantes seus com comentários injuriosos relativos à idade de Brigitte, com mais 24 anos que o marido, comparando-a com a Michelle Bolsonaro, 24 anos mais nova que o marido.

O ato foi repudiado por um significativo estrato da população brasileira que enviou mensagens de apoio à esposa de Macron (Brasil recebe ’obrigada’ em português de primeira-dama de França emocionada com #DesculpaBrigitte, 08.set.019).

Fontes: Le Figaro/AFP/Le Monde. Foto (AFP): A primeira-dama de França tem sido alvo de algumas ações reprováveis, além da burla do falso sobrinho ocorrida em 2018, no ano seguinte teve Bolsonaro a republicar posts de apoiantes seus com comentários injuriosos relativos à idade de Brigitte.

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