INTERNACIONAL

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

França e lição Dreyfus: Cautela no caso do oficial superior da NATO suspeito de espiar para a Rússia 17 Novembro 2021

Um oficial de alta patente colocado numa base da NATO na Itália foi, no fim das férias em França, impedido de regressar ao seu posto, segundo a ministra francesa da Defesa entrevistada na rádio pública ’Europe 1’. Mais de um ano decorrido, já que nada mais se avançou nos noticiários, é de deduzir que a cautela ensinada no caso Dreyfus é lição fresca ainda na memória gaulesa.

França e lição Dreyfus: Cautela no caso do oficial superior da NATO suspeito de  espiar para a Rússia

"Um oficial superior está a ser alvo de um processo judicial por atentado à segurança", confirmou a ministra francesa da Defesa.

Há dezassete meses, a ministra Florence Parly escusou-se a avançar mais pormenores sobre o caso. Mas uma fonte da Justiça confirmou à AFP-Agence France-Presse que o oficial é acusado de "inteligência com uma potência estrangeira", o que constitui "um atentado contra os interesses fundamentais da nação".

Segundo o Le Monde na edição de 30 de agosto de 2020, o oficial de origem russa e "pai de cinco filhos" estava colocado na base da NATO em Nápoles.

Uma grande injustiça. Mais de um ano decorrido, já que nada mais se avançou nos noticiários, é de deduzir que a grande injustiça cometida contra o capitão Alfred Dreyfus, ainda anda na memória gaulesa.

Em 1894, o oficial de alta patente, de origem judaica, foi condenado à pena capital por traição. Em 1896 o coronel Georges Picquart, diretor da contra-espionagem, apresentou provas de que o traidor era o major Ferdinand Walsin Esterhazy. Mas o Exército recusou repetir o julgamento e transferiu Picquart para o Norte de África.

A sociedade francesa por ação de debates em vários círculos incluindo a imprensa dividiu-se. O presidente do Senado, Auguste Scheurer-Kestner, intelectuais como Clemenceau, Zola que escreveu o icónico J’Accuse! defenderam Dreyfus enquanto outros conduziram o povo através do ódio racial. Só em 1904 Dreyfus foi inocentado e recuperou os seus direitos.

"L’Affaire/O Caso", (em francês) como é conhecido, desde há mais de um século que simboliza a injustiça contemporânea derivada de um sistema de justiça permeável "à pressão quer da imprensa quer da opinião pública".

Nem tão raras assim. Segundo o Le Monde, "as acusações e condenações de militares por espionagem em benefício de uma potência estrangeira, em especial a Rússia/URSS, são raras em França, menos que uma dezena no pós-guerra fria. Em julho, dois ex-agentes da DGSE, a entidade de segurança nacional francesa, foram condenados por traição em benefício da China.

Historial mais recente

2020: o oficial de origem russa colocado na base da NATO em Nápoles que depois das férias foi impedido de voltar e sobre o qual a imprensa nada mais noticiou.
Outro: os dois ex-agentes dos serviços de espionagem (DGSE) que em julho foram condenados por traição a favor da China.

2018: o caso do gestor do Senado detido por ter fornecido informação â Coreia do Norte (França: Mais um acusado de espionagem — Gestor do Senado traiu a pátria por amor à Coreia do Norte, 29.nov.018).

2001: um oficial colocado na NATO foi condenado por ter fornecido em 1998 informações à Sérvia sobre as ações da NATO contra o país durante a guerra do Kosovo.

Espiões russos:

2021: na Alemanha o espião inglês ao serviço da Rússia — Alemanha prende espião inglês ao serviço da Rússia — Berlim volta aos tempos da guerra-fria?, 14.ago.021.

2020: na Suíça os espiões russos — Davos 2020: "Canalizadores" russos com passaporte diplomático eram ... espiões, 22.jan.020.

2019: Maria Butina devolvida à Rússia após cumprir pena por espionagem na Flórida — EUA-Rússia: ‘Espia’ Maria Butina chega a Moscovo, após pena de 18 meses na Flórida e tem muito para contar, 28.out.019.
Outro: a baleia equipa para espiar — Noruega: Pescadores acham “baleia equipada para espiar” de base naval russa, 30.abr.019.

2018: este nos Países-Baixos Holanda expulsa 4 espiões russos — Ciberespionagem no radar europeu, 04.out.018.

Outro em abril na Suíça: mais um espião russo foi acusado — depois de ter sido referenciado em 2016 em Marselha — mas o seu nome não foi divulgado senão mais tarde. Trata-se do diplomata Serguei Jeltikov, que segundo a justiça helvética fazia parte dum comando itinerante do GRU, o cérebro da ciberespionagem no Kremlin. Tinha ligações com o grupo detido nos Países-Baixos para operar contra o laboratório federal atómico, biológico e químico de Spiez, a sul de Berna.
Em 2017 Jeltikov coordenara a operação do duo Serebriakov-Morenets, em Lausanne, de ­pirataria informática contra a AMA-Agência Mundial Antidopagem.

2010: o caso do pai e filha espiões. Anna Chapman, de 28 anos, desenvolve atividades de espionagem sobre as negociações entre os EUAe Irão para a desnuclearização. Após meses de detenção, foi libertada numa troca de prisioneiros. O pai, Vasily Kuschenko, era diplomata na embaixada russa em Nairobi nos anos de 1990, que encobria a sua condição de agente do KGB, segundo fontes francesas que citam o diário Daily Nation do Quénia.

Espiões, israelitas, chineses... Alvos: França, ...Afeganistão....limpeza de ficheiro

2021: Indulto a 10 chineses indiciados por terrorismo e espionagem no Afeganistão — Libertados em arranjo discreto Cabul-Pequim, 06.jan.021; Ciberespionagem da NSO-Israel visa 50 mil nºs, Macron entre milhar de alvos — Tribunal de Paris abre investigação, 21.jul.021.

2020: a China faz subtil ameaça sobre os americanos residentes após dezenas de investigadores chineses nos Estados Unidos serem acusados de espionagem (em alguns casos, seguida de detenção) Ameaça de guerra de reféns Pequim-Washington — Xi exorta para "guerra de resistência contra a agressão americana", 22.out.020.

2018: a limpeza de ficheiro estará por trás do envenenamento pelo neurotóxico Novitchok, que vitimou o ex-espião russo Serguei Skripal refugiado em Salisbury, Inglaterra —"Persona non grata" — 139 diplomatas russos expulsos de 26 países, 28.mar.2018.

Fontes: AFP/Le Figaro/Le Monde/RTSR. Fotos: A entidade que combate a espionagem em França, a DGSE, emprega mais de sete mil agentes a tempo inteiro, além de mil militares.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project