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França: Josephine Baker no Panteão torna-se "a primeira mulher negra" entre os Imortais 01 Dezembro 2021

O presidente Macron disse: "A minha França é Josephine", pouco depois de entrar na cúpula do Panthéon o cenotáfio da artista (um caixão que não contém os seus restos mortais) transportado por soldados da FAF, a Força Aérea da qual Baker, agente do movimento da Resistência anti-nazi, era uma segunda-tenente.

França: Josephine Baker no Panteão torna-se

A imortal Josephine Baker que deu entrada esta terça-feira no Panteão de França nasceu Freda Josephine McDonald em Saint-Louis, no Missouri em 1906. Tornou-se esta terça-feira 30, a primeira mulher negra imortal no Panthéon.

A quinta de cinco negros, com Alexandre Dumas, Félix Eboué, Toussaint Louverture e Aimé Césaire, entre os 81 imortais que receberam a maior honra do Estado francês. A sexta mulher, com Sophie Berthelot, Marie Curie, Germaine Tillion, Geneviève de Gaulle-Anthonioz e Simone Veil.

Emmanuel Macron saudou a mulher empenhada em "provar ao mundo que as cores de pele, origens e religiões não só podiam coexistir como viver em harmonia". "A sua causa era o universalismo e a unidade. A igualdade de todos perante a identidade de cada um. O abraço a todas as diferenças unidas pela mesma vontade e a mesma dignidade", afirmou o presidente.

Segregada na América, grata à França

A artista de variedades Josephine Baker mudou-se aos 19 anos para Paris, onde se tornou a estrela da "La Revue Nègre" no teatro Champs-Elysees. Bem longe do que deixara para trás: cantava em clubes onde só podia entrar pela porta dos fundos, "de cor" nunca partilhou o camarim com os colgas ’brancos’.

Vinha da América dos pobres, por entre a prosperidade: crescera na maior das pobrezas, com fome e frio, obrigada a trabalhar em casa dos brancos desde os oito anos, submetida a castigos físicos das patroas, segundo as biografias.

"Foi a França que me fez aquilo que sou, e serei eternamente grata ", disse a mulher que obteve em 1937 a nacionalidade francesa. Foi no regresso duma tournée à América, do inferno do segregacionismo: "Disse basta! Depois de onze anos de liberdade em Paris, já não conseguia ter de entrar pela porta do quintal, chegar cansada ao hotel e ouvir que a reserva tinha sido cancelada".

Pela sua participação na Resistência, recebeu honras militares na sua morte em 12 de abril de 1975. A proposta para a sua entrada no Panteão foi primeiro apresentada por uma delegação composta por entre outros, gente das artes como o próprio filho da artista, o guitarrista Brian Bouillon-Baker.

Para sempre Baker, do 2º de 5 maridos

Quatro anos ​(1921-1925) durou o segundo casamento da adolescente com o sr. William Baker com quem — para desespero da mãe — coabitou só um ano, porque a Jo queria mesmo era ser artista. O primeiro casamento tinha sido aos seus 13 anos e divorciou-se antes dos 14, se as biografias forem fidedignas.

A partir dos anos de 1950, casada com um industrial, Joséph Bouillon(última foto), adotou um total de doze crianças. Um projeto maternal em que o afeto dominou, mas que também usou para passar uma mensagem política.

Os dois primeiros filhos eram órfãos de Hiroxima, seguiram-se outros de todos os continentes. A sua ideia era "mostrar que crianças de raças, geografias e religiões diferentes podem viver em harmonia como irmãos. É a educação que decide o futuro".


Fontes: L’Express/ TV5Monde/ Le Parisien. Fotos: Ao panteonizar Josephine, Macron homenageou o "universalismo, a luta contra o racismo e a opressão".

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