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França expulsa para Sarajevo família bósnia que vilipendiou filha por namorar sérvio 29 Outubro 2020

"Vamos rapar-lhe o cabelo, assim ela nunca mais sai à rua", foi a decisão que saiu da reunião da família de Selma, de dezassete anos, depois que os espancamentos não resultaram para fazer a adolescente desapaixonar-se do inimigo, de 20 anos. O caso da "Julieta" bósnia muçulmana cruelmente castigada por querer casar com o seu "Romeu" sérvio cristão, como foi divulgado em agosto, comoveu a França, chocada com a inversão dos valores republicanos por esta família de bósnios que "há vários meses" foram acolhidos em França e esperavam obter o estatuto de refugiados.

França expulsa para Sarajevo família bósnia que vilipendiou filha por namorar sérvio

A repercussão do drama de Selma foi tal que o ministro da Administração Interna, Gérald Darmanin (foto no extremo superior d.to) — sob pressão de grupos pela liberdade religiosa, de feministas e de ativistas de direitos humanos — , interveio de imediato a prometer que medidas seriam tomadas.

"O Ministério irá tomar as medidas punitivas, assim que estiver concluído o processo na Justiça".

Dois meses depois, o governante anuncia esta segunda-feira, 26, que cinco familiares da adolescente bósnia "tosquiada" — o pai, a mãe e três irmãos — tinham no sábado seguido num voo para a Bósnia.

Os pais foram na sexta-feira, 23, condenados no tribunal de Besançon, no leste de França, a um ano de prisão com pena suspensa e expulsão imediata do território. Durante cinco anos, ficam proibidos de entrar em França.

A adolescente fica sob a tutela do Estado, numa instituição que acolhe crianças refugiadas. "Ao atingir a maioridade, terá direito à autorização de residência", disseram em comunicado conjunto o ministro do Interior e a ministra delegada da Cidadania, Marlène Schiappa.


Tio tosquiador e tia instigadora

O mesmo tribunal de Besançon condenou o tio acusado de ter tosquiado a jovem, bem como a esposa, à mesma pena de um ano de prisão com pena suspensa.

Mas dado o seu estatuto de refugiados, os tios não sofrem a pena de expulsão, o que está a indignar a sociedade francesa.
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Fontes: TV5Monde/AFP/L’Express/Le Figaro... Fotos (Getty): Em 3 de outubro de 1996, o presidente Chirac apadrinhou o reatar de relações diplomáticas entre a Sérvia e a Bósnia-Herzegovina, representadas pelos respetivos presidentes, Slobodan Milosevic e Alija Izetbegovic (foto no extremo inferior esqº). Milosevic morreu em 2006 na prisão onde cumpria pena perpétua por genocídio, a que foi condenado pelo TPI-Haia. As mulheres que colaboraram com os alemães são "tosquiadas" na ’França Libertada’ em 1944. Muçulmanas bósnias.

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