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França: Ruandês negado refúgio incendeia catedral, assassina padre que o acolheu — Debate aceso nórdicos, Alemanha: mais refugiados e mais crimes? 12 Agosto 2021

A correlação entre o aumento do número de refugiados e o da criminalidade faz debate que a cada novo trágico fait-divers se reacende. As estatísticas são invocadas tanto pelos pró como pelos anti-concessão de refúgio nos países mais desenvolvidos — Estados Unidos, entre os que menos direito de asilo concedem versus os países escandinavos que há decénios são exemplares, a Alemanha que no consulado Merkel se abriu (demais), a França pátria da fraternidade. As mesmas estatísticas têm portanto leituras inversas, definidas pela ideologia.

França: Ruandês negado refúgio incendeia catedral, assassina padre que o acolheu — Debate aceso nórdicos, Alemanha: mais refugiados e mais crimes?

Em França o novo trágico fait-divers é a morte esta segunda-feira 9, do padre Olivier Maire, de 61 anos, vitimado por um refugiado do Ruanda, Emmanuel Abayisenga, a quem a congregação dos Irmãos Missionários, popularmente chamados Monfortinos, deu abrigo em maio após sair da ala psiquiátrica da prisão de La Roche-sur-Yon, na região oeste-atlântica de França.

Dez meses antes, em julho do ano passado, Emmanuel Abayisenga — chegado a França em 2012, em busca de refúgio político aos 28 anos — entrou nos noticiários franceses como "o pirómano doente mental" que incendiou a catedral de Nantes (fotos em baixo, à d.ta). Dado por inimputável pelo incêndio, acabou por ser deixado aos cuidados da comunidade religiosa dirigida pelo padre Olivier Maire, prior da congregação dos Irmãos Missionários, em Saint-Laurent-sur-Sèvre, Vendée.

Esta segunda-feira, Emmanuel Abayisenga entra às nove da manhã na esquadra a pedir para ser preso porque matou o padre. O vice-procurador da República em La Roche-sur-Yon confirmou, horas depois em conferência de imprensa, que o padre fora encontrado morto no seu quarto da congregação dos Irmãos Missionários.

Sacristão nos Irmãos Missionários

É o fim do percurso francês de Emmanuel Abayisenga sacristão tornado assassino do seu benfeitor. O que levou ao trágico desfecho? O ruandês diz-se hutu à entrada em França em 2012 e pede asilo. Alega estar a ser perseguido pelo regime de Paul Kagame no Ruanda pós-conflito étnico que originou o genocídio de oitocentos mil tutsis e hutus moderado.

Facto é que a França e o Ruanda entretecem relações especiais, também marcadas pela ambiguidade. O apoio da França ao presidente Paul Kagame da etnia tutsi dá-se neste contexto de difícil coexistência entre Hutus e Tutsis.

A divisão étnica desde o século XIX tem sido promovida pela colonização europeia que usou a ciência para explicar a pretensa diferença biológica em relação com uma alegada origem estrangeira dos Tutsis. Em mais de século e meio a divisão evoluiu também para divisão económico-social: para os Hutus maioritariamente agricultores e com menos poder económico, a sua situação é provocada pelos Tutsis que detêm mais poder económico e estatuto social. O genocídio de 1994 tem a sua base neste caldeirão em que o então regime hutu implementou o genocídio contra Tutsis.

Fontes: AFP/Le Figaro/Le Monde/... Fotos: A igreja da congregação dos Irmãos Missionários, em Saint-Laurent-sur-Sèvre, encheu-se ontem (3ª fª, 10) para homenagear o padre Olivier Maire, que dedicou a sua vida aos pobres e excluídos". Foi assassinado pelo refugiado ruandês (foto em baixo) Emmanuel Abayisenga, há um ano foi dado como doente mental após incendiar a catedral de Nantes (em baixo à d.ta) distante mais de 400 km de Paris.

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