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Fraudes já representam mais de 10% das queixas dos clientes dos bancos em Cabo Verde 28 Setembro 2022

Mais de 10% de todas as queixas dos clientes do setor bancário recebidas em 2021 pelo Banco de Cabo Verde (BCV) foram sobre fraude, indicam dados de um relatório do banco central cabo-verdiano compilados hoje pela Lusa.

Fraudes já representam mais de 10% das queixas dos clientes dos bancos em Cabo Verde

De acordo com o relatório de supervisão comportamental do BCV, durante todo o ano de 2021 foram abertas um total de 40.651 contas bancárias em Cabo Verde, “o que perfaz um total acumulativo de 799.833 contas bancárias à ordem existente em todas as instituições bancárias que compõem o sistema financeiro nacional”, que conta com sete bancos comerciais, tratando-se de um aumento de 5,4% face a 2020.

O banco estatal cabo-verdiano Caixa Económica liderava em número de contas ativas no final de 2021 em Cabo Verde, com 361.364, tendo recebido 52 queixas relativas a contas bancárias, seguido do Banco Comercial do Atlântico (BCA, detido pelo grupo português Caixa Geral de Depósitos) com 261.338 contas ativas, mas 111 reclamações. O Banco Interatlântico, também detido pela Caixa Geral de Depósitos, é o quarto com maior número de contas ativas, 55.227, e 26 queixas recebidas sobre as mesmas ao longo do ano passado.

O relatório refere que durante o ano de 2021 foram recebidas pelo BCV, globalmente, um total de 327 reclamações dos consumidores dos produtos e serviços bancários, mantendo a “tendência de crescimento” nesta matéria: Em 2020 tinham sido registadas 313 queixas pelo banco central, em 2019 um total de 275 e em 2018 mais 250.

O BCV aponta que mais de 11% das reclamações recebidas na instituição em 2021 foram relativas a fraude, nomeadamente “um grande número de reclamantes vítimas de ‘phishing’”.

Essas reclamações por fraude ocorreram “maioritariamente” através da clonagem e posterior uso de cartões bancários, pela utilização de credenciais de segurança de cartões de débito e Internet ‘banking’, mas também “dentro das próprias agências dos bancos, nos balcões de atendimento, alegadamente, com recurso a assinaturas falsificadas nos talões de levantamento”, permitindo levantar numerário ilicitamente.

A Lusa noticiou em agosto que os lucros dos sete bancos comerciais que operam em Cabo Verde aumentaram quase 20% em 2021, para 33,5 milhões de euros, empregando praticamente 1.300 trabalhadores.

Segundo as contas de 2021 apresentadas publicamente pelos bancos que operam em Cabo Verde como Instituições de Crédito de Autorização Genérica (ICAG), para trabalharem com clientes residentes no arquipélago, compiladas pela Lusa, o resultado líquido total ascendeu no ano passado a mais de 3.684 milhões de escudos (33,5 milhões de euros), o que compara com os lucros totais superiores a 3.091 milhões de escudos (28 milhões de euros) em 2020 (+19,2%).

Todos os sete bancos registaram lucros em 2021, liderados pelo BCA, com um resultado líquido de 1.424 milhões de escudos (12,9 milhões de euros), e pela Caixa Económica de Cabo Verde, com 967,8 milhões de escudos (8,8 milhões de euros).

O Banco Interatlântico, somou lucros de mais de 282,8 milhões de escudos (2,5 milhões de euros) em 2021 e os angolanos do BAI Cabo Verde mais de 150,2 milhões de escudos (1,4 milhões de euros).

Contudo, apenas quatro dos sete bancos comerciais cabo-verdianos declararam que vão pagar dividendos aos acionistas, contrariamente ao que aconteceu em 2020 devido às medidas prudenciais adotadas pelo setor face à crise provocada pela pandemia de covid-19.

Esses dividendos, relativos aos lucros de 2021, ascendem assim a mais de 1.274 milhões de escudos (11,5 milhões de euros).

Além dos sete bancos com licença genérica, funcionavam em Cabo Verde quatro bancos apenas para clientes não residentes, considerados ’offshore’, como Instituições de Crédito de Autorização Restrita (ICAR), regime que terminou no final de 2021.

Ao abrigo da legislação aprovada pelo parlamento, apenas um desses, o Banco de Fomento Internacional (BFI), pediu e concluiu a transformação para licença genérica.

Os restantes três, casos do Banco Montepio Geral Cabo Verde, do grupo português Montepio, do BIC Cabo Verde, detido pela empresária angolana Isabel dos Santos, e do Banco Privado Internacional (BPI), optaram por não pedir essa transformação e estão em processo de liquidação. A Semana com Lusa

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