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França-Ruanda: Macron pede perdão por genocídio de 1994 — Merkel idem por Namíbia colonial 29 Maio 2021

"Venho para assumir a nossa responsabilidade no genocídio de 1994", disse o presidente francês na quinta-feira, 27, durante a cerimónia realizada no ’Memorial do Genocídio’ de Kigali onde repousam os restos de 250 mil das mais de oitocentas mil vítimas do drama de 1994. Na Alemanha, esta sexta-feira, 28, Angela Merkel aceitou também reconhecer milhares de mortes em Herero e Nama no início do século XX como genocídio e pedirá perdão. Em concreto: a Alemanha está a criar um fundo superior a mil milhões de euros, um pacote financeiro para o desenvolvimento.

França-Ruanda: Macron pede perdão por genocídio de 1994 — Merkel idem por Namíbia colonial

O discurso muito esperado de Emanuel Macron pontuou que "a França não foi cúmplice" mas que "deixou prevalecer o silêncio em vez de buscar a verdade". Por isso, pediu aos que "atravessaram a noite e por isso talvez possam perdoar, que nos façam o dom de nos perdoar".

As palavras de Macron — que representam uma assunção de culpa por parte da França — podem ser o principal desbloqueador de um processo que percorre mais de um quarto de século das relações entre a França e o Ruanda. Depois de todos estes anos de costas voltadas, os dois países podem enfim aliviar a tensão que levou ao corte de representação diplomática mútua entre 2006 e 2009.

O novo posicionamento de Macron resulta da assunção do conteúdo do relatório Ducler,t de há dois meses, que concluiu haver "responsabilidades pesadas e arrasadoras" e "indiferença do presidente socialista François Mitterrand e do seu círculo face à deriva racista até ao genocídio cometido pelo governo hútu, que Paris apoiava".

Relatório de 1200 páginas. O grupo de historiadores sob a direção de Vincent Duclert apresentou em março um relatório de mil e duzentas páginas, sobre o papel da França no conflito de natureza étnica no Ruanda.

O grupo apurou que o governo hútu obtinha apoio de Paris tanto antes como durante o genocídio. O massacre durou cem dias e teve início no dia seguinte à morte do presidente Juvenal Habyarimana, na sequência do atentado no avião em que ele seguia em 6 de abril de 1994.

Milícias de jovens. As milícias envolvidas no genocídio eram constituídas por jovens, recrutados sobretudo na etnia hútu através duma máquina de propaganda bem oleada e dirigida por Félicien Kabuga (25 anos fugitivo, financiador dos massacres do Ruanda é detido em Paris,18.mai.020).

Os executantes desse massacre — que foi um dos piores realizados no continente africano — receberam armas como machins e catanas importados da China, segundo detalha um documento do TPI. O tribunal da Haia conseguiu em 18 de maio de 2020, prender esse financiador do genocídio de mais de oitocentas mil pessoas.

Angela Merkel: Alemanha vai pedir perdão e cria fundo superior a mil milhões de euros

A decisão de assumir a responsabilidade pelos acontecimentos de 1904 no território colonial da Namíbia é anunciada esta sexta-feira pelo ministro Heiko Maas, dos Negócios Estrangeiros.

Uma decisão que o governo da Namíbia arrancou a ferros, ao fim de seis longos anos em que a Alemanha foi protelando a questão.

A chanceler Angela Merkel aceitou também reconhecer os milhares de mortes em Herero e Nama na Namíbia colonial como genocídio e pedirá perdão. Em concreto: a Alemanha está a criar um fundo superior a mil milhões de euros, destinado não à reparação do genocídio de Herero e Nama, mas como pacote financeiro para o desenvolvimento do país da África centro-austral.

Recorde-se que o território da atual Namíbia foi separado do de Angola, durante a ’Partilha de África’ entre as potências coloniais europeias na última década do século XIX.

O titular da pasta dos Negócios Estrangeiros da Alemanha reconhece que esta potências colonial causou "um sofrimento desmedido" aos povos Herero e Nama no primeiro decénio do século XX.

Fontes: Le Monde/Le Figaro/BBC/DW.de. Fotos: O presidente francês, durante a cerimónia realizada no ’Memorial do Genocídio’ de Kigali onde repousam os restos de 250 mil das mais de oitocentas mil vítimas do drama de 1994. Extremo-esquerdo: Prisioneiros Herero caminham para a morte, na Namíbia de 1904.

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